Em reunião com líderes dos partidos
nesta quarta-feira, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, fez
novos ataques ao excesso de medidas provisórias pelo Executivo.
Mostrando irritação com o trancamento da pauta, ele disparou que o
governo está provocando um 'virtual fechamento' do Congresso.
- Falta muito pouco para se igualar aos sombrios tempos do regime
militar, quando, em razão de decreto-lei, que era aprovado na maioria
das vezes por decurso de prazo, estimulava-se a ausência dos senhores
parlamentares. Trata-se de um virtual fechamento do Congresso Nacional
- declarou o presidente da Câmara.
Severino também endossou as críticas à política de juros do Banco
Central, dizendo que vai propor a instalação de uma comissão para
analisar a limitação da atuação do Comitê de Política Monetária (Copom).
Ele propõe que as decisões sobre os juros básicos da economia deixem
de ser tomadas apenas pelo Copom.- No âmbito
interno quero criar uma comissão para estudar o assunto e propor
soluções, inclusive se possível for, retirar do Copom a competência de
isoladamente conceder o aumento da taxa de juros. Do jeito que está
não dá para continuar -, disse.
Ainda atacando o governo, Severino disse que a equipe econômica impõe
'draconianamente impostos à sociedade brasileira'. A proposta,
submetida aos líderes, também prevê o comparecimento do presidente do
Banco Central, Henrique Meirelles, para explicar a política monetária
do BC.
- Do jeito que está não pode continuar - pontuou Severino.
Alencar concorda com proposta de Severino
O vice-presidente e ministro da Defesa, José
Alencar, afirmou ser favorável à proposta do presidente da Câmara de
tirar do Copom a exclusividade na decisão sobre a taxa básica de juros
(Selic). Severino pretende criar uma comissão para analisar o assunto.
Além disso, Severino propôs, através de um projeto de lei, que o
presidente do Banco Central fosse obrigado a ir ao Congresso para
explicar as decisões Copom, principalmente os aumentos da taxa básica
de juros.
Alencar defendeu uma maior representatividade no Comitê, com a
participação, por exemplo, de representantes do setor produtivo.
- Não podemos permitir que não seja posto como objetivo principal o
desenvolvimento e o enriquecimento nacional. As taxas de juros altas
são instrumentos que inibem o investimento e o consumo - disse.
O líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP),
questionou a eficácia da iniciativa.
- Minha dúvida diz respeito à própria Constituição, porque se é para
trazer o presidente do Banco Central e depois o Congresso não vir a
ter nenhum poder para corrigir, qual seria exatamente a função da
vinda do presidente do Banco Central - afirmou Chinaglia.
Ele disse ainda que uma possível reformulação do Copom é muito
complexa para ser feita através de um projeto de lei.
Época Online, com informações de O
Globo e Agência Brasil
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