Mulher de Arafat chega à Cisjordânia; líder pode ir para a França

da Folha Online

Suha Tawil, a mulher do líder palestino Iasser Arafat, 75, chegou hoje à Cisjordânia para visitar seu marido, acometido por uma piora repentina de seu estado de saúde. Especula-se a transferência de Arafat para tratamento no exterior. França estaria entre os países dispostos a receber o líder palestino.

A mulher de Arafat, que vive na França, era esperada com ansiedade em Ramallah [Cisjordânia], local que não visita desde o início da Intifada [revolta palestina iniciada em setembro de 2000]. Ainda não há informações se a filha do casal, Zahwa, 9, acompanha a mãe.

O estado de saúde Arafat se deteriorou nas últimas 24 horas. Na noite de ontem, Hassan Abu Libdeh, chefe do gabinete do premiê palestino, Ahmed Korei, declarou que o estado de Arafat "era crítico".

Oficialmente, o líder palestino sofre há dias por causa de uma forte gripe. Apesar de relatos de que o líder palestino vomitara ontem, autoridades palestinas negaram a informação. Uma endoscopia feita na segunda-feira (25) revelou que o estado de saúde do líder palestino é debilitado, mas estável.

Autoridades palestinas também negaram que Arafat tenha ficado cerca de dez minutos inconsciente após um desmaio, como disseram ontem o jornal israelense "Haaretz" e a rádio pública de Israel.

Arafat desmaiou ontem durante jantar do qual participavam o premiê Ahmed Korei e o seu antecessor, Mahmoud Abbas [também conhecido como Abu Mazen]. Arafat vomitou e em seguido desmaiou.

Transferência

O grupo médico que acompanha a saúde de Arafat na Mukata [o complexo da Autoridade Nacional Palestina, ANP, na cidade de Ramallah] aconselhou sua transferência imediata para um hospital, mas líderes da ANP disseram que o líder palestino só será removido para um hospital local ou para outro país se Israel der sua palavra que Arafat poderá voltar à Cisjordânia.

O jornal israelense "Haaretz", sem citar fontes oficiais, disse que Israel "garantiu" a permissão de retorno a Arafat caso ele tenha de se tratar em outro país.

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, em conversa por telefone com o primeiro-ministro palestino, Ahmed Korei, nesta manhã, disse que permitiria a saída de Arafat da Mukata para um hospital, mas não deu garantias sobre o retorno do líder palestino se ele fosse para outro país.

Além de Egito e Jordânia, que já disseram que receberiam Arafat para tratamento médico, o líder palestino poderia ir também para Paris [França], segundo informações de um membro do governo palestino que pediu anonimato. A decisão sobre o destino de Arafat, no entanto, ainda não foi tomada, segundo a fonte.

De acordo com Saeb Erekat, principal negociador palestino, "a decisão sobre a transferência e o local para onde Arafat seria levado será anunciada ainda hoje".

Consciente

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, disse nesta quinta-feira que Arafat está consciente e "não está em coma". A declaração foi feita após Mubarak ter conversado com o líder palestino por telefone.

Mubarak confirmou que o Egito enviou hoje uma equipe médica a Ramallah, e disse não ter "nenhuma garantia israelense" de que o líder palestino será autorizado a retornar a seu quartel-general se deixar a cidade para receber atendimento médico em território egípcio.

Nesta manhã, Arafat pediu ao povo palestino e "ao mundo inteiro" que não se preocupassem por sua saúde ao mesmo tempo em que líderes de seu governo reúnem-se para discutir seu estado.

"O presidente [da ANP] quer dizer ao povo palestino e ao mundo inteiro que está bem e que não há necessidade para preocupação", declarou nesta quinta-feira Munib al Masri, em Ramallah [Cisjordânia], após ter passado alguns minutos com Arafat em seu quartel-general [a Mukata].

"Sua condição [de Arafat] é estável e ele fez orações enquanto estivemos juntos", disse.

Com agências internacionais
 

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