da Folha Online
Em seu primeiro pronunciamento após a conquista da reeleição, o presidente
americano,
George W. Bush, 58, falou sobre o Iraque e o Afeganistão e a guerra contra o
terror, sem dúvida, o tema mais recorrente das eleições presidenciais deste ano.
Bush declarou, nesta quarta-feira, que vai lutar para promover a democracia
nesses países e afirmou para uma platéia que gritava "mais quatro anos": "Com
bons aliados, vamos lutar essa guerra contra o terror para que nossos filhos
possam viver em liberdade e em paz".
Dirigindo-se aos eleitores do adversário democrata,
John Kerry, 60, Bush afirmou: "Farei tudo para merecer sua confiança. Quando
nos unimos e trabalhamos juntos, não há limite à grandeza dos Estados Unidos".
O vice-presidente americano,
Dick Cheney, lembrou, em seu discurso, o número recorde de
comparecimento à eleição deste ano [calcula-se que entre 58% e 60% dos cerca de
150 milhões de eleitores votaram neste ano] e comemorou a vitória republicana
também no Legislativo. "O resultado é uma vitória para toda a nação. Bush teve a
maior votação jamais atingida para uma Presidência dos EUA".
Pouco mais cedo, Kerry admitiu em discurso a reeleição de Bush. "Nós não podemos
ganhar essa eleição", disse o democrata.
Contagem incompleta
A reeleição de Bush chega sem que três Estados tivessem determinado oficialmente
seus resultados: Iowa [que tem sete votos no Colégio Eleitoral e parou contagem
por problemas técnicos], Novo México [que tem cinco votos no Colégio Eleitoral e
anunciará seu resultado amanhã] e Ohio [que conta com 20 votos no Colégio
Eleitoral e era a chave de decisão da eleição, devido a 250 mil cédulas
"provisórias"].

O Estado de Ohio [que representa 20 votos no Colégio Eleitoral] tornou-se o
grande fator de disputa entre Bush e Kerry na corrida à Casa Branca.
O impasse se deu por causa de 250 mil cédulas provisórias --emitidas aos
eleitores que tiveram a validade de seus registros contestada-- que se
transformaram na chave definitiva para encerrar a eleição e dar nome ao novo
presidente dos EUA.
A disputa acirrada em Ohio remete ao ocorrido no Estado da Flórida em 2000, mas
desta vez a vantagem de Bush é maior --ele tem cerca de 140 mil votos a mais que
Kerry.
Para vencer, um candidato precisa ter 270 votos no Colégio Eleitoral. Com
exceção da Pensilvânia e da Flórida, a maioria dos resultados dos demais Estados
[incluindo o Distrito de Colúmbia] já era esperada, de acordo com pesquisas de
intenção de voto realizadas anteriormente.
Com cerca de 99% dos votos apurados no Estado de Ohio, os republicanos contam
com 2.794.346 de votos, o equivalente a 51% do total. Já os democratas têm
2.658.125 ou 49% dos votos, segundo o "USA Today".