| Sono de manhã é pior
do que bebedeira, diz pesquisa
da BBC, em Londres
A capacidade de raciocínio pode ser
melhor depois de uma noite em claro ou de uma bebedeira do que depois de uma
boa noite de sono, de acordo com um estudo da Universidade do Colorado, nos
Estados Unidos.
A equipe liderada pelo professor Kenneth Wright descobriu que a capacidade
mental dos pacientes é pior nos primeiros minutos depois de acordar.
Essa conclusão, publicada na revista especializada Journal of the
American Medical Association desta semana, tem implicações diretas para
pessoas que trabalham em turnos noturnos e aqueles que, como médicos, têm
que realizar tarefas importantes pouco depois de acordar.
"Descobrimos que a capacidade cognitiva é pior logo depois de acordar do que
depois de uma longa falta de sono. Por pouco tempo, pelo menos, os efeitos
de sonolência podem ser tão ruins ou até piores do que os do estado
alcoólico previsto por lei", disse Wright.
Os participantes do estudo passaram seis noites dormindo oito horas e ao
acordar participavam de um teste que pedia que se somassem números de duas
casas decimais gerados aleatoriamente.
Inércia
Os resultados deste teste indicaram que os maiores problemas de memória
imediata, habilidades matemáticas e cognitivas eram causados pela sonolência
nos três primeiros minutos depois de acordar.
Os efeitos mais graves da inércia do sono geralmente desaparecem em dez
minutos, segundo a pesquisa, embora os efeitos dela possam ser detectados
por até duas horas.
Nenhum dos nove voluntários tinha qualquer problema médico, psiquiátrico ou
de sono, e nenhum deles usou álcool, nicotina, drogas ou cafeína durante o
estudo.
Eles também passaram várias horas por dia exercitando-se nos testes de
matemática usados para avaliar os efeitos da sonolência.
O professor Wright afirmou que médicos, bombeiros, motoristas de ambulância
e funcionários de outros serviços de emergência podem estar correndo – e
colocando outras pessoas – risco quando têm que entrar em ação minutos
depois de acordar.
No entanto, o professor Neil Stanley, da Sociedade Britânica do Sono,
afirmou que para alguns médicos, o importante não é o número de horas de
sono, mas sim, quando eles podem dormir e acordar.
"Ninguém deveria fazer nada realmente importante de 15 a 30 minutos depois
de acordar", disse o médico.
Stanley disse ainda que a transição do estado de sono para o estado de
alerta é muito maior do que a que acontece entre estar acordado e manter-se
acordado. |