A primeira fase de fiscalização de contribuintes suspeitos de sonegação
rendeu aos cofres da Receita Federal, até agora, R$ 7,2 milhões em pagamento
de impostos devidos e multas. O valor corresponde a menos de 1% do que a
Receita Federal espera arrecadar com cerca de 2,6 mil casos que apontavam os
maiores indícios de sonegação, mas envolve apenas 176 desses contribuintes.
Em março, foi anunciado que um total de 37 mil pessoas físicas estavam sendo
investigadas. Inicialmente, foram notificados 2.634 contribuintes. Outras
2,4 mil ações ainda estão em andamento.
O primeiro grupo fiscalizado, constituído somente por pessoas físicas, tinha
como base a omissão de rendimentos, verificada, por exemplo, por meio de
gastos com cartões de crédito ou recebimento de aluguéis em valores
incompatíveis com os declarados à Receita Federal.
Agora, a Receita inicia uma nova fase de fiscalização, que inclui também
pessoas jurídicas. Desta vez, a base de investigação foi a movimentação
financeira do contribuinte, a partir dos dados da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira), extinta no final do ano passado.
O período verificado pela Receita vai de 2003 a 2007.
O cruzamento de dados apontou 22.403 suspeitos de sonegação, sendo 8.600
empresas e 13.803 pessoas físicas. O grupo prioritário envolve 2 mil
contribuintes, que serão notificados a partir de segunda-feira. Quem recebe
intimação não pode emitir declaração retificadora e terá de pagar o imposto
devido mais juros e multa de até 150%.
Mais uma vez, a Receita Federal espera arrecadar R$ 1 bilhão com o imposto
devido pelos 2 mil contribuintes que serão notificados. Sem contar a multa.
Segundo a Receita, cerca de 70% do valor devido pelo sonegador é recuperado
depois de alguns anos.
Quem não for notificado e quiser regularizar sua situação, pode apresentar
declaração retificadora pagando eventuais diferenças de imposto e multa de
até 20% sobre o valor devido. Nos casos em que for comprovada fraude, os
autuados poderão responder criminalmente.
O coordenador-geral de fiscalização, Marcelo Fisch, diz que a fiscalização
só trabalha com movimentações financeiras "da casa dos milhões para cima".
Dentre as pessoas jurídicas investigadas estão, por exemplo, 938 empresas
que se declararam como inativas, mas efetuaram movimentação financeira que,
somadas, totalizaram R$ 8 bilhões.
Entre as pessoas físicas, foram selecionados mais de 4.500 contribuintes que
tiveram uma movimentação financeira 190 vezes maior que o total de
rendimentos declarados no período do levantamento da Receita Federal.
Sobre as duas primeiras etapas de fiscalização, Fisch afirma que alguns
contribuintes podem aparecer nas duas listas. O que vai fazer diferença é o
foco de investigação. "Pode ser que o indício de sonegação do primeiro grupo
(omissão de rendimento) não seja tão elevado quanto a movimentação
financeira", explica.
Ainda este mês, a Receita iniciará a terceira fase de fiscalização, desta
vez voltada exclusivamente para pessoas jurídicas, e tendo como base de
investigação a contribuição previdenciária.