Rio: moradores acusam PM de agressão em favelas

As operações da Polícia Militar no complexo de favelas da Penha, iniciadas no último dia 15, deixaram 16 mortos, segundo líderes comunitários, que reclamam dos tiroteios freqüentes e acusam os policiais de truculência.

 

"Eu estava perto da minha porta, eles foram e me deram porrada. Eu falei que morava ali, eles pensaram que eu era bandido, me deram madeirada na minha cabeça e um socão", contou um jovem de 17 anos que disse ter levado uma paulada.

Outro jovem, de 15 anos, acusou os policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope): "Nós estávamos sentados em casa e eles entraram e ficaram ameaçando a minha mãe, falando que ela era vagabunda, que não trabalhava. Botaram a faca nela e ficaram ameaçando. Nós ficamos com medo."

A professora Angela Elvira, da favela Merindiba, disse que teve a casa arrombada e revirada por policiais militares: "Por que isso? Eu não tenho vínculo algum com pessoas ilícitas. Não dou guarida a ninguém. Não existe mandado aqui. Só lá no asfalto. Aqui enfia o pé na porta e arrebenta."

Por meio de sua assessoria de comunicação, a Polícia Militar informou que só se pronunciará oficialmente sobre as acusações dos moradores se houver queixa formal na delegacia da região.

Para o líder comunitário da favela Parque Operário, Edmundo Santos, "os moradores não têm nada a ver com a guerra entre policiais e traficantes, só queremos ter paz".

Ele reclamou da falta de investimentos no conjunto de favelas da Penha, que fica ao lado do Complexo de Alemão, beneficiado com investimentos de R$ 495 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Lá é PAC e aqui é bala", concluiu.