Hamas e Fatah chegam a princípio de acordo para governo palestino

da Efe, em Jerusalém

Os movimentos palestinos Hamas e Fatah chegaram a um princípio de acordo para formar um governo de união nacional que incluirá todos os grupos parlamentares e que não será liderado pelo atual primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh.

"Há um acordo muito avançado e nas próximas horas esperamos poder anunciar o que será o primeiro governo de união nacional na história dos territórios palestinos", disse o deputado Mustafa Barguti, mediador das negociações.

Em conversa telefônica desde a faixa de Gaza, Barghouthi acrescentou que está organizando uma reunião para hoje entre o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o atual primeiro-ministro, Ismail Haniyeh, para fechar os últimos detalhes da negociação.

Barghouthi atuou como intermediador entre os dois principais partidos palestinos desde que as negociações diretas fracassaram. "Ontem demos um grande passo para a formação do novo governo, que incluirá todas as facções", explicou.

Segundo o legislador, o novo primeiro-ministro não será o atual, mas o Hamas se reservará o direito de recomendar o candidato, que depois deverá ser ratificado pelo presidente Abbas e por todos os grupos parlamentares.

"Estou muito otimista e, embora tenham restado alguns problemas, esperamos resolvê-los nas próximas horas", disse.

Crise

A formação de um governo de união nacional na ANP foi proposta por Abbas há vários meses para tentar resolver a crise humanitária na Cisjordânia e na faixa de Gaza, produzida em grande parte pelo boicote internacional ao governo liderado pelo Hamas.

Segundo Barghouthi, o acordo será inspirado em um programa de trabalho que acate as reivindicações internacionais para a suspensão desse boicote.

"Se a comunidade internacional aceita Abbas como interlocutor, não haverá nenhum problema para que reconheça o novo governo", ressaltou o político palestino ao ser questionado sobre as exigências que a comunidade internacional impôs ao Executivo de Haniyeh entre abril e junho.

As três exigências, fixadas pelo Quarteto de Madri, são o reconhecimento de Israel, a aceitação dos acordos assinados até agora e o fim da violência.

Texto

Barghouthi não quis revelar o teor exato do texto do acordo sobre o reconhecimento de Israel, mas ressaltou que "o programa de governo não deixará desculpas à comunidade internacional".

"O que posso dizer é que está inspirado no texto do Acordo de Reconciliação Nacional, que inclui o Documento dos Prisioneiros, e também na Declaração de Independência de Argel (de 1988)", explicou.

Neste último documento, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) reconheceu a Resolução de Partilha de 1947, que dava legitimidade à existência de um Estado judeu no território do Mandato Britânico na Palestina.

Segundo Barghouthi, a comunidade internacional será obrigada a reconhecer o novo governo e, caso isso não aconteça, será adotada "uma postura pouco construtiva, porque não haverá nada que possa satisfazê-la".