OEA não conseguirá volta de Zelaya, diz governo interino

Gustavo Palencia
Em Tegucigalpa (Honduras)
O governo interino de Honduras disse na quinta-feira que a missão da OEA que vem ao país não conseguirá promover a volta de Manuel Zelaya ao país, e poderá apenas fazer "sugestões" para encerrar a crise.

A missão, aprovada na quarta-feira pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e que deverá desembarcar em Tegucigalpa na próxima semana, foi solicitada pelo próprio presidente interino Roberto Micheletti, que assumiu o cargo depois da deposição do presidente eleito Zelaya, em 28 de junho.

Saiba mais

Militares ocuparam nesta quinta (6) os hospitais públicos de Honduras, depois que os trabalhadores declararam greve para pressionar pela volta do presidente Zelaya ao poder

Mas desde já o governo provisório reiterou sua recusa em negociar a restituição de Zelaya, ponto crucial exigido pelo mediador do conflito, o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, com apoio dos EUA e de vários governos regionais.

A missão "não tem poder executivo nem de determinação, o que eles fizerem é a título de sugestão. Um relatório dessa comissão pode conter recomendações, sugestões, mas de nenhuma maneira ordens para o governo de Honduras", disse à Reuters o ministro da Presidência (Casa Civil) do governo interino, Rafael Pineda.

A OEA, que suspendeu Honduras dias depois do golpe de Estado, prevê anunciar na sexta-feira a composição da delegação. Embora ambas as partes se digam dispostas a dialogar, até o momento não há perspectiva de retomada da mediação, e Zelaya pede que Washington amplie sua pressão contra o governo interino.

Depois da divulgação de uma carta do Departamento de Estado dos EUA que parecia ter suavizado a postura de Washington contra o golpe, um porta-voz do Departamento disse que o governo norte-americano continua apostando no plano de Arias para aproximar as partes.

"Não estamos suavizando nossa posição a respeito de Honduras. Estamos nos empenhando para que ambas as partes levem a sério os acordos de San José (a proposta de Arias). Pensamos que esse é o melhor caminho para resolver a crise política", afirmou o porta-voz Robert Wood.

Os EUA suspenderam um pacote de ajuda militar a Honduras e anularam vistos concedidos a membros do governo interino, mas evitaram declarar formalmente que se tratou de um golpe de Estado, o que obrigaria Washington a tomar medidas mais duras ? desagradando políticos conservadores norte-americanos, irritados com o apoio ao esquerdista Zelaya.

"Não se tomou uma decisão para fazer algo agora além de apoiar os acordos de San José e o processo de mediação", enfatizou o Departamento de Estado, referindo-se à eventual aplicação de outras medidas.