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Um Sonho a Mais foi uma
telenovela
brasileira, produzida e exibida no horário das 19 horas pela
Rede
Globo, entre
4
de fevereiro e
2 de
agosto de 1985.
Com argumento de
Lauro César Muniz e
Daniel
Más, baseado na peça teatral Volpone, de
Ben
Jonson, foi escrita inicialmente por Daniel Más com supervisão de Muniz.
Daniel Más foi afastado da trama que passou a ser escrita por Lauro César
Muniz, com colaboração de
Mário
Prata e
Dagomir Marquezi. Teve direção de
Roberto Talma, Carlos Magalhães, Mário Márcio Bandarra e Luca de Castro e
direção geral de Roberto Talma. Contou com 155 capítulos. Nela foi exibido o
primeiro beijo
gay em telenovelas
brasileiras, entre os personagens de
Ney
Latorraca (travestido) e
Carlos Kroeber.
Enredo
Na
década de 1960, Antônio Carlos Volpone é acusado de matar o Dr. Telles,
seu futuro sogro, e pai de Stella, sua noiva.
Para fugir da acusação, Volpone foge do país, com seu amigo Mosca, faz
fortuna, e passa a viver no
Egito. Stella
casa-se com o ríval de seu antigo noivo, Orlando Aranha e têm uma filha,
Mônica.
Vinte anos depois, Volpone vê Stella e Mônica passeando pelo
Cairo, sente
que continua a amando e decide voltar ao Brasil.
Para não ser preso, anuncia que está com uma grave doença e por isso vive
preso numa redoma de plástico, e como está moribundo, procura um herdeiro. Sua
chegada ao
Rio de Janeiro atrai a atenção da imprensa, em especial da repórter Amélia
Bicudo, que passa a investigar sua vida.
Enquanto um ator fica dentro da bolha de plástico, simulando ser Volpone,
ele circula disfarçado entre seus antigos amigos e inimigos, investigando quem
é o verdadeiro assassino, tentando se aproximar de Stella e vivendo várias
aventuras. Volpone assume personalidades como a secretária Anabela Freire, o
médico Nilo Peixe, o advogado Augusto Mello Sampaio e o motorista André Silva,
tudo isso escudado por seu fiel amigo Mosca.
Elenco
e
Trilha sonora
Nacional
- "Chuva de Prata" -
Gal Costa
- "Mais Que Um Sonhador" -
Degradée
- "Infinito" -
Djavan
- "Me Liga" -
Os Paralamas do Sucesso
- "Me Leva Pra Casa" -
Joe
- "Leva" -
Tim Maia
- "Whisky a Go Go" -
Roupa
Nova
- "Egotrip" -
Blitz
- "Shy Moon" -
Caetano Veloso (part. esp.
Ritchie)
- "Menino Bonito" -
Wanderléa
- "Juntos" -
Ivan Lins
(part. esp.
George Benson)
- "Corações Psicodélicos" -
Lobão e os Ronaldos
- "Vivendo Ilusão" -
Rádio
Táxi
- "Garota do Ano" -
Arnaldo Brandão (part. esp.
Brylho)
Internacional
- "Love Is Love" -
Culture Club
- "Together In Electric Dreams" -
Giorgio Moroder e
Phillip Oakey
- "Private Dancer" -
Tina
Turner
- "Small Town Boy" -
Bronski Beat
- "Steady" -
Jules Shear
- "Do You Wanna Dance?" -
Geraldine
- "Theme From "Summer Of '42" (The Picasso Suite)" -
Michel Legrand
- "I
Want To Know What Love Is" -
Foreigner
- "Invisible" -
Allison Moyet
- "I Can Wait Forever" -
Air
Supply
- "Boys Make Me Nervous" -
Heartbreak U.S.A.
- "Nobody Loves Me Like You Do" -
Whitney Houston e
Jermaine Jackson
- "Love Hunger" -
Tina Charles
- "Sex Over The Phone" -
Village People
Curiosidades
Exibida entre
4
de fevereiro e
3 de
agosto de 1985
em 155 capítulos.
