ANDREZA MATAIS
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Lideranças dos partidos que apóiam o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) se reúnem
na tarde desta segunda-feira para discutir medidas contra o que chamam de uso
eleitoral da Polícia Federal nas investigações sobre a compra do dossiê
antitucano.
A oposição também estuda solicitar ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
investigação sobre o que classifica de "compra" do apoio do governador reeleito
de Mato Grosso Blairo Maggi (PPS) à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT). Em troca do apoio, o governo prometeu liberar R$ 3 bilhões para a
renegociação de dívidas agrícolas --dos quais R$ 1 bilhão para o Mato Grosso.
O encontro está previsto para as 17h30, no gabinete do senador Tasso Jereissati
(PSDB), em Brasília. Além do tucano, participam da reunião os presidentes do
PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e do PPS, Roberto Freire (PE). O presidente
do PMDB, Michel Temer (SP), também foi convidado para o encontro, mas ainda não
confirmou presença. O advogado da coligação PSDB-PFL, José Eduardo Alckmin,
também deve participar do encontro.
"Acho que temos que fazer com que a operação tartaruga do ministro Márcio Thomaz
Bastos [Justiça] seja interrompida. Também temos que impedir que ele continue
agindo como advogado criminalista do presidente Lula", disse Bornhausen à
Folha Online. "Estão demorando de forma proposital para não se apontar os
culpados", continuou.
O senador disse que a oposição pretende ingressar "em todos os locais possíveis"
--o que inclui a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a Justiça e o Congresso
Nacional-- para fiscalizar as investigações da PF no caso dossiê.
Segundo reportagem publicada pela revista "Veja", Thomaz Bastos teria atuado
para retardar o ritmo das investigações e blindar o presidente Lula no episódio.
A reportagem denuncia uma "operação abafa" em torno do ex-assessor do presidente
Freud Godoy, que seria a ligação entre Lula e o dossiê. Freud foi acusado
inicialmente por Gedimar Passos, preso com os recursos que seriam usados para a
compra do dossiê, de ser o mandante da operação. Depois de uma suposta
orientação do ministro, segundo a revista, Gedimar voltou atrás na acusação.
"A coisa é tão grave que não sabemos nem o que fazer. Temos um governo que não
respeita nada, não tem limite. Primeiro foi um atentado contra o caseiro
Francenildo [Costa], agora atentam contra uma instituição do Estado republicano
que é a Polícia Federal. Retirar um preso sob custódia da PF para que os
quadrilheiros discutam sua versão é inadmissível", disse Freire.
O deputado afirmou também que a nova denúncia "não deixa dúvidas" de que esse
episódio "tem um caráter de maior gravidade" porque chega muito próximo ao
presidente da República.
Governador
Na reunião, a oposição também quer discutir ações para ingressar no TSE contra a
promessa de ajuda feita por Lula ao governador Blairo Maggi. "Vamos questionar a
forma como foi feita. A liberação não corresponde à execução orçamentária
normal. É um caso típico de compra de votos de um governador", condenou Freire.
O deputado disse não acreditar que os recursos vão influenciar a votação de Lula
no Estado. "Pode até aumentar os votos no Alckmin. Como um homem que se vende
tem condições de pedir votos?", questionou. Freire disse que vai aguardar até
sexta-feira a carta de Maggi na qual deve pedir desligamento do partido para
definir a sua expulsão do PPS.
Para Bornhausen, a liberação de recursos para o Mato Grosso trata-se de "um mega
mensalão, um escândalo".