O Novo Papa
Quarta, 20 de abril de 2005, 03h47 
Ratzinger celebra primeira missa como Bento XVI
 
Reuters

Papa Bento XVI disse que vai continuar trabalho de João Paulo II

Em sua primeira homilia como papa, Bento XVI se comprometeu oficialmente a uma abertura no diálogo com outros cristãos e também com outras religiões, garantindo a continuidade da obra de seu antecessor, João Paulo II.

"O sucessor de Pedro assume como compromisso primário trabalhar sem economizar energias na reconstituição plena e visível da unidade dos seguidores de Cristo e promover os contatos e entendimentos com os representantes das diferentes igrejas e comunidades eclesiásticas."

Essa foi uma das afirmações mais fortes da primeira homilia do novo chefe da Igreja Católica. Pontualmente às 9h (4h da madrugada em Brasília), o papa Bento XVI comandou na Capela Sistina, no Vaticano, a primeira missa de seu pontificado, celebrada em conjunto com os 114 cardeais que na tarde de ontem o elegeram sucessor de João Paulo II.

Vestido de branco, com a tiara pontifícia e o cajado, Joseph Ratzinger entrou na histórica igreja, adornada com afrescos centenários do artista Michelangelo, e deu início a uma cerimônia simples, porém formal.

A missa foi aberta com o convite a todos os presentes ao ato penitencial, pronunciada em latim, com o fundo do painel de "O juízo final", de Michelangelo.

Falando aos cardeais, Ratzinger reforçou a importância do ecumenismo e deixou claro que dará seqüência à conservadora linha teológica adotada por Karol Wojtyla, a quem serviu por mais de duas décadas no Vaticano. Ele destacou a eucaristia, que, segundo ele, é a verdadeira fonte da evangelização.

'Não tenha medo'
Em seu sermão, o novo pontífice recorda com afeto seu João Paulo II, a quem atribui a graça de ter sido eleito papa.

"Parece que sinto sua mão forte apertar a minha, vejo seus olhos sorridentes e ouço suas palavras, dirigidas a mim neste momento especial: Não tenha medo", afirmou.

O pontífice afirmou ter ficado surpreso com sua eleição para suceder "este grande papa".

Ele afirmou que teve uma "sensação de inadequação" diante da responsabilidade de ter sido eleito papa.

Depois, pediu que o Senhor lhe dê forças para ser "a pedra sobre a qual todos possam se apoiar com segurança".

O discurso do Papa toca em diversos temas e pode ser visto como um esboço de programa do pontificado que se inicia agora.

De outra forma, o novo papa reforçou sua disposição de dedicar-se ao diálogo com outros povos e religiões e se referiu à viagem que fará em agosto à Alemanha, sua terra natal, a fim de participar do Dia Mundial da Juventude.

Antes de morrer, João Paulo II já havia se comprometido a viajar até a cidade germânica de Colônia, que será o primeiro destino da série de viagens internacionais a ser empreendida por Bento XVI ao longo de seu papado.

Ratzinger promete continuar a atuação do Concílio Vaticano II
O Papa também se referiu ao Concílio Vaticano II, cujos princípios dará seqüência. "Os documentos conciliares não perderam a atualidade, e seus ensinamentos revelam-se pertinentes em relação às novas questões da Igreja e da atual sociedade globalizada", disse Ratzinger em sua homilia em latim.

Da plena comunhão com Cristo, segundo o discurso de Ratzinger, nasce qualquer outro elemento da vida da Igreja, em primeiro lugar a "comunhão entre os fiéis, o compromisso de anunciar e testemunhar o evangelho e o ardor da caridade para com todos, especialmente com os pobres e pequenos".

O diácono brasileiro Flávio Medeiros encerrou a celebração cantando em latim. A missa de coroação de Josef Ratzinger como papa Bento XVI será celebrada no próximo domingo às 10h (5h de Brasília).