-
Daniel Más era colunista social antes de escrever a novela e, no
lançamento da trama, anunciou que muitos personagens eram inspirados em
figuras da sociedade carioca e paulista. A socialite Yonita Salles
Pinto chegou a gravar uma cena com sua cópia, a personagem Renata (Suzana
Vieira).
- A idéia inicial era repetir o esquema que tinha dado certo com
Sílvio de Abreu e
Carlos Lombardi. Lombardi tinha sido colaborador de Abreu em
Guerra dos Sexos, e em
Vereda Tropical passava à titular com Abreu o supervisionando. Más tinha
colaborado com
Lauro César Muniz em
Transas e Caretas e ia escrever a nova novela com supervisão de Muniz.
- Devido à baixa audiência,
Daniel
Más foi afastado da novela no capítulo 37, no ar em
18
de março de
1985, uma
segunda-feira e, a partir daí,
Lauro César Muniz,
Mário Prata e
Dagomir Marquezi assumiram a história.
- O ritmo agitado, a trama non-sense (inclusive com personagens se
dirigindo ao telespectador), as citações à figuras pop (o ator Emile Eddè,
que interpretava um psicólogo era sósia de
Woody
Allen, divulgador da
psicanalise no cinema) e da alta sociedade, assustaram o grande público,
causando a queda na audiência.
- Os novos autores recolocaram a trama nos trilhos, mas mantiveram o humor
cáustico, o que deu à novela a fama de cult, com fãs fiéis.
- A repórter Amélia Bicudo (Cissa
Guimarães) fazia matérias absurdas para o fictício Jornal do Amanhã,
cobrindo assuntos que nada tinham a ver com o resto da trama, como um quadro
de humor dentro da novela. Ela estava sempre acompanhada do câmera Barrão (Ernesto
Piccolo) e do produtor Paulinho (Paulinho de Tarso). Com os novos
autores, a personagem passou a investigar a vida de Volpone. O ator
José
Wilker fez uma participação numa cena, como o chefe de Amélia Bicudo,
que a orientava para a nova tarefa, à sério.
-
Cissa Guimarães mostrou tanta simpatia no papel que, poucos anos depois,
passou a ser repórter de verdade no programa
Video Show, com bastante sucesso.
- O grande sucesso da novela foi a personagem Anabela Freire, uma
quarentona, solteirona, porém charmosa, que conquistava o milionário Pedro
Ernesto (Carlos
Kroeber). O sucesso era tanto que surgiram sua irmã Florisbela (Marco
Nanini) e a prima Clarabela (Antônio
Pedro), que não estavam no argumento inicial.
- Numa das cenas mais engraçadas, Anabela vai a uma danceteria - nome
usado pelas casas noturnas na época - e dança loucamente na pista de dança,
quando começa uma música de
Nina
Hagen. Anabela dubla a música inteira olhando direto para os
telespectadores.
- Sem ter como fugir do assédio de Pedro Ernesto, Anabela acaba casando-se
com ele. É na cerimônia que acontece o beijo que é considerado o primeiro
beijo gay numa telenovela brasileira.
- Mas como Anabela não consuma o casamento, Pedro Ernesto manda vir de
São Paulo a sexóloga Olga del Volga, personagem já famosa do ator
Patrício Bisso. Olga adapta-se perfeitamente a novela, que passa a ter
quatro travestis falando todo o tipo de besteiras, num típico humor gay,
ocupando a maior parte da trama.
- A parte conservadora da audiência não perdôou tal ousadia e pediu
providências ao Governo Federal. A
censura
da
Nova República exigiu a retirada dos travestis da novela. A
TV Globo só conseguiu manter Anabela Freire, pois ela estava na sinopse
aprovada pela censura.
- Numa cena simbólica, Anabela amanhece numa praia e Volpone vai tirando
sua peruca e maquiagem, como se o personagem tivesse acordado de um surto e
agora voltasse a seu estado normal.
- O ator
José
Lewgoy não gostou de seu personagem e pediu para deixar a trama.
