Por que tantas pessoas que vencem a loteria acabam perdendo tudo?

 
04/08/2006 - 18h00
InfoMoney

SÃO PAULO - Não são poucas as pessoas que atribuem suas dificuldades financeiras ao fato de que não ganham o suficiente. Em busca desta "riqueza salvadora" muitos apostam regularmente na loteria, mesmo sabendo que as chances de se ganhar o prêmio máximo são baixas.

O mais interessante é que estudos apontam que este enriquecimento súbito, na maioria das vezes, leva a pessoa ao descontrole financeiro. Tanto que não são poucos os casos de pessoas que, tendo vencido na loteria, acabam perdendo tudo após alguns anos.

Como explicar isso? Simples, a falta de educação financeira leva estas pessoas a acreditarem que basta acumular um patrimônio para se viver bem o resto da vida. Mas, isso não é verdade: além de acumular é preciso saber administrar este patrimônio. E esta é uma tarefa para qual a maioria das pessoas ainda não está preparada.

Será que você ficou milionário?
Em primeiro lugar é preciso entender exatamente o quanto você ganhou. E o que esse patrimônio pode lhe trazer em termos de padrão de vida. Uma coisa é certa: tecnicamente você pode se transformar em um milionário ao ganhar um prêmio de R$ 1 milhão, mas na prática o padrão de vida que este prêmio lhe permite está longe de ser aquele de um milionário.

A maioria das pessoas se esquece que o seu padrão de vida é determinado pela sua renda, e o que se constata é que o premio de R$ 1 milhão, aplicado a uma taxa de 6% ao ano acima da inflação, lhe garante uma renda mensal de R$ 6 mil por 25 anos, valor que está longe de garantir um padrão de vida milionário!

É bem verdade que a quantia recebida lhe permite realizar alguns sonhos de consumo que não poderia anteriormente, mas se não puder arcar com a manutenção destes bens, muito provavelmente se encontrará diante de uma situação que terá de vendê-los depois.

Crentes de que o dinheiro resolverá todos os seus problemas, estas pessoas se esquecem que dinheiro não é elástico! Portanto, quanto maior o número de sonhos que realizar, menor será a sua renda com investimentos.

Prêmio não vem com kit educacional
Um dos obstáculos que o vencedor da loteria tem que enfrentar é o fato que o prêmio acaba tendo um impacto emocional significativo na forma como ele se relaciona com as pessoas.

Muitos vencedores passam a acreditar que sabem mais do que efetivamente sabem, pelo simples fato de que ganharam uma grande quantia de dinheiro. Infelizmente os prêmios de loteria não são acompanhados de um kit com os princípios básicos do planejamento financeiro.

Assim, o que se vê são pessoas muitas vezes inteligentes, mas sem educação financeira, cometendo erros básicos que lhe custam não só o prêmio, mas acabam prejudicando o seu relacionamento com amigos e familiares.

Zona livre de decisão
O relacionamento com a família e os amigos merece atenção nestas horas. A maior parte das pessoas que perdeu tudo aquilo que ganhou alega que isso aconteceu porque tomou decisões precipitadas na tentativa de atender aos pedidos de amigos e familiares. Para evitar este tipo de situação, reflita bastante sobre o que pretende fazer com o dinheiro antes de ouvir qualquer pedido. Esta não é a hora para tomar decisões apressadas, e certamente quem for realmente seu amigo vai entender.

Mesmo que você saiba de antemão que o primeiro sonho que pretende realizar é comprar uma casa, pense com cuidado nas implicações desta decisão. Que tipo de casa você precisa? Quanto uma casa deste tipo vai custar? Quanto lhe restará para investir e garantir uma renda? Você conseguirá manter esta casa com seu novo padrão de renda? Não seria melhor comprar um imóvel menor, e fazer um pé de meia para a educação dos seus filhos?

Em cidades como São Paulo, onde o m2, mesmo dos imóveis usados, supera os R$ 1mil, não é difícil ver que basta você comprar uma casa de 350 m2, o que está longe de ser uma mansão, para consumir quase 40% do prêmio! Poucas pessoas fazem estas contas, e é por isso que muitos vencedores acabam perdendo tudo. Aqui vale lembrar o ditado: quando o dinheiro entra fácil, ele sai fácil também! Cabe a você evitar que isso aconteça investindo na sua educação financeira.
 

