Airbus A330-200 saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris
Equipes de busca localizaram a zona onde o Airbus A330-200 da Air France,
que fazia o voo AF 447 do Rio de Janeiro a Paris, desapareceu dos radares
neste domingo (31) na costa do Brasil, afirmou o diretor-geral da aérea,
Pierre-Henry Gourgeon, durante entrevista coletiva concedida no aeroporto de
Roissy, na França. Segundo a companhia, o avião levava 58 passageiros
brasileiros, dos 228 que estavam a bordo.
"A catástrofe que aflige a todos nós ocorreu na metade do caminho entre as
costas brasileira e africana, numa zona delimitada em algumas dezenas de
milhas náuticas aproximadamente", declarou Gourgeon. Uma milha náutica
equivale a 1,85 km.
O vice-chefe do Centro de Comunicação da Aeronáutica, Jorge Amaral,
afirmou no início da noite que os trabalhos de buscas continuam no período
noturno e sob a hipótese de que haja sobreviventes. A área de busca
compreende aproximadamente 120 quilômetros quadrados, segundo a FAB (Força
Aérea Brasileira).
Ainda segundo Amaral, um piloto da TAM teria reportado ter visto "pontos
laranjas" sobre o mar a caminho do país. "Ao chegar ao Brasil, sabendo o que
estava acontecendo, ele acha que podem ser pequenos focos de incêndio sobre
o mar", disse Amaral.
Possíveis causas do acidente
O exame dos dados enviados automaticamente pelo Airbus revelou, segundo
Gourgeon, uma "sucessão de dez mensagens técnicas" por volta das 4h15, hora
de Paris (23h15 de Brasília), indicando que "vários equipamentos tinham
entrado em pane", o que provocou "uma situação totalmente inédita no avião".
Segundo ele, "é provável que logo após essas mensagens tenha ocorrido o
impacto no Atlântico".
O diretor-geral da Air France acrescentou que, "pouco antes dessas
mensagens, a aeronave enfrentou turbulências significativas", mas não quis
estabelecer uma "ligação direta" entre as condições meteorológicas e as
mensagens técnicas. Segundo ele, "o avião está equipado com balizas de
socorro que podem emitir sinais por vários dias e permitir que seja
localizado".
Providências no Brasil
Segundo a Air France, dos 228 que estavam no avião, 216 eram passageiros,
incluindo um bebê, além de sete crianças, 82 mulheres e 126 homens. Entre os
brasileiros estavam o
príncipe Pedro Luis de Orleans e Bragança, o chefe de gabinete da
Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Parente, e o presidente da Michelin -
multinacional francesa do ramo de pneus - para a América do Sul, Luís
Roberto Anastácio.
No Rio de Janeiro, o
presidente em exercício, José Alencar, encontrou-se com familiares de
passageiros e afirmou que o
governo brasileiro está à disposição. Em San Salvador,
o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou o desaparecimento. "Nessas
horas não existe outra coisa, a não ser lamentar profundamente e desejar pra
família muita força. Porque nessa hora não existe palavra."
O
presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que as esperanças de
encontrar sobreviventes são "muito fracas" e que não se sabe o que aconteceu
com o voo. A Air France possui a
lista dos passageiros, mas informou que só a divulgará após a checagem
das nacionalidades. Alguns deles optaram por não informar telefones no
cartão de embarque, o que dificulta o contato com as famílias,
segundo a Anac.
Buscas continuam
A Aeronáutica comanda
as buscas no Oceano Atlântico, que devem continuar à noite. Seis aviões
e dois helicópteros da Força Aérea Brasileira participam da ação.
Air France levará famílias de ocupantes de avião a Paris
A
França pediu ajuda ao Pentágono para tentar localizar o Airbus. Segundo
a agência France Presse, o Ministério da Defesa solicitou que o governo
norte-americano utilize seus satélites de observação que cobrem a área em
que a aeronave desapareceu.
Mensagem apontou falha elétrica
O voo AF 447 da Air France decolou do Aeroporto Internacional Tom Jobim, no
Rio de Janeiro, com destino ao aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. Às
23h14 (horário de Brasília) uma mensagem automática indicou problemas no
circuito elétrico.
Segundo o diretor de comunicação da Air France, François Brousse, a aeronave
"foi provavelmente atingida por um raio".
Especialistas divergem sobre as causas do acidente. O último contato
feito pelo avião com o controle ocorreu às 22h33.
De acordo com a nota divulgada pela companhia, a última manutenção da
aeronave no hangar aconteceu no dia 16 de abril deste ano. O aparelho está
equipado com motores General Electric CF6-80E.
*Com informações da AFP, EFE, AP e Reuters