da Folha Online
O papa João Paulo 2º sugeriu a possibilidade de renúncia em 2000 devido a seu
debilitado estado de saúde, segundo documento deixado por ele e divulgado nesta
quinta-feira pelo Vaticano.
"Eu espero que Deus me ajude a saber por quanto tempo eu devo continuar este
trabalho", escreveu o papa.
O "testamento espiritual" do sumo pontífice indica ainda que o papa demonstrou o
desejo de ser enterrado na Polônia, mas deixou a cargo do colégio dos cardeais a
decisão final. João Paulo 2º também pediu, a exemplo do papa Paulo 6º
(1963-1978), que todas as suas anotações pessoais sejam queimadas.
O texto de 15 páginas, que começou a ser escrito por João Paulo 2º em 1979, foi
lido pelos cardeais em polonês e italiano [versão traduzida].
João Paulo 2º não deixou nenhum bem material. No documento, menciona
nominalmente apenas duas pessoas que ainda estão vivas: seu secretário pessoal,
Stanislaw Dziwisz, e o ex-rabino chefe de Roma Elio Toaff, que o recebeu na
sinagoga em 1986.
Quando escreveu sobre a tentativa de assassinato em 1981, considerou que sua
sobrevivência foi "um milagre". Ele também sempre pedia a Deus que lhe desse a
"força necessária" para continuar sua missão até quando pudesse.
Leia a seguir trechos do documento de 15 páginas deixado pelo sumo pontífice:
- "Vigiai, pois não sabeis o dia em que o Senhor retornará". (Frase de abertura
do documento, tiradas do Evangelho Segundo São Mateus)
-"A queda do comunismo aconteceu por causa de seus próprios problemas".
- "Graças à Providência Divina, a Guerra Fria terminou sem um violento conflito
nuclear."
- "O Senhor prolongou a minha vida e, em um certo sentido, me deu uma nova."
(Escreveu em 1981, referindo-se á forma milagrosa que Deus o salvou da morte",
quando o turco Mehmet Ali Agca atirou contra ele na praça São Pedro)
Em 1982, o papa considerou a possibilidade de ter seu funeral realizado na
Polônia. Mas em 1985, designou ao colégio de cardeais a decisão final sobre seu
enterro.
Na última parte do documento, ele faz agradecimentos à Igreja Católica, a outras
religiões --em particular aos judeus--, artistas, cientistas e políticos que o
ajudaram durante seu pontificado.