Falta
de atenção? Bagunça? Desafio à autoridade? As aulas voltaram...
Atualmente, tem se falado bastante sobre TDAH, ou Transtorno de Déficit
de Atenção e Hiperatividade. Considero importante esses assuntos
virem à tona, pois as pessoas ficam mais informadas e procuram a
ajuda e os cuidados necessários.
A TDAH é uma síndrome clínica que tem como características a
desatenção, a hiperatividade motora e a impulsividade. Os sintomas
de desatenção incluem dificuldades em organizar e realizar tarefas,
cometer erros por distração, perder coisas, tendência a evitar
atividades que requeiram esforço mental constante, esquecimentos
excessivos e tendência à desatenção durante uma aula, palestra,
reunião ou conversa.
Já os comportamentos da hiperatividade e impulsividade incluem
inquietação, balançar de pernas, bater dos pés, tamborilar com os
dedos, dificuldade em fazer uma coisa de cada vez, impaciência,
temperamento explosivo e intromissão em conversas ou brincadeiras
alheias.
Isso é sempre mais notado em crianças, mas, até pouco tempo
atrás, eram pouco diagnosticados. A partir deles, era gerado um
conflito familiar, com os pais culpando a si mesmos ou à criança: na
tentativa de exercer o controle, freqüentemente tornavam o filho
mais desafiador e briguento. Como resultado, a criança passava a
apresentar baixa auto-estima, sentimentos de inadequação social,
histórico de fracassos, fraco desempenho escolar, elevada
sensibilidade a críticas e um processo crônico de estigmatização,
sendo geralmente rotulada como antipática, desmotivada, incompetente
ou simplesmente “má”.
Hoje em dia, descobriu-se que crianças com TDAH tornam-se adultos
desatentos, mas com hiperatividade e impulsividade reduzida.
Portanto, aquele amigo lerdinho, bagunceiro e sem noção pode sofrer
de TDAH e ter uma vida social bastante difícil, num ritmo diferente
da maioria. E ele não tem responsabilidade e culpa em ser assim,
simplesmente é.
Mas e a relação do álcool, as drogas e o TDAH? Bem, estudos dizem
que portadores de TDAH experimentam drogas mais cedo e em maior
quantidade, viciam-se mais rápido, apresentam grau mais grave e
curso mais longo de dependência, e demoram mais para buscar
tratamento. Já o consumo precoce do álcool coloca os indivíduos com
TDAH em maior risco de abusar da substância e, conseqüentemente, uma
propensão maior a intensificar os problemas de saúde relacionados ao
uso da mesma.
Por esses motivos, as preocupações devem ser constantes quando se
trata de TDAH e a dependência química. Isso porque as pessoas que as
possuem, apresentam perfis bem singulares e únicos. Além disso,
devemos adaptar nossa conduta clínica e prevenir crianças com TDAH
do uso indevido de álcool e drogas. Se tratar um problema só já
complicado, imagine dois ao mesmo tempo...
Fiquem bem! |