O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça os 11 militares do
Exército por três crimes de homicídio triplamente qualificado, cometidos
contra Wellington Gonzaga Ferreira, David Wilson da Silva e Marcos Paulo
Campos em 14 de junho. As três vítimas eram moradores do Morro da
Providência e foram entregues pelos militares a traficantes do Morro da
Mineira, onde foram torturados e assassinados com 46 tiros.
A denúncia, feita pelos procuradores da República Patrícia Núñez Weber,
Neide Cardoso de Oliveira, José Augusto Vagos e Fábio Seghese, foi
protocolada na 7ª Vara Federal Criminal. Uma vez recebida, os
interrogatórios dos acusados serão marcados para os próximos dias, já que
todos estão presos preventivamente. No fim do processo, se os réus não forem
absolvidos pela Justiça, serão julgados pelo tribunal federal do júri
popular.
O MPF imputou a cada militar os crimes de homicídio triplamente
qualificados, artigo 121, parágrafo segundo, incisos I, III e IV do Código
Penal, pois foram cometidos cruelmente, sem possibilidade de defesa pelas
vítimas e por motivo torpe. A pena para cada réu varia de 12 a 30 anos.
A denúncia partiu de investigações da Polícia Civil, em inquérito remetido
na semana passada pela Justiça Estadual à Justiça Federal. Além de
ratificarem o pedido de prisão preventiva dos 11 denunciados, os
procuradores pediram à 7ª Vara que requisitasse ao Ministério Público
Militar uma cópia do Inquérito Militar, que também apura os crimes militares
cometidos.
Os militares vigiavam o Morro da Providência durante as reformas de casas no
projeto federal Cimento Social. Comandados pelo tenente Vinícius Ghidetti de
Moraes Andrade, os réus levaram as três vítimas num caminhão do Exército ao
Morro da Mineira, controlado por uma quadrilha de traficantes rival aos que
atuam no Morro da Providência. Segundo a denúncia, todos os réus sabiam que
os jovens seriam mortos.
O MPF pediu ao juiz Marcelo Granado, da 7ª Vara, a quebra dos sigilos
telefônicos dos denunciados, para apurar se houve contato prévio entre os
militares e os traficantes do Morro da Mineira. Isso porque os 11 militares
entraram em zona hostil de forma amistosa, tendo conversado tranqüilamente
com um integrante da facção antes de entregarem as vítimas.
Segundo a procuradora Patrícia Núñez, os procuradores demonstraram na
denúncia a variada participação de cada um dos denunciados na barbárie
cometida. O objetivo, ainda segundo Patrícia, é que através do processo
penal consiga-se a responsabilização dos denunciados, na exata medida de
suas culpas, a fim de que a flagrante ofensa cometida aos direitos humanos
não fique impune.
Os denunciados pelo MPF são: Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade, Leandro
Maia Bueno, José Ricardo Rodrigues de Araújo, Renato de Oliveira Alves,
Samuel de Souza de Oliveira, Eduardo Pereira de Oliveira, Bruno Eduardo de
Fátima, Sidney de Oliveira Barros, Fabiano Eloi dos Santos, Julio Almeida Ré
e Rafael Cunha da Costa Sá.