| passar fome é a pior estratégia quando
o objetivo é perder peso; especialistas dão dicas para acertar na dieta e
colocar o organismo para funcionar
Parou por quë?
por Marcia Di Domenico
Umas míseras folhas de alface e água. Para variar, sopa de legumes rala. Nos
primeiros dias, a barriga murcha, a calça afrouxa, o ponteiro da balança
cai. E depois, nada. Nem um ínfimo grama perdido, apesar da inanição. Os
especialistas são categóricos: parar de comer para perder peso é o principal
boicote que se pode fazer à dieta.
"Com a intenção de garantir uma reserva para sobreviver, é como se o corpo
raciocinasse: não vai comer? Então não vou gastar!", diz o nutrólogo
Alexandre Merheb, diretor do Espaço Merheb de Emagrecimento e Qualidade de
Vida, no Rio de Janeiro.
Na língua dos especialistas, isso é conhecido como efeito platô, a
desaceleração do metabolismo basal ou de repouso, responsável por 70% da
queima calórica, até um patamar em que estabiliza. "Ele se instala tanto
depois de dietas expressas, onde se perdem vários quilos em pouco tempo,
como após longos períodos seguindo uma dieta que tenha a mesma quantidade de
calorias", comenta a endocrinologista Alessandra Rascowski, da clínica
Filippo Pedrinola e Alessandra Rascowski. "Porém, a intensidade dessa freada
na perda de peso está mais ligada à agressão imposta ao organismo do que ao
tempo dedicado à dieta", acrescenta Alexandre Merheb.
Entenda seu corpo
"Quando um sujeito está acima do peso e decide emagrecer, é como se o
organismo como um todo se mobilizasse para que ele não consiga chegar lá",
comenta o endocrinologista Alfredo Halpern, explicando por que esse tema é
um verdadeiro drama para tanta gente. "Não basta força de vontade. A
capacidade de armazenar gordura, assim como a de queimá-la, é determinada
geneticamente, ou seja, não dá para mudar", completa. No caso do efeito
platô, a genética também ajuda a entender por que parece que dali o peso não
passa. "Cada indivíduo traz consigo um peso factível, aquele que ele atinge
e consegue manter sem sofrimento. Quando a pessoa já chegou a esse peso e
quer emagrecer mais, o organismo reclama", diz Alessandra Rascowski.
Entretanto, pequenas mudanças de costume no dia-a-dia podem ajudar e muito
nessa hora. Confira as dicas dos especialistas para enganar o organismo e
derreter os quilos que ainda sobram.
acelere...
1. Aposte em um café da manhã completo e equilibrado, que vai fazer com que
o corpo armazene menos gordura durante o dia. E não é nada complicado: pão
integral com queijo e presunto magros, café com leite e uma fruta já
fornecem os nutrientes de que o organismo precisa nessa hora
2. Faça cinco ou seis pequenas refeições ao longo do dia, em vez de duas ou
três grandes e, muitas vezes, desequilibradas. Como o processo de digestão
consome calorias, quanto mais vezes ele é repetido, maior o volume de
calorias queimadas. "Além disso, numa situação em que o corpo já está
trabalhando em déficit, como na dieta, fracionar as refeições vai
estressá-lo menos", explica Alessandra
3. "Cuidado com os carboidratos nas refeições intermediárias, pois eles
estimulam a produção de insulina, hormônio que faz o corpo produzir e
estocar mais gordura, assim como bloqueia sua capacidade de queimá-la",
alerta Alexandre Merheb. Nessa hora, ele sugere optar por uma fruta, iogurte
ou barra de cereal
4. Algumas pessoas são propensas a transformar calorias em gordura, outras,
em músculo. Portanto, antes de se desesperar e, principalmente se vem
malhando com freqüência, procure saber se o peso que parece sobrar vem de
massa gorda ou magra
5. Acrescente atividades físicas regulares na agenda, de preferência
combinando exercícios aeróbicos e localizados ou musculação. "Quanto maior o
índice de massa magra (músculos) e menor o de massa gorda (gordura), mais
eficiente é o gasto calórico", ensina Alfredo Halpern
6. Relaxe. Segundo Halpern em seu livro "Magro para Sempre!" (editora
Record), está comprovado que o cortisol, hormônio liberado pelo cérebro em
situações de estresse, eleva o nível de substâncias que levam à compulsão
pela comida e ativa a lipase, enzima que favorece a entrada de gordura nas
células adiposas
7. Insistir na dupla frango grelhado com salada por muito tempo também não
funciona, pois o organismo se acostuma com as calorias escassas e desacelera
a queima. Varie a alimentação e os nutrientes ingeridos, sem descuidar da
quantidade e da qualidade
8. Preste atenção à qualidade dos alimentos e não apenas à quantidade.
"Melhor do que cortar aqueles itens que engordam, mas dão prazer, é
consumi-los com moderação", garante Alessandra Rascowski
9. Alterne as dietas. "Um período de dez dias destinado ao emagrecimento
seguido por 20 dias de dieta mais branda e atividade física vai distrair o
organismo para que ele não entre em defesa", explica Merheb. "Essa fase mais
solta pode não emagrecer significativamente, mas vai evitar que se instale o
mecanismo de economia energética e reverter o que já tenha acontecido",
completa
10. Evite se pesar todos os dias. Isso não vai acelerar a perda de peso, é
claro, mas vai poupá-lo de um estresse desnecessário por se achar leve um
dia e mais pesado no outro. Hora do dia, ter ido ou não ao banheiro e
período pré-menstrual podem alterar o número na balança
11. Esqueça as dietas milagrosas e que prometem resultados a jato. "Um
programa razoável, com base em 1.200 calorias diárias, é capaz de fazer
perder, em média, 1 kg por semana ou até 4 kg em um mês", diz Alessandra. O
peso que se elimina depressa, ganha-se ainda mais rapidamente
12. Cuidado com os deslizes de fim de semana. Muita gente fecha a boca de
segunda a sexta pensando na taça de vinho e na sobremesa durante aquele
jantar no sábado. Resultado: calorias extrapoladas e a impressão de que a
dieta não está surtindo efeito. O quilo perdido durante os dias úteis será
facilmente recuperado com o excesso do fim de semana
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