
da Folha Online
No pior ataque terrorista a Londres desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945),
quatro explosões atingiram nesta quarta-feira o sistema de transporte da cidade,
deixando ao menos 38 mortos e 700 feridos. A ação ocorreu um dia após Londres
ter sido eleita sede da Olimpíada de 2012.
O premiê Tony Blair, que participava do G8 [grupo dos sete países mais ricos do
mundo e a Rússia] na Escócia, classificou a ação como um ato "bárbaro e cruel".
Já em Londres,
Blair
fez um pronunciamento à nação e disse que os responsáveis pelo ataque agiram em
nome do islã.
"Eles estão tentando o massacre de inocentes para nos intimidar... Eles deveriam
saber que não terão sucesso", afirmou Blair.
Desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA, houve vários
alarmes de possíveis ataques contra o Reino Unido, sobretudo após a invasão do
Afeganistão, em 2001, e do início da Guerra do Iraque, em março de 2003. O
premiê britânico foi um dos principais aliados do presidente Bush nas duas
investidas militares.
Nesta quinta-feira, o sub-comissário da polícia londrina, Brian Paddick, disse
que as autoridades britânicas estavam chocadas com os ataques, mas não
surpresas. Apesar disso, ele afirmou não ter recebido nenhum aviso de
possibilidade de ataque contra o país.
As explosões atingiram um ônibus e três trens em um momento de grande movimento
das redes de transporte, entre 8h51 e 9h47 (entre 4h51 e 5h47, no horário de
Brasília), e foram
reivindicadas por um grupo supostamente ligado à rede terrorista Al Qaeda.
A Polícia Metropolitana confirmou a morte de 35 pessoas nas três explosões
contra os trens e duas no ataque que atingiu um ônibus de dois andares. Outra
pessoa morreu posteriormente em um hospital.
Al Qaeda
A polícia de Londres disse que, até o momento, as autoridades britânicas não
receberam nenhuma reivindicação dos ataques, mas um grupo auto-intitulado
Organização Secreta Al Qaeda na Europa
divulgou um
comunicado em uma página na internet reivindicando a autoria da ação,
segundo o site da revista alemã "Der Spiegel".
De acordo com informações de testemunhas, logo após as explosões era possível
ver pessoas correndo entre pedaços de corpos que foram lançados a grandes
distâncias.
Os feridos graves foram atingidos por queimaduras e amputações, de acordo com o
relato oficial da polícia metropolitana de Londres.
Toda a rede ferroviária [metrôs e trens] foi interrompida, e os ônibus estão
proibidos de circular no centro de Londres. Centenas de ambulâncias e equipes de
socorros foram para os locais das explosões para dar atendimento às pessoas.
Horário de pico
A primeira explosão ocorreu às 8h51 (4h51 de Brasília), a cem metros da estação
de metrô de Liverpool Street, que deixou sete mortos.
Cinco minutos depois [às 8h56 em Londres], houve outra explosão na linha do
metrô entre a estação King's Cross e a praça Russell, matando 21 pessoas.
Às 9h17 (5h17 de Brasília), uma explosão foi registrada no trem que tinha como
destino a estação de metrô de Edgware Road. O impacto abriu um buraco na parede
lateral, atingindo um outro trem, e possivelmente um terceiro. Ao menos cinco
pessoas morreram.
A última explosão foi ouvida às 9h47 (5h47 de Brasília), e atingiu um ônibus de
dois andares em Tavistock. Ainda não há informações claras sobre quantas pessoas
morreram no último atentado.
O grupo
terrorista IRA (Exército Republicano Irlandês, guerrilha católica) negou
qualquer vínculo com os atentados da manhã desta quinta-feira.
Repercussão
Logo após a notícia da explosão, vários
líderes
europeus fizeram declarações de apoio e solidariedade à população da
Inglaterra. A
Embaixada
de Israel em londres decretou alerta máximo.
O ministro israelense das Finanças, Binyamin Netanyahu, que iria apresentar
nesta quinta-feira uma palestra em uma conferência sobre investimentos
corporativos, estava a caminho de um hotel em Londres no momento em que houve as
explosões.
Tragédia no ônibus
Além dos trens, um ônibus de dois andares [típico da cidade de Londres] também
foi atingido por uma explosão, perto da praça Russell e do terminal de trem em
King's Cross. A explosão foi tão violenta que arrancou o teto do veículo.
Até o momento, a polícia britânica informou apenas duas mortes na explosão do
ônibus, mas testemunhas disseram ter visto corpos pendurados através das janelas
da parte inferior do veículo, além de partes de corpo espalhadas nas
proximidades do ataque.
Um médico na estação de Aldgate, a leste do centro financeiro da cidade, afirmou
que apenas naquele local 90 pessoas foram feridas.
Com agências internacionais