Investimento
tamanho família: educação financeira deve começar em casa
Por: Marcel Steiner
10/05/06 - 18h35
InfoMoney
SÃO PAULO - Viver constantemente com problemas financeiros pode significar falta
de habilidades profissionais, ou em alguns casos mais sérios, até mesmo
distúrbios psíquicos que levam ao consumismo compulsivo. No entanto, muitos
especialistas em psicologia financeira já atribuem boa parte das características
financeiras de uma pessoa a sua educação familiar.
Controlar os gastos e planejar:a vida financeira é assunto para se aprender com
os pais em casa. Em geral, os filhos de casais com uma situação financeira
saudável são mais responsáveis com o talão de cheques e buscar a orientação de
especialistas na hora de aplicar suas economias.
Crianças devem começar a lidar com dinheiro logo cedo
Segundo a psicóloga Regina Previati, quanto antes as crianças tiverem contato
com o dinheiro melhor será sua relação com ele no futuro. "Crianças que recebem
mesada precisam enfrentar pequenos problemas orçamentários e isso é extremamente
benéfico para essa aprendizagem". O simples fato dos filhos receberem uma
quantia mensalmente acaba obrigando-os a controlar os gastos e pensar em
economizar, especialmente se quiserem comprar alguma coisa para a qual não
tenham o suficiente.
A mesada é o primeiro passo na educação financeira de crianças, que devem
adequar seus gastos às suas receitas. Esse processo deve ser conduzido de uma
forma natural para não causar traumas nas crianças. Nesse sentido, não basta
entregar o dinheiro e ponto final. O ideal é prestar toda assistência e auxiliar
as crianças nas contas, para que elas saibam quanto se pode gastar por dia,
assim como a definição do que é caro e do que é barato.
Compartilhando a planilha de orçamento
Atualmente as famílias ocidentais gozam de maior liberdade, e não é difícil
encontrar filhos opinando sobre o destino das férias de verão, ou mesmo sobre o
modelo do novo automóvel dos pais. As decisões familiares estão cada vez mais
democráticas, atingindo também a parte financeira. A recomendação é a de que os
filhos participem ativamente na administração das contas da família.
Regina Previati acredita que essa atitude pode melhorar as relações entre os
familiares, uma vez que os filhos terão acesso aos gastos da casa e pensarão
duas vezes antes de reclamar da mesada. "Aquele tempo em que a mulher e os
filhos não participavam dessa atividade está acabando. Um filho que sabe quanto
seus pais ganham e quanto custa o aluguel de casa, a mensalidade do colégio, a
compra do supermercado,vai entender com maior facilidade porque ele não ganhou o
presente que ele queria no aniversário", explica a psicóloga.
Conhecendo o mercado
Um item bastante importante na educação financeira está relacionado com o
mercado, já que é ele quem dita o comportamento dos investimentos. Essa parte é
talvez uma das mais difíceis, até porque geralmente os próprios pais têm
conhecimentos limitados sobre o assunto. Desse modo, a melhor dica é consultar a
opinião de consultores financeiros, e ler periodicamente jornais e sites
especializados, recortando notícias que possam interessar aos filhos. É preciso
evitar a procura por gerentes dos bancos, pois, ao contrário do que a maioria
pensa, eles defendem exclusivamente os interesses das instituições financeiras.
É muito importante que toda a família conheça onde está aplicado o dinheiro que
vem sendo economizado por ela. Situações em que os filhos que não fazem idéia de
quanto seus pais possuem são muito preocupantes, já que eles podem ser
facilmente enganados por advogados ou agentes financeiros. E não estamos falando
apenas sobre investimentos financeiros. Não podemos deixar de lado os imóveis e
outros ativos tangíveis, como máquinas, equipamentos ou bens que tenham um
grande valor de mercado.
Na hora de
investir, quanto antes melhor!
Por: Fernanda de Lima
12/04/06 - 18h08
InfoMoney
SÃO PAULO - Quando o assunto é investimento, existem várias estratégias que
podem ser adotadas. Cada uma busca atender a um objetivo específico de
investimento. Mas, se existe uma regra que se adapta a qualquer estratégia, é a
de que quanto antes você começar a investir, melhor.
