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As palavras e as promessas, tão passado e tão presente, tão eterno
enquanto dure e o coração em cubos , já dizia os versos da música Até
onde vai da banda mineira Jota Quest. É irrefutável a ferocidade de
antigas paixões que permanecem vivas no presente e remetem à idéia de
frustração e déjà vu .
O amor é considerado pela psicologia como forma de transferência
involuntária. Ele é a projeção de sentimentos internos em algo ou
alguém, sem a necessidade de gostar ou não. Já a paixão é um estado
passageiro débil e impulsivo, assim como gargalhar e segundos depois
estar triste.
A secretária executiva, Elisabeth*, 33 anos, conta que conheceu o
esposo no bairro onde ambos moravam. De famílias conhecidas, os dois
travaram um namoro de sete anos. Quando se julgaram maduros e estáveis
optaram pelo casamento. Três anos vivendo sobre o mesmo teto,
começaram os desentendimentos, cada vez mais freqüentes, e logo veio o
desgaste. O ápice do período conturbado da história culminou com a
separação do casal.
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Imaturidade, falta de comunicação, infidelidade, ciúmes e problemas
financeiros são algumas das causas mais comuns que contribuem para o
término dos relacionamentos. Em algumas situações há reversibilidade
do divórcio e os casais resolvem apostar novamente na relação, levando
em conta os momentos agradáveis que já viveram lado a lado. Dar certo
ou não é uma questão que envolve fatores racionais e emocionais.
Medir a intensidade dos sentimentos atuais, bem como a maturidade
conquistada no período em que houve individualidade são posturas
fundamentais para que a volta não seja uma atitude precipitada fadada
ao fracasso absoluto. O fluxo de transferência, ou seja, do amor, pode
ser invertido, interrompido, esquecido, ficar pulsando
inconscientemente durante anos e depois voltar como se tivesse
ocorrido ontem, já que o nosso inconsciente é atemporal, não possui
tempo ou espaço , diz o psicólogo clínico Mauro Godoy.
A sensação de ponto e vírgula em uma situação incita uma resolução com
ponto final. A idéia de que algo está inacabado cria o anseio por
reviver aquilo que racionalmente já passou, mas permanece revigorado
no emocional. Apesar de o amor e a vontade de reconstruir o
relacionamento deverem prevalecer ao rancor, vale lembrar que para
toda ação há uma reação. O cuidado quando se insiste em um erro com
tendência a progredir deve ser redobrado. Se esse risco significar
abrir mão de coisas importantes para uma das partes, talvez não valha
a pena.
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Havia desistido do meu ex-marido, porque ele não aceitava meus filhos,
frutos do meu casamento anterior. Passou um tempo e ele tornou a me
procurar. Agradava a mim e agora também aos meus filhos. Dizia ter
mudado e aparentemente acreditei em sua mudança pelas atitudes que
tomava. Insistiu muito e acabei cedendo. Não levou muito tempo para
voltar a não aceitar meus filhos. Ficamos juntos dessa segunda vez por
cinco anos, mas me separei novamente e não voltei mais. Não tive
filhos com ele , revela a cabeleireira, Cleide Santos de Carvalho, 43
anos.
O homem, de um modo geral, é um ser altamente mutável. Essas mudanças
ocorrem de acordo com o nível de experiências adquiridas durante os
anos, de maneira gradativa. O amadurecimento é uma das justificativas
mais recorrentes da reconciliação. No entanto, nem sempre ele
corresponde às expectativas do companheiro.
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Fiquei um ano separada do meu ex-marido. Mantínhamos contato sempre
e foi essa aproximação que nos fez concluir que valeria a pena nos dar
uma nova chance. Houve melhora, porém muitos erros cometidos no
passado ainda se repetem. Contudo, hoje não dispenso o diálogo no meu
relacionamento, principalmente depois de uma discussão, para resolver
o problema naquele momento e não postergá-lo sem uma solução. Quanto à
mudança de conduta, ambos continuam iguais, por se tratar de
personalidades fortes. Ao todo estamos juntos há sete anos. Apesar de
tudo somos felizes hoje , completa *Elisabeth.
Para Godoy, é possível obter sucesso na nova tentativa com a mesma
pessoa, através do amadurecimento mútuo. Existe uma teoria psicológica
que prova que o casal também adolesce. E como nem todo mundo morre na
adolescência, um relacionamento pode sobreviver sim. Em um
relacionamento entre pessoas, que possuem a mesma dinâmica, ocorre da
mesma forma. No começo são como duas crianças, depois da primeira
crise viram dois jovens, na terceira, dois adultos e assim por diante.
*O nome foi alterado a pedido da entrevistada
Colaboraram:
• Mauro Godoy
Fone: (11) 3013-2692
Site:
www.maurogodoy.com.br
• Cleide Santos de Carvalho