Padre polonês suspeito de ajudar serviço secreto é suspenso

da France Presse, na Cidade do Vaticano
da Folha Online

O padre Konrad Stanislaw Hejmo, que trabalhava próximo ao Papa João Paulo 2º, foi suspenso neste sábado de "duas a três semanas" pela Ordem Dominicana, por ser suspeito de ter colaborado com o antigo serviço de segurança comunista da Polônia, anunciou um prelado.

"O padre Hejmo não é um espião, só alguém que falou muito, de maneira muito aberta e irresponsável, o que o fez dar informações aos serviços secretos comunistas", disse o padre Maciey Zieba, da ordem dos dominicanos poloneses.

"Por essa razão, decidimos suspendê-lo durante duas ou três semanas, durante as quais continuaremos estudando os documentos [do serviço secreto polonês, que citam Hejmo como informante]sobre os crimes do comunismo e do nazismo", afirmou Zieba.

No fim de abril, o Instituto da Memória Nacional, que investiga os crimes nazistas e comunistas na Polônia, acusou o padre Hejmo de ter colaborado secretamente, durante a década de 80, com os serviços de segurança da Polônia comunista. Hejmo dirigia o centro de recepção de peregrinos poloneses em Roma nessa época.

O padre é bastante popular na Polônia, e uma referência para a mídia local. Ele foi um dos principais comentadores sobre o estado de saúde do papa João Paulo 2º, nos meses anteriores à sua morte, ocorrida em 2 de abril.

Os primeiros dez anos de pontificado de João Paulo 2º tiveram como marca sua luta obstinada contra o comunismo na Polônia, regime que se iniciou no final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e teve seu fim marcado pelas eleições ocorridas em 1989.