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As empresas brasileiras estão
fazendo de tudo para atender à crescente demanda dos consumidores.
Contratação de novos turnos de trabalho, pequenas melhorias no processo
produtivo e adiamento de paradas para manutenção são algumas das
estratégias adotadas para ampliar a capacidade produtiva, numa dinâmica
que, muitas vezes, passa ao largo das estatísticas econômicas. Enquanto
analistas de mercado mostram preocupação com o elevado nível de
utilização da capacidade instalada da indústria, e o próprio Banco
Central (BC) menciona o risco de gargalos na produção como um dos
motivos para subir os juros, economistas mais ligados ao chão de fábrica
e os próprios empresários garantem que a indústria brasileira é, hoje,
muito mais flexível.
André Carvalho, economista-chefe do Centro das Indústrias do Estado de
São Paulo (Ciesp, entidade ligada à Fiesp), lembra que mudanças
tecnológicas proporcionaram um elevado grau de maleabilidade às
indústrias. Hoje, é possível mudar a programação de maquinaria já
existente ou fazer pequenos investimentos para solucionar gargalos no
processo produtivo, ampliando a capacidade de forma muito mais rápida e
barata do que a tradicional instalação de novas fábricas.
— O nível de utilização da
capacidade instalada costuma ser interpretado como muito mais rígido do
que é na realidade. A indústria pode, por exemplo, terceirizar processos
de produção ou ocupar a capacidade ociosa de uma empresa parceira,
resolvendo rapidamente o problema — explica Carvalho.
Na semana passada, o BC citou a pouca ociosidade da indústria como “foco
importante de preocupação”, ao explicar a elevação dos juros básicos da
economia pelo terceiro mês seguido — a Taxa Selic subiu para 17,25% ao
ano. O BC destacou que o nível de utilização da capacidade instalada
está em 86,1%, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no
maior nível desde 1990.
Do jornal O Globo
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