PF abre inquérito para investigar agentes da máfia

 

São Paulo - A Polícia Federal decidiu abrir inquérito para apurar a suposta participação de agentes na máfia dos caça-níqueis. Os nomes deles estariam na agenda do advogado Jamil Chokr, investigado sob suspeita de manter um esquema de corrupção que pagava propina a 84 dos 93 distritos policiais de São Paulo. Em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil, hoje, Chokr negou os pagamentos.

 

A decisão de instaurar o inquérito foi tomada pelo superintendente da PF em São Paulo, Geraldo José de Araújo. "Já requisitei cópia desse material e, se houver provas, esses policiais serão afastados e processados." Na contabilidade de Chokr aparece a sigla PFSP como destinatária de um pagamento de R$ 35 mil em abril.

 

No depoimento, Chokr, o pivô do escândalo, disse que é "apenas um advogado de porta de cadeia". Negou pagar propinas e afirmou que os bilhetes com pedidos em envelopes endereçados a DPs eram brincadeira do contador de seu cliente, a empresa de caça-níqueis Reel Token. Um dos bilhetes dizia: "parem de bater, que a gente sobe". A explicação para tantos nomes de chefes de investigadores em sua agenda foi que os contatos que ele mantinha com os policiais eram "profissionais". Chokr passou assim as duas horas e meia de seu terceiro depoimento à Corregedoria da Polícia Civil: negando tudo.