O cantor e compositor Michael Jackson, 50, morreu às 18h26 (horário de Brasília) desta quinta-feira (25), após sofrer uma parada cardíaca em sua casa, em Los Angeles. Segundo o jornal "Los Angeles Times", os médicos do hospital da Universidade da Califórnia confirmaram a morte do cantor, que teria chegado ao local em coma profundo. De acordo com o jornal, Jackson não estava respirando quando os paramédicos chegaram a sua residência, em Holmby Hills, por volta das 12h20 (horário local).
Michael recebeu uma massagem cardiopulmonar ainda na ambulância e seguiu direto ao hospital da Universidade da Califórnia, que fica a dois minutos da casa do cantor. Jermaine Jackson, irmão do cantor, se pronunciou publicamente às 22h10 (horário de Brasília) e disse que os paramédicos tentaram ressucitar Michael durante uma hora, sem sucesso. O cantor estava preparando sua volta aos palcos para uma série de 50 shows em Londres, a partir do dia 13 de julho, com ingressos esgotados.
Michael Joseph Jackson nasceu em 29 de agosto de 1958 em Gary, Indiana. Quinto filho do metalúrgico Joe Jackson, Michael mostrou seu talento para a música e para a dança muito cedo. Ele começou sua carreira nos anos 60, aos cinco anos, com o grupo Jackson 5, formado também pelos seus quatro irmãos mais velhos. Desde a pré-adolescência, quando a banda lançou os primeiros discos, o cantor se tornou uma das figuras mais conhecidas e adoradas da música norte-americana.
O estouro solo veio em 1979, com o quinto disco dele, "Off The Wall", que, graças a uma empolgante e original mistura de disco, funk e pop, abriu caminho para o que o cantor viria a se transformar nos anos seguintes.
Na década de 1980 lançou dois de seus melhores discos, "Thriller", de
1982, e "Bad", de 1987, e consolidou a posição de superastro. Foi aí também
que surgiu a imagem de um artista de hábitos e atitudes cada vez mais
estranhos. É o exemplo perfeito de criança-prodígio que, cada vez mais
famosa e idolatrada, acaba por criar um mundo próprio distante da realidade.
Ao mesmo tempo em que batia recordes de vendas com "Thriller" --que segundo
o livro "Guiness" vendeu entre 55 milhões (segundo a gravadora Sony e a
associação de gravadoras dos EUA) e mais de 100 milhões de cópias (de acordo
com empresários do cantor)--, colocava sucesso atrás de sucesso nos
primeiros lugares das paradas e lançava moda entre os adolescentes de todo o
mundo com suas roupas e coreografias, em especial o "moonwalk".
Mas Michael era motivo de especulações pela sua postura infantilóide,
modificações profundas em seu rosto e branqueamento de sua pele. Nos anos
80, dizia-se até que o cantor dormia em uma câmara hiperbárica para retardar
o envelhecimento.
A partir do início dos anos 90, os fatos sobre sua vida particular já
chamavam muito mais atenção do que sua música --que, diga-se, nunca mais
repetiu a genialidade da trilogia "Off The Wall", Thriller" e "Bad". Por
mais que lançasse discos de modo superlativo, como o fez com "Dangerous", em
1991, o que atraía o público eram as histórias sobre o megalômano rancho
Neverland, na Califórnia, e a preferência do cantor por estar sempre
acompanhado de crianças, entre elas o então ator mirim Macaulay Culkin,
astro do filme "Esqueceram de Mim".
Foi na década de 90 que surgiu o caso que abalaria a carreira e a vida de
Jackson. Em 1993, o cantor foi acusado de ter molestado sexualmente um menor
de idade. Segundo relatos da época, Jackson fez um acordo milionário com a
família da suposta vítima fora dos tribunais em 1995. Nos anos seguintes, se
casaria com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie, e com a enfermeira Debbie
Rowe, mãe de dois de seus três filhos. O cantor se apresentou ao vivo no
Brasil em 1993 e voltou ao país em 1996 para gravar o clipe da canção "They
Don't Care About Us" no Rio de Janeiro e na Bahia com o grupo Olodum.
Sem lançar disco desde 2001, quando gravou "Invincible", nos últimos anos
Jackson foi notícia graças ao julgamento pelo qual passou entre 2004 e 2005,
também acusado de ter molestado um menor em 2003. Absolvido das dez
acusações, logo após o julgamento o cantor passou por uma temporada de
exílio no Barein, como convidado da família real do país. Em reconhecimento
a sua carreira, em 2002 foi eleito o artista do século pela premiação
American Music Awards.
Michael reeditou em 2008 o clássico "Thriller", que traz a participações de
nomes atuais como Will.i.am e Akon, e colocou uma nova compilação nas lojas,
"King of Pop". Em março de 2009, anunciou sua volta aos palcos com uma
temporada de 50 shows em Londres, que começaria em 13 de julho e seguiria
até fevereiro de 2010.
A demanda pelos shows foi tão grande que dezenas de apresentações extras
foram acrescentadas, ao mesmo tempo em que centenas de ingressos surgiram em
sites de leilão online como o eBay, em meio a críticas à maneira como as
vendas estão sendo feitas. Segundo cálculos da Billboard, o cantor poderia
levar para casa
mais de 50 milhões de dólares com os shows.
Em maio deste ano, surgiu também um boato de que Jackson estaria sofrendo
câncer de pele. Segundo o The Sun, os médicos haviam diagnosticado sinais da
doença em seu corpo e células que poderiam provocar câncer de pele no rosto,
mas a
notícia foi desmentida logo em seguida.
Uma produtora de shows norte-americana queria proibir que Michael Jackson
voltasse aos palcos e ameaçava seu retorno. A AllGood Entertainment Inc, de
Nova Jersey, alegava que tinha contrato com o cantor para que ele não se
apresentasse até 2010. Os assessores do artista, no entanto,
não se
preocuparam com a possibilidade de uma ação judicial que criasse
obstáculos aos shows.
Jackson ainda é o "Rei do Pop" para sua legião de fãs, apesar de seu
comportamento e de sua aparência por vezes bizarros nos últimos anos. Ele já
vendeu em torno de 750 milhões de discos, ganhou 13 Grammy e é visto como um
dos maiores artistas pop de todos os tempos.