O ator Bruno Gagliasso, que interpreta um jovem que sofre de
esquizofrenia na novela "Caminho das Índias", da TV Globo
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O personagem interpretado por Bruno Gagliasso, na novela "Caminho das
Índias", revela alguns manifestações comuns a quem sofre da doença, como
delírios, sensação de estar sendo perseguido e ocorrência de alucinações
visuais ou auditivas. "O personagem mostra que, apesar de ter várias
alterações, é possível criar empatia com alguém com esquizofrenia, o que ajuda
a quebrar o estigma associado à doença", opina o psiquiatra Rodrigo Bressan,
professor do departamento de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp).
A esquizofrenia é uma doença mental crônica, que deve ser tratada
continuamente, como se trata o diabetes, por exemplo. Com acompanhamento
adequado, é possível levar uma vida normal e produtiva. A terapia envolve
medicamentos antipsicóticos, que agem nos receptores de dopamina e serotonina,
duas substâncias produzidas no cérebro.
O médico ressalta que a família tem papel fundamental no tratamento. "É muito
raro uma pessoa que está começando a apresentar os sintomas da esquizofrenia
ir por conta própria ao psiquiatra, pois os sintomas são muito reais para
ele", afirma o médico.
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Para dificultar ainda mais o acesso ao tratamento, frequentemente os
familiares não têm informação suficiente e relutam em admitir a doença, até
porque transtornos psiquiátricos ainda são fonte de preconceito. Essa também é
a realidade do personagem da novela das oito.
O psiquiatra recomenda à família e aos cuidadores de pessoas com esquizofrenia
que aprendam sobre a doença, para ajudar o paciente a entender a necessidade
de tratamento. Ele também ressalta que o doente não deve ser superprotegido,
nem ter suas habilidades subestimadas. "Incentive e estimule o portador a
realizar as atividades do dia-a-dia na dose certa, sem exageros", diz.
Conheça alguns mitos e verdades sobre a doença:
A esquizofrenia pode se manifestar na infância?
Sim. Isso é raro, mas quadros esquizofrênicos podem surgir durante a infância
e puberdade.
A esquizofrenia pode ser decorrente do modo de educação dos filhos?
Não.
Rejeição emocional na gravidez ou na infância causa esquizofrenia?
Não.
Pacientes com esquizofrenia podem tomar bebidas alcoólicas?
Bebidas alcoólicas podem desencadear surtos esquizofrênicos e devem ser
evitadas por esses pacientes.
O paciente com esquizofrenia pode dirigir carro?
Não há uma regra geral. Isso dependerá da gravidade do quadro e a situação
deve ser avaliada individualmente pelo médico junto com os familiares.
Uma paciente com esquizofrenia pode engravidar?
Sim. No caso do desejo de ter filhos, é preciso conversar com o parceiro sobre
as eventuais limitações que essa pessoa terá para cuidar do filho.
A doença é mais frequente em homens ou em mulheres?
Atinge igualmente ambos os sexos.
Uma pessoa com esquizofrenia pode ser contrariada?
O diálogo com o paciente com esquizofrenia deve ser igual ao diálogo com
qualquer outra pessoa.
Se o paciente se recusar a tomar a medicação, pode dar-se o remédio
escondido, diluído em algum alimento?
Dar o remédio escondido não é recomendável. O importante é procurar convencer
o paciente sobre a importância de tomar a medicação, mostrando que o
medicamento reduz os sintomas que ele apresenta