| Há mais contratados
do que soldados no Iraque, segundo "Los Angeles Times"
Washington, 4 jul (EFE).- Já é de
cerca de 180 mil o número de pessoas contratadas pelos Estados Unidos para
trabalhar no Iraque, quantia que supera os 160 mil soldados postados no
país, segundo dados publicados hoje pelo jornal "Los Angeles Times".
Os dados "colocam novas dúvidas sobre a privatização da guerra e sobre a
capacidade do Governo para realizar suas campanhas militares e de
reconstrução", destaca o jornal californiano.
Entre os mais de 180 mil civis que trabalham para empresas privadas dos EUA
no Iraque, há cidadãos americanos, iraquianos e de outras nacionalidades,
segundo o "Times".
O periódico destaca que o número de contratados é muito mais alto do que se
pensava, evidenciando o tanto que a Casa Branca dependeu das empresas para
realizar a ocupação do Iraque, uma campanha que, segundo lembra hoje o
"Times", foi criticada por carecer dos soldados necessários.
"Os números são muito altos", disse ao jornal Peter Singer, um analista do
centro de estudos Brookings Institution, que acrescentou que os dados
"refletem melhor que nenhuma outra coisa que fomos à guerra sem tropas
suficientes".
O número que publicado hoje pelo periódico inclui pelo menos 21 mil
americanos, 43 mil contratados estrangeiros e ao redor de 118 mil
iraquianos, cujos salários são financiados com os impostos pagos pelos
contribuintes americanos.
O "Los Angeles Times" diz que o número poderia ser inclusive maior, já que
não inclui o total de contratados de segurança, que se encarregam de
proteger funcionários governamentais e prédios.
Os contratados realizam trabalhos relacionadas com a construção, segurança e
manutenção de equipamento bélico.
Os funcionários militares consultados pelo "Times" insistem em que o
recorrer a este tipo de serviço reduz despesas e permite às tropas
concentrar-se em outras tarefas.
"O único motivo pelo qual temos contratados é para assegurar a campanha
bélica", disse Gary Motsek, um subsecretário do Pentágono que se encarrega
das relações com esse pessoal no Iraque.
Mas o "Times" aponta que os críticos temem que tanto as tropas como seus
missões possam ficar em perigo se os contratados, que operam fora do
controle militar, se negarem a entregar provisões em situações perigosas.
O jornal californiano lembra, nesse sentido, que em 2004, alguns soldados
americanos tiveram que sofrer um período de racionamento depois que
funcionários contratados foram incapazes de fazer chegar provisões a uma
região do combate. |