| Volkswagen demite
1.800, e metalúrgicos entram em greve
Por Maurício Savarese
SÃO BERNARDO DO CAMPO (Reuters) - Poucos minutos antes de uma assembléia na
qual decidiriam entrar em greve a partir desta terça-feira, metalúrgicos da
Volkswagen em São Bernardo do Campo receberam da empresa 1.800 cartas de
demissão.
"A Volkswagen resolveu comprar a briga com os seus trabalhadores e essa
briga será uma luta dura", afirmou após a assembléia o presidente do
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijoó. Segundo ele, a greve
será feita na fábrica e os rumos do movimento serão decididos no dia-a-dia.
As cartas, com a logomarca da Volks e assinadas apenas pelo departamento de
Recursos Humanos, anunciavam a demissão desses funcionários após o fim do
acordo de estabilidade, em 21 de novembro. Elas foram entregues em mãos, o
que retardou o início da assembléia em quase uma hora, para aproximadamente
15h20.
Quando a reunião começou, alguns trabalhadores se mostravam revoltados,
outros abatidos, e alguns confusos.
"Assim não dá mais vontade de trabalhar aqui", dizia Cláudio da Conceição
Cruz, 39 anos, 17 deles na Volks. Mesmo com a postura quase de desistência,
ainda pretendia votar a favor da paralisação e continuar na luta.
Com os olhos marejados, Wanderley Cupertino da Silva, 45 anos de idade e 12
de Volks, parecia mais preocupado com um problema que enfrentaria depois da
assembléia: encarar a família.
Conforme a montadora, 500 dos que receberam as cartas estão no CFE, seu
centro de recapacitação de funcionários para o mercado de trabalho, e 1.300
atuam na fábrica Anchieta.
A unidade, primeira da Volks no Brasil, tem 12 mil funcionários, dos quais 8
mil ligados à fábrica e o restante à administração.
A Volks havia avisado na semana passada que faria a lista, caso não chegasse
a um acordo com os metalúrgicos para efetuar cortes de benefícios e eliminar
3.600 postos até 2008. Sem acordo, advertiu a montadora, a fábrica não
receberá novos investimentos, o que deve levar ao seu fechamento a médio
prazo.
A companhia não voltou a se manifestar após os metalúrgicos decidirem pela
greve.
(Com reportagem adicional de Marcelo Mota, em São Paulo)
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