Guilherme, que vivia para satisfazer os caprichos da mulher Renata, de
repente diz a ela que não suporta mais viver em segundo plano e a deixa. A
despedida dos personagens foi gravada nos corredores dos estúdios da
TV Globo, no Jardim Botânico, simulando um aeroporto, com os
funcionários da TV passando e conversando ao lado dos atores.
- A atriz
Suzana Vieira interpretava a misteriosa e cínica Renata. O visual da
personagem era chiquérrimo. Os cabelos da atriz estavam loiros e bem curtos.
- O ator
Anselmo Vasconcelos interpretava Edson Chaves, um advogado sem muito
destaque. Os autores fizeram o personagem sumir e o ator voltou como Edgar
Chaves, um
punk bem louco que se instalava na mansão de Volpone. O personagem caiu
nas graças do público e criou uma gíria própria, dizia "tá maus" toda vez
que algo o desagradava. Depois Edson Chaves voltou à trama, sendo inimigo de
seu irmão gêmeo punk.
- Numa cena que ficou famosa, Edson preparava uma sessão de tortura para
Edgar, querendo saber os segredos de Volpone. Edgar era trancado num quarto,
amarrado a uma cadeira e então, obrigado a ouvir por horas as músicas do
grupo Menudo,
sucesso da época. Edgar ficava aos berros de desespero enquanto ouvia o hit
"Não se reprima" nas alturas.
- A abertura mostrava um bailinho de jovens nos anos 60, com elementos
típicos do início desta década, em forma de gags humorísticas. A abertura
era constantemente modificada com o acréscimo de mais cenas, o grupo
Roupa
Nova chegou a ser incluído posteriormente, como o grupo que tocava no
bailinho.
- Whisky A Go-Go, o tema de abertura, interpretado pelo grupo Roupa
Nova, até hoje faz sucesso.
- O título provisório da novela era Esconde-esconde, mas foi
escolhido Um Sonho A mais como título definitivo.
- Destaque para a brilhante atuação de
Carlos Kroeber como o atrapalhado e apaixonado Pedro Ernesto.
- A protagonista feminina da novela foi a única escolhida por computador
na história das telenovelas brasileiras. Como não havia nenhum nome
definido, foram colocados os dados da personagem num programa de computador
cruzados com as características de várias atrizes, o computador selecionou
Sílvia Bandeira, que nunca tinha tido personagem fixo numa novela, mas
tinha sido premiada pelo filme
Bar Esperança. Ela fazia a sofisticada Stella.
-
Silvia Bandeira fez muito sucesso na época em um comercial de TV,
anunciando uma marca de shampoo. Ela fazia o comercial com uma garotinha,
que fazia sua filha.
- No auge do romance entre Anabela Freire e Pedro Ernesto,
Sílvia Bandeira reclamou do "absurdo" da situação e de que ficara em
segundo plano, em entrevita à revista
Amiga.
- No final, Volpone descobria que realmente estava a beira da morte e
recorria a vários médicos. No último capítulo era operado e se recuperava no
hospital, mas ao saber que Renata - que era a verdadeira assasina de
Dr.Telles - estava fugindo do Brasil, Volpone escapava do hospital e corria
ao aeroporto para tentar impedi-la, mas acabava morrendo assim que a
alcançava.
- Na última cena da novela,
Ney Latorraca e
Sílvia Bandeira, num cenário que simulava o céu, recebiam e
cumprimentavam todo o elenco, que entrava, um por um, no cenário, com todos
vestidos de branco, numa grande confraternização.
- O autor
Daniel
Más só voltou a escrever uma novela três anos depois, com
Bambolê.
- O ator Ricardo Zambelli, marido da atriz
Zaira Zambelli, morreu num acidente automobilístico poucos dias depois
da estréia da novela, durante o Carnaval. Era seu primeiro personagem fixo
numa novela, um rico entediado.
-
Tássia Camargo fez de sua personagem Mônica, um grande sucesso. Tanto,
que estampou a capa da revista
Playboy,
de junho de
1985.