da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que não está
preocupado com a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista dos Correios.
Indagado pelos jornalistas se a instalação da CPI o preocupava, Lula respondeu,
sorrindo. "Olhem para a minha cara e vejam se estou preocupado."
Ao participar da cerimônia do Dia Internacional da Biodiversidade, Lula criticou
os que acusam os órgãos de defesa do meio ambiente de impedirem o
desenvolvimento do país.
"No Brasil, a coisa mais fácil do mundo é alguém jogar a culpa em cima de uma
coisa que não é feita por causa do Ibama ou do Ministério do Meio Ambiente, sem
as pessoas se darem conta de que o ministério e o Ibama têm que cumprir a
legislação existente, feita democraticamente pelo Congresso Nacional", disse.
Segundo Lula, cumprir a lei no país deixa as pessoas indignadas. "Alguns, se
pudessem, desmatavam tudo; alguns se esquecem de olhar para as grandes regiões
metropolitanas que já estão totalmente degradadas, por irresponsabilidade, há 50
anos, há 40 anos, e mesmo assim algumas pessoas resistem a que as coisas
aconteçam da melhora forma possível, onde as pessoas possam cortar uma árvore
para fazer um móvel, mas que isso seja dentro de critérios, de regras
estabelecidas, de um processo de manejamento", disse.
O presidente disse ainda que alguns, se pudessem, derrubavam tudo com trator ou
com motosserra. "Se pudessem poluíam todas as águas, porque alguns, por
ignorância, acham que são infindáveis os bens que a natureza nos deu."
Reservas
O Ministério do Meio Ambiente anunciou hoje a criação de cinco reservas
extrativistas no Pará. Trata-se de regiões onde os recursos naturais podem ser
explorados sem que sejam esgotados e o ambiente alterado.
São quatro reservas marinhas que ficam no litoral do Estado e uma reserva
florestal chamada Pamua, na ilha de Marajó.
As reservas somam juntas 261,252 mil hectares --foram criadas para garantir a
sobrevivência dos pescadores da região.
O ministério anunciou também a superação da meta de criar UC (Unidades de
Conservação) com mais de 9 milhões de hectares na Amazônia que fazem parte do
programa Arpa (Áreas Protegidas da Amazônia). As UC são áreas em que não é
permitida a exploração de recursos naturais. Criado em 2002, o Arpa já implantou
23 unidades com aproximadamente 16 milhões de hectares.
"O que nós estamos fazendo é, possivelmente, o maior processo de se tomar conta
deste país que já foi feito em tão pouco tempo. Ainda tem muito por fazer,
porque não temos o controle, nem a Polícia Federal, nem o Ibama, nem o Exército
tem o controle de todo o descaso que, muitas vezes, alguns praticam, mas que
estamos aperfeiçoando, estamos nos educando, estamos nos preparando para que a
gente tenha instrumentos, cada vez mais eficazes, para que a gente possa, não
apenas ser visto pelo mundo, mas para que a gente possa ter a nossa auto-estima
valorizada, porque conseguimos fazer aquilo que os nossos filhos e os nossos
netos um dia irão nos agradecer."
Com Agência Brasil