Sem ser pressionada pelos adversários, que não tocaram em temas polêmicos, principalmente as denúncias que surgiram durante esse final de campanha, nos casos da Receita Federal e da Casa Civil. Se outros não polemizam, que eram os mais interessados, Dilma não iria fazer isso. E não fez.
As considerações finais feitas por Dilma sintetizaram sua participação: falou do Bolsa Família, do programa Luz Para Todos e do aumento do emprego no país. Depois prometeu tornar o Brasil “um país desenvolvido” e “erradicar a miséria”.
Na entrevista posterior para a imprensa presente no Projac, no bairro de Jacarepaguá, a petista disse que não evitou Serra. “Tem regras nesse debate. Eu fui perguntando para quem me perguntava. Não tenho porque evitar alguém”, explicou-se. “Só agradeço ao Serra, à Marina e ao Plínio o alto nível do debate”. Além disso, disse ser “objeto de inveja” por ter como “amigo” o presidente Lula, seu principal cabo eleitoral.
No primeiro bloco, ela respondeu para Marina Silva (PV) sobre o mercado informal falando das “grandes conquistas do governo”, como a “expansão do mercado interno” e “o combate à crise mundial” que evitou que o país virasse “um país de desempregados”. Na réplica, ouviu de Marina que a questão “não foi adequadamente respondida”. Na tréplica voltou a cantar loas à gestão Lula e ao crescimento do emprego e da economia, sem retrucar sua rival.
Quando teve de perguntar, escolheu Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), evitando Serra. Não se fez de rogada quando o esquerdista falou que Lula arrochou, terceirizou e privatizou serviços públicos e puxou o caso da Petrobras como exemplo de empresa estatal. Ouviu novamente a ironia do opositor dizendo que a Petrobras não é tão pública assim.
No segundo bloco voltou a evitar Serra, perguntando para Marina e tendo de responder compulsoriamente para Plínio. Polemizou com a candidata verde sobre a infraestrutura ferroviária e rodoviária e fez promessas de ampliar a malha de trilhos.
O primeiro percalço foi ao responder a Plínio. Parte da plateia deu risada quando disse que todas as doações de campanha de sua coligação são registradas, mas saiu-se bem ao cortar as risadas, primeira manifestação do público presente: “Lamento os risos de quem tem outras práticas”.
No terceiro bloco, novamente teve Marina como interlocutora, e o tema foi a segurança pública, com Dilma exibindo o exemplo local das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) nas favelas do Rio de Janeiro. A candidata do PV apontou que foi uma solução boa, mas criticou que falta escala nessa política.
Já a próxima discussão teve novamente Plínio pela frente. No tema “saneamento básico”, o concorrente do PSOL voltou ao argumento que se deve deixar de pagar a dívida com os bancos para bancar água e esgoto. Já Dilma discorreu sobre os feitos de Lula e prometeu mais do mesmo.
No quarto bloco, Plínio quis saber se Dilma iria acabar com os latifúndios, a especulação imobiliária e reduzir a carga de trabalho sem redução de salário. Dilma, claro, negou tudo. Plínio insistiu na tese que o Brasil teria que seguir o exemplo inglês de cobrar aluguel do proprietário que mantém um imóvel vazio atrás de valorização. Dilma soltou uma pérola: “Na Inglaterra, eles são ingleses e são diferentes de nós.”
Novamente, Dilma perguntou para Marina e teve um debate morno sobre investimento até que Marina igualou a petista ao tucano como candidatos “puramente gerenciais” e contrapôs seu auto-proclamado “pensamento estratégico” contra o “mundo azul do Serra e o mundo cor de rosa da Dilma”. Depois, Serra deu o troco, no seguinte trecho, comparando Marina a Dilma pelo passado petista.