PAC: ainda não há indício para investigar deputados, diz Chinaglia

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que, pelo menos por enquanto, a Casa não vai instaurar nenhum tipo de investigação para apurar o suposto envolvimento de deputados no esquema de desvio de verbas de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), desarticulado na última sexta-feira, pela Polícia Federal na Operação João de Barro.

Apesar de a PF ter cumprido mandados de busca nos gabinetes de dois deputados - João Magalhães (PMDB-MG) e Ademir Camilo (PDT-MG) - Chinaglia afirmou que o inquérito segue em segredo de Justiça. Segundo ele, a consultoria da Câmara poderá ser acionada para apurar as denúncias dependendo do que surgir de novo em relação ao caso. "Até agora não há elementos para acionar a Consultoria. Vamos aguardar para ver se surge algum elemento novo", disse.

Magalhães negou envolvimento em fraudes e Camilo afirmou ter se colocado à disposição da PF e da Justiça. O presidente da Câmara defendeu que a Casa discuta medidas que possam alterar o mecanismo das emendas parlamentares. Uma saída, segundo ele, seria contratar as empresas que vão realizar as obras por meio de "pregão". "Minha sugestão é que as concorrências sejam feitas por meio de leilões. O assunto vem sendo debatido, mas ainda não há uma proposta acabada", afirmou.

A Operação João de Barro foi a maior ofensiva da PF este ano contra a corrupção. Segundo a PF, suspeita-se que a quadrilha tenha movimentado cerca de R$ 2,7 bilhões nos últimos meses. Ao todo foram expedidos 38 mandados de prisão e 231 de busca em apreensão em sete Estados e no Distrito Federal.

A apuração dos policiais indica que a quadrilha desviava os recursos e empregava material de baixa qualidade, além de promover a distorção dos padrões previstos originalmente nas obras.

O supertintendente da Polícia Federal em Minas Gerais, David Salém, explicou como a agia a quadrilha. Segundo ele, as emendas eram liberadas para determinados municípios e, a partir daí, lobistas elaboravam o projeto para execução da obra. De acordo com as investigações, a fraude estava justamente na conclusão da obra que tinha sempre um valor mais baixo do que o acertado no projeto.