TERROR EM
SILENT HILL
Por Angélica Bito
criticas@cineclick.com.br
Os espectadores que se interessariam em assistir a Terror em
Silent Hill podem ser divididos em dois grupos distintos: quem
já jogou e quem não teve acesso ao jogo de videogame Silent
Hill, que deu origem a este longa-metragem. Eu faço parte do
segundo grupo. Sei que vários elementos deste filme, como
personagens e ambientes, são fiéis em relação ao game, mas
devo confessar que sou incapaz de me aprofundar nessa comparação
porque não conheço a obra que originou o filme. No entanto, toda
produção deve conseguir dialogar independentemente da qual é
originária. E, quanto a isso, posso dizer que Terror em Silent
Hill até que funciona bem como filme de terror, impressionando
principalmente no sentido visual.
A história gira em torno de Rose Da Silva (Radha Mitchell). Casada
com Christopher (Sean Bean), cria uma filha com ele, Sharon (Jodelle
Ferland). No entanto, a menina tem problemas de sonambulismo e, em
seus ataques, sempre fala que quer voltar para casa, em Silent
Hill. O problema é que seus pais não conhecem essa cidade. É
quando descobrimos que Sharon é adotada e, provavelmente, nasceu
nessa cidade. Para desvendar o mistério, Rose e sua filha vão ao
local. O problema é que ele está inabitado há um bom tempo por
causa de uma série de incêndios subterrâneos, que seguem
acontecendo por alguns anos. E, após um acidente, Sharon some. Sob
uma chuva de cinzas, Rose explora Silent Hill em busca da filha,
sendo vigiada pela policial Cybil (Laurie Holden), que a persegue
ao perceber que algo está errado.
Na cidade fantasma, elas começam a perceber que há coisas mais
sinistras do que incêndios subterrâneos. Criaturas rastejantes que
se desfazem em cinzas, uma mendiga assustadora que só fala em sua
filha perdida, enfermeiras sem rosto, um monstro que tem uma
máscara de metal em forma de pirâmide e fanáticos religiosos são
algumas das figuras que Rose e Cybil encaram para encontrar a
menina e sair de lá.
A estrutura do roteiro é bem parecida com a de um videogame e esse
é o problema de Terror em Silent Hill. Por mais que se
trate da adaptação de um game, a narrativa fica presa
demais a esse formato. É possível até identificar as “dicas” que
as levam para mais perto de Sharon, enquanto a dupla passa por
“fases” na cidade de Silent Hill. Rose, inclusive, é tão destemida
como qualquer personagem virtual de um jogo. Às vezes, de forma um
tanto quanto burra, o que irrita. Para não dizer que o roteiro é
um equívoco, é justo dizer que o final é compensador e
inteligente. Por não ser hermético, dá vazão para continuações – o
próprio game, hoje, encontra-se em seu quarto episódio.
Também vale destacar a direção bastante segura do francês
Christophe Gans (O Pacto dos Lobos). É evidente que ele
sabe o que está fazendo. Sua câmera é fluída, passeia naturalmente
pelos mesmos ambientes da protagonista e mostra ao espectador o
terror de forma inusitada em soluções visuais bastante felizes. A
direção de arte é incrivelmente assustadora e os efeitos visuais
são excelentes. Por ter imagens tão aflitivas de uma forma que
beira o belo, num contexto gótico, Terror em Silent Hill
merece ser visto pelos que apreciam uma produção de terror. Não é
genial, mas pode apostar que é melhor do que muita coisa que
vemos. |