Por Larry Fine
NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Faltam cerca de 200 milhões de
mulheres no mundo, "desaparecidas" devido àquilo que um estudo
de três anos sobre a violência contra elas chamou de "generocídio".
O número dessas mulheres que o estudo chama de
"desaparecidas" se baseia na taxa de nascimentos de homens e
mulheres, teoricamente semelhante, e na existência de menos
mulheres do que o esperado na população mundial, segundo
Theodor Winkler, diretor do centro de pesquisas responsável
pelo projeto.
Winkler disse na quinta-feira em entrevista coletiva na
Organização das Nações Unidas (ONU) que os abortos e
infanticídios são as maiores causas dessa diferença de
mulheres na população mundial. Outro fator é a violência
doméstica, o que inclui os chamados crimes de honra em algumas
culturas.
"Somos confrontados com o assassinato de Eva, um
generocídio sistemático de trágicas proporções", escreveu
Winkler no prefácio do estudo, recentemente publicado em livro
sob o título "Women in an Insecure World" (Mulheres em um
Mundo Inseguro).
"Há dezenas de formas pelas quais as mulheres têm um fim
terrível", disse Winkler a jornalistas na ONU. "Obviamente, os
direitos humanos e a proteção legal das mulheres são de
crucial importância, mas não o único componente. Também há uma
mudança cultural que deve operar."
Winkler disse que a violência contra as mulheres é a quarta
maior causa de mortes prematuras no planeta, atrás apenas de
doenças, fomes e guerras.
"Começa no ventre. Há sociedades onde os nascimentos de
homens são preferidos, particularmente se o número de
nascimentos for limitado. É aí que começam as razões para o
aborto em função do gênero", disse ele.
O livro usa dados e fotos da ONU, da Organização Mundial da
Saúde (OMS) e de governos para examinar o drama das mulheres.
Ele detalha estatísticas sobre estupros, violências ligadas
a casamentos forçados, prostituição e escravidão sexual. O
livro diz que, segundo um estudo baseado em 50 pesquisas de
todo o mundo, "pelo menos uma em cada três mulheres foi
agredida, forçada ao sexo ou abusada de outra forma durante
sua vida".
Pelo menos 700 mil mulheres são vendidas anualmente para a
prostituição, segundo o livro.
"O fenômeno profundamente arraigado da violência contra as
mulheres é um dos grandes crimes da humanidade. Não podemos
fechar nossos olhos a isso e esperar que simplesmente vá
embora", disse Winkler.
O livro foi produzido por uma comissão formada pelo Centro
de Genebra para o Controle Democrático das Forças Armadas e
deve ser distribuído a governos, acadêmicos e profissionais de
saúde.