Ainda que nunca seja tarde para começar a investir, é inegável que, quanto antes
você iniciar, mais poderá usar o tempo a seu favor. Mesmo que já tenha passado
dos 50 anos e que só agora tenha percebido que não acumulou nenhuma reserva de
emergência isso não significa que deva simplesmente abandonar este
objetivo, pois a segunda regra de ouro no que refere a investimento é que antes
tarde do que nunca!
Muitas pessoas acreditam, contudo, que é preciso acumular uma certa quantia para
começar a investir, ou que é preciso ter um certo conhecimento, caso contrário,
fica-se à mercê dos bancos. Isso não é verdade.
Dinheiro parado é corroído pela inflação
Mesmo quem conta com uma pequena quantia para investir, e pouco conhece do
mercado, pode optar pela aplicação em poupança e certamente estará melhor do que
se não tivesse investido. Aqui é importante lembrar que dinheiro parado não está
protegido, pois é diariamente corroído pela inflação.
Mesmo em aplicações de baixo retorno como a poupança, investir é muito melhor do
que deixar o dinheiro parado na conta corrente, ou gastar em consumo, visto que
em ambos os casos o patrimônio do investidor provavelmente teria diminuído. Para
quem argumenta que o bem consumido poderia sofrer valorização, resta lembrar
que, em geral, isso não ocorre e na maioria das vezes as pessoas sequer
conseguem vender esse tipo de bem pelo preço que pagaram.
Corrigindo a tempo
O tempo funciona a favor de quem investe, em primeiro lugar porque permite a
correção de erros na sua estratégia. Já imaginou começar a investir aos 40
anos, e logo de cara perder boa parte do capital? Neste caso, o tempo que você
tem para recuperar o dinheiro perdido é bem menor do que se tivesse começado a
investir alguns anos antes.
Além disso, quanto antes você começar a investir mais rápido aprende;
conseqüentemente, as perdas decorrentes dos seus erros tendem a ser menores. Em
outras palavras: é bastante provável que, ao começar a investir, você logo conte
com um volume menor de recursos; portanto, suas perdas tendem a ser menores. E,
como em geral aprendemos com nossos erros, quanto antes você se arriscar melhor.
De grão em grão...
Esta é, sem dúvida, a maior vantagem de se investir o quanto antes. Para
ilustrar melhor a situação, vamos assumir duas pessoas distintas. As duas
optaram pelo mesmo tipo de aplicação em renda fixa, que rende em termos
líquidos, por exemplo, 0,64% ao mês.
A primeira pessoa começou a investir aos 20 anos, e efetuou aportes mensais de
R$ 500 por 10 anos, depois do que apenas manteve o dinheiro aplicado por outros
35 anos, quando então se aposentou aos 65 anos. Ao final do período, esta pessoa
acumulou R$ 1,318 milhão.
Porém, veja o que aconteceria se esta mesma pessoa começasse a poupar, aos 45
anos, o equivalente a R$ 500 por mês, até completar 65 anos. Mesmo tendo feito
aportes por 20 anos, ao invés de 10 anos como no caso anterior, ela acumularia
uma quantia bem menor, de pouco menos do que R$ 285 mil.
A diferença se deve ao que chamamos de poder multiplicativo dos juros. Mesmo
tendo feito aportes menores, de R$ 60 mil, o fato de ter mantido o dinheiro
aplicado por 45 anos garantiu o acumulo de uma reserva mais do que quatro vezes
maior do que se tivesse feito um porte maior, de R$ 120 mil, mas investisse por
apenas 20 anos.
Quando o tempo é benéfico
É importante notar que investir implica em riscos, e que é praticamente
impossível garantir que uma aplicação irá pagar um retorno fixo por um período
de 65 anos. Porém, o que se pode afirmar com certeza é que, assumindo uma
aplicação em renda fixa extremamente conservadora, e isenta de taxas e impostos,
pode se isolar o efeito multiplicador dos juros.
Não há dúvidas de que, dependendo da estratégia adotada, você irá correr riscos,
e pode até perder parte do patrimônio investido. Muito provavelmente optará
ainda pela diversificação de investimentos, o que certamente implicará no
pagamento de algumas taxas e impostos, visto que somente a poupança é
completamente isenta.
Mesmo sob essas circunstâncias, em que não se pode prever o retorno de forma tão
precisa como na ilustração acima, uma certeza é possível ter: quanto antes você
começar a investir, maiores as chances de alcançar o seu objetivo financeiro.
Pois, pelo menos em investimento, o tempo sempre está a seu favor.