Investimento tamanho família: educação financeira deve começar em casa

Por: Marcel Steiner
10/05/06 - 18h35
InfoMoney

SÃO PAULO - Viver constantemente com problemas financeiros pode significar falta de habilidades profissionais, ou em alguns casos mais sérios, até mesmo distúrbios psíquicos que levam ao consumismo compulsivo. No entanto, muitos especialistas em psicologia financeira já atribuem boa parte das características financeiras de uma pessoa a sua educação familiar.

Controlar os gastos e planejar:a vida financeira é assunto para se aprender com os pais em casa. Em geral, os filhos de casais com uma situação financeira saudável são mais responsáveis com o talão de cheques e buscar a orientação de especialistas na hora de aplicar suas economias.

Crianças devem começar a lidar com dinheiro logo cedo
Segundo a psicóloga Regina Previati, quanto antes as crianças tiverem contato com o dinheiro melhor será sua relação com ele no futuro. "Crianças que recebem mesada precisam enfrentar pequenos problemas orçamentários e isso é extremamente benéfico para essa aprendizagem". O simples fato dos filhos receberem uma quantia mensalmente acaba obrigando-os a controlar os gastos e pensar em economizar, especialmente se quiserem comprar alguma coisa para a qual não tenham o suficiente.

A mesada é o primeiro passo na educação financeira de crianças, que devem adequar seus gastos às suas receitas. Esse processo deve ser conduzido de uma forma natural para não causar traumas nas crianças. Nesse sentido, não basta entregar o dinheiro e ponto final. O ideal é prestar toda assistência e auxiliar as crianças nas contas, para que elas saibam quanto se pode gastar por dia, assim como a definição do que é caro e do que é barato.

Compartilhando a planilha de orçamento
Atualmente as famílias ocidentais gozam de maior liberdade, e não é difícil encontrar filhos opinando sobre o destino das férias de verão, ou mesmo sobre o modelo do novo automóvel dos pais. As decisões familiares estão cada vez mais democráticas, atingindo também a parte financeira. A recomendação é a de que os filhos participem ativamente na administração das contas da família.

Regina Previati acredita que essa atitude pode melhorar as relações entre os familiares, uma vez que os filhos terão acesso aos gastos da casa e pensarão duas vezes antes de reclamar da mesada. "Aquele tempo em que a mulher e os filhos não participavam dessa atividade está acabando. Um filho que sabe quanto seus pais ganham e quanto custa o aluguel de casa, a mensalidade do colégio, a compra do supermercado,vai entender com maior facilidade porque ele não ganhou o presente que ele queria no aniversário", explica a psicóloga.

Conhecendo o mercado
Um item bastante importante na educação financeira está relacionado com o mercado, já que é ele quem dita o comportamento dos investimentos. Essa parte é talvez uma das mais difíceis, até porque geralmente os próprios pais têm conhecimentos limitados sobre o assunto. Desse modo, a melhor dica é consultar a opinião de consultores financeiros, e ler periodicamente jornais e sites especializados, recortando notícias que possam interessar aos filhos. É preciso evitar a procura por gerentes dos bancos, pois, ao contrário do que a maioria pensa, eles defendem exclusivamente os interesses das instituições financeiras.

É muito importante que toda a família conheça onde está aplicado o dinheiro que vem sendo economizado por ela. Situações em que os filhos que não fazem idéia de quanto seus pais possuem são muito preocupantes, já que eles podem ser facilmente enganados por advogados ou agentes financeiros. E não estamos falando apenas sobre investimentos financeiros. Não podemos deixar de lado os imóveis e outros ativos tangíveis, como máquinas, equipamentos ou bens que tenham um grande valor de mercado.
 

Na hora de investir, quanto antes melhor!

Por: Fernanda de Lima
12/04/06 - 18h08
InfoMoney

SÃO PAULO - Quando o assunto é investimento, existem várias estratégias que podem ser adotadas. Cada uma busca atender a um objetivo específico de investimento. Mas, se existe uma regra que se adapta a qualquer estratégia, é a de que quanto antes você começar a investir, melhor.

Ainda que nunca seja tarde para começar a investir, é inegável que, quanto antes você iniciar, mais poderá usar o tempo a seu favor. Mesmo que já tenha passado dos 50 anos e que só agora tenha percebido que não acumulou nenhuma reserva de emergência  isso não significa que deva simplesmente abandonar este objetivo, pois a segunda regra de ouro no que refere a investimento é que antes tarde do que nunca!

Muitas pessoas acreditam, contudo, que é preciso acumular uma certa quantia para começar a investir, ou que é preciso ter um certo conhecimento, caso contrário, fica-se à mercê dos bancos. Isso não é verdade.

Dinheiro parado é corroído pela inflação
Mesmo quem conta com uma pequena quantia para investir, e pouco conhece do mercado, pode optar pela aplicação em poupança e certamente estará melhor do que se não tivesse investido. Aqui é importante lembrar que dinheiro parado não está protegido, pois é diariamente corroído pela inflação.

Mesmo em aplicações de baixo retorno como a poupança, investir é muito melhor do que deixar o dinheiro parado na conta corrente, ou gastar em consumo, visto que em ambos os casos o patrimônio do investidor provavelmente teria diminuído. Para quem argumenta que o bem consumido poderia sofrer valorização, resta lembrar que, em geral, isso não ocorre e na maioria das vezes as pessoas sequer conseguem vender esse tipo de bem pelo preço que pagaram.

Corrigindo a tempo
O tempo funciona a favor de quem investe, em primeiro lugar porque permite a correção de erros na sua estratégia.  Já imaginou começar a investir aos 40 anos, e logo de cara perder boa parte do capital? Neste caso, o tempo que você tem para recuperar o dinheiro perdido é bem menor do que se tivesse começado a investir alguns anos antes.

Além disso, quanto antes você começar a investir mais rápido aprende; conseqüentemente, as perdas decorrentes dos seus erros tendem a ser menores. Em outras palavras: é bastante provável que, ao começar a investir, você logo conte com um volume menor de recursos; portanto, suas perdas tendem a ser menores. E, como em geral aprendemos com nossos erros, quanto antes você se arriscar melhor.

De grão em grão...
Esta é, sem dúvida, a maior vantagem de se investir o quanto antes. Para ilustrar melhor a situação, vamos assumir duas pessoas distintas. As duas optaram pelo mesmo tipo de aplicação em renda fixa, que rende em termos líquidos, por exemplo, 0,64% ao mês.

A primeira pessoa começou a investir aos 20 anos, e efetuou aportes mensais de R$ 500 por 10 anos, depois do que apenas manteve o dinheiro aplicado por outros 35 anos, quando então se aposentou aos 65 anos. Ao final do período, esta pessoa acumulou R$ 1,318 milhão.

Porém, veja o que aconteceria se esta mesma pessoa começasse a poupar, aos 45 anos, o equivalente a R$ 500 por mês, até completar 65 anos. Mesmo tendo feito aportes por 20 anos, ao invés de 10 anos como no caso anterior, ela acumularia uma quantia bem menor, de pouco menos do que R$ 285 mil.

A diferença se deve ao que chamamos de poder multiplicativo dos juros. Mesmo tendo feito aportes menores, de R$ 60 mil, o fato de ter mantido o dinheiro aplicado por 45 anos garantiu o acumulo de uma reserva mais do que quatro vezes maior do que se tivesse feito um porte maior, de R$ 120 mil, mas investisse por apenas 20 anos.

Quando o tempo é benéfico
É importante notar que investir implica em riscos, e que é praticamente impossível garantir que uma aplicação irá pagar um retorno fixo por um período de 65 anos. Porém, o que se pode afirmar com certeza é que, assumindo uma aplicação em renda fixa extremamente conservadora, e isenta de taxas e impostos, pode se isolar o efeito multiplicador dos juros.

Não há dúvidas de que, dependendo da estratégia adotada, você irá correr riscos, e pode até perder parte do patrimônio investido. Muito provavelmente optará ainda pela diversificação de investimentos, o que certamente implicará no pagamento de algumas taxas e impostos, visto que somente a poupança é completamente isenta.

Mesmo sob essas circunstâncias, em que não se pode prever o retorno de forma tão precisa como na ilustração acima, uma certeza é possível ter: quanto antes você começar a investir, maiores as chances de alcançar o seu objetivo financeiro. Pois, pelo menos em investimento, o tempo sempre está a seu favor.