Spielberg mudou de lado. Entediado – como ele mesmo se disse – com ETs bonzinhos que só conseguem repetir uma única frase, o diretor de “Contatos Imediatos” rompeu a barreira da diplomacia entre civilizações alienígenas e a nossa e refez “Guerra dos Mundos”, clássico da literatura ficcional que, coincidência ou não, é retirado das livrarias sempre que a política no mundo entra em crise. O filme de ação estréia nesta semana junto com o drama francês, “Irmãos”, e o brasileiro politizado “Quanto Vale ou é Por Quilo?”. Tem ainda a animação “Madagascar”.

Escrito em 1898 por G. H. Wells, “Guerra dos Mundos” aterrorizou parte da população dos Estados Unidos quando Orson Welles fez uma leitura dramática do texto no rádio na noite

 

de 30 de outubro de 1938, quando o país vivia uma profunda crise econômica. A história de uma invasão alienígena à Terra, à la “Independence Day”, chegou aos cinemas em 1953, na paisagem devastadora do pós-guerra e no auge da Guerra Fria. Spielberg tem em mãos uma das poucas cópias manuscritas do roteiro usado por Orson Welles no rádio. E, novamente, a história retorna em um momento crítico, em que as “forças do bem” se levantam contra o “eixo do mal”. Ofuscado pelo lançamento de “Independence Day”, Spielberg engavetou o projeto por alguns anos. Com uma brecha na agenda dele e do ator Tom Cruise, que estrela a refilmagem, Spielberg correu durante 72 dias para rodar a história, que acabou gastando cerca de US$ 120 milhões.

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