da Folha Online
Rebeldes iraquianos detonaram nesta manhã em Bagdá [capital iraquiana] três
carros-bomba perto de um comboio de militares dos Estados Unidos, causando a
morte de 42 pessoas --35 crianças e sete adultos. Outras 139 se feriram, segundo
o Ministério da Saúde do Iraque.
Este é o maior registro de crianças mortas em um único ataque rebelde desde que
o conflito no país teve início, há 17 meses.
Muitas
das crianças [que atualmente desfrutam o final de seu período de férias
escolares] disseram ter sido atraídas para o local da explosão porque soldados
americanos estavam oferecendo doces.
"Os americanos nos chamaram e perguntaram se queríamos doces. Nós fomos para
perto deles, então o carro explodiu", disse Abdel Rahman Dawoud, 12, deitado
sobre uma cama de um hospital, sem roupas, à espera de curativo para seus
ferimentos, causados por estilhaços.
Dez soldados americanos também ficaram feridos no ataque, dois deles em estado
grave, segundo informações do Exército dos EUA.
Outros ataques
Em outro ataque, um suicida explodiu o veículo em que estava perto de um posto
de checagem do Exército dos EUA, a sudoeste de Bagdá, matando dois policiais
iraquianos e um soldado americano. Cerca de 60 pessoas ficaram feridas no
ataque.
Segundo o comando dos EUA, o ataque tinha como alvo a prisão de Abu Ghraib --que
foi palco de escândalo no final de abril, quando a divulgação de centenas de
fotos tiradas dentro do local mostravam militares intimidando, humilhando
sexualmente, espancando e maltratando prisioneiros.
Após a explosão, uma grande coluna de fumaça podia ser vista perto do prédio da
prisão.
Em ação separada, na cidade de Tal Afar, perto da fronteira com a Síria, um
carro bomba matou mais quatro pessoas.
Ataque aéreo
Nesta madrugada, o Exército americano atacou a cidade de Fallujah, a 50
km de Bagdá. Segundo agências internacionais, ao menos três pessoas morreram,
mas o total de vítimas ainda é indefinido. Entre as vítimas, segundo
testemunhas, estariam duas mulheres e uma criança. Outras oito pessoas teriam
ficado feridas.
O alvo do ataque aéreo dos EUA era uma casa na região nordeste de Fallujah,
suspeita de abrigar um grupo seguidor do terrorista jornadiano Abu Musab al
Zarqawi [acusado de manter laços com a rede terrorista Al Qaeda, de Osama bin
Laden]. Duas casas teriam sido destruídas e outras quatro sofreram danos graves.
Os ataques aéreos contra Fallujah são quase diários e, segundo o Exército
americano, têm o objetivo de atingir os esconderijos do grupo de Al Zarqawi, o
inimigo número um dos Estados Unidos no Iraque.
Seqüestro
Um grupo terrorista iraquiano anunciou, nesta quinta-feira, pela rede de TV do
Qatar, Al Jazira, o seqüestro de dez pessoas que trabalham em uma fabricante de
eletrônicos, incluindo duas indonésias. A TV mostrou um vídeo que seria do grupo
que se auto-intitula Exército Islâmico no Iraque, a liderança do Ocidente,
mostrando três homens capturados.
Segundo os terroristas, há também seis iraquianos e dois libaneses, mas o grupo,
por enquanto, não fez nenhuma exigência.
Segundo a Reuters, não foi possível saber se o grupo é uma divisão do Exército
Islâmico no Iraque, que também seqüestrou dois jornalistas franceses.
Com agências internacionais