LOS ANGELES (Reuters) - Os sindicatos que representam a maior parte dos
90 mil comissários de bordo norte-americanos estão encorajando seus filiados
a boicotar o novo filme de Jodie Foster. "Plano de Vôo" ("Flightplan")
mostra um comissário de bordo e um oficial norte-americano que são
terroristas.
Para os sindicatos, o fato de tripulantes de um avião comercial serem
mostrados como vilões é uma irresponsabilidade, dado o aumento das
preocupações com segurança desde os ataques de 11 de setembro de 2001 -- em
que sequestradores suicidas usaram aviões comerciais como mísseis guiados.
O filme da Walt Disney Company liderou as bilheterias dos cinemas
norte-americanos em seu lançamento, no último fim de semana, com arrecadação
de 25 milhões de dólares. Jodie Foster interpreta uma passageira que acorda
de um cochilo durante o vôo e descobre que sua filha desapareceu. Ela
descobre que um dos comissários de bordo está envolvido numa conspiração
terrorista urdida pelo "air marshal" (uma pessoa que se faz passar por
passageiro comum, mas na realidade é um agente do governo treinado em
táticas antiterroristas e de combate a sequestros de aviões).
Em comunicado divulgado na terça-feira, os sindicatos se queixaram de que
outros tripulantes do avião mostrados no filme são "grosseiros, indiferentes
e pouco prestativos".
"Esse retrato dos comissários de bordo é um ultraje", disse a presidente
internacional da Associação dos Comissários de Bordo (AFA), Patricia Friend.
"Os comissários de bordo constituem a primeira linha de defesa em um avião.
Eles arriscam suas vidas diariamente para garantir a segurança dos
passageiros."
Uma representa da AFA em Washington disse que os sindicatos temem que os
espectadores saiam do cinema com uma impressão que dificultará aos
comissários de bordo "conquistar a confiança e o respeito dos passageiros".
"É extremamente irresponsável", disse à Reuters a porta-voz Corey
Caldwell. Segundo ela, isso agrava outros estereótipos hollywoodianos de
longa data, por exemplo comissárias de bordo como mulheres sexies e tolas ou
pessoas áridas e destituídas de senso de humor, que apenas tentam impor
disciplina.
Um representante da Disney disse que "não houve intenção alguma do
estúdio ou da equipe do filme de criar de qualquer coisa senão um ótimo
thriller de ação."
"Confiamos que o público saberá discernir a diferença entre a ficção e o
ótimo trabalho diário dos comissários de bordo na vida real", disse o
porta-voz.