FABIANA FUTEMA
da Folha Online
A Petrobras anunciou hoje que reajustará os preços do diesel e da gasolina a
partir da zero hora de amanhã. Nas refinarias, o reajuste do diesel será de 4,8%
e o da gasolina, de 2,4%.
Na bomba, o reajuste será um pouco menor. O consumidor arcará, a partir de
amanhã, com um aumento estimado em 1,6% para a gasolina e em 3,8% para o diesel,
mantendo-se as mesmas margens de distribuição e revenda, preço do álcool e ICMS
(Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) praticados atualmente.
A Petrobras explicou o aumento com a alta do petróleo no mercado internacional.
O barril negociado em Nova York acumula um aumento de cerca de 60% neste ano,
sendo cotado hoje a quase US$ 54. O recorde histórico para o preço do petróleo
foi atingido durante o pregão da última terça-feira: US$ 54,45.
Com isso, o preço cobrado pela Petrobras ficou defasado em relação ao mercado
internacional. Apesar da estatal produzir cerca de 90% do petróleo consumido no
país, e depender marginalmente de importações, a empresa afirma ter a política
de acompanhar os valores cobrados no mercado externo.
Segundo analistas, entretanto, mesmo com o aumento de hoje o preço continuará
defasado. Por isso, não é possível descartar novos reajustes de combustíveis
ainda neste ano caso o petróleo mantenha-se nos atuais patamares.
Além disso, analistas também afirmam que a Petrobras manteve durante as últimas
semanas o preço defasado por um motivo político: as eleições municipais.
Terminado o primeiro turno, a estatal apenas anunciaria um aumento que já
estaria decidido há muito tempo.
A Petrobras, entretanto, sempre informou que a demora no aumento dos
combustíveis devia-se às fortes oscilações do preço no mercado internacional,
que dificultavam a estipulação de um novo preço, e não a fatores políticos.
Juros
Caso decida por fazer uma série de pequenos aumentos no preço, a Petrobras
poderá contribuir com as metas de inflação do Banco Central. Um forte aumento
agora poderia inviabilizar o cumprimento da meta deste ano, cujo teto é de 8%.
Antes do reajuste, a previsão do mercado era que o IPCA --principal índice de
inflação do país-- ficasse um pouco acima de 7% em 2004.
Com isso, ao decidir por aumentos graduais, a Petrobras pode evitar que o BC
seja obrigado a promover fortes aumentos de juros para cumprir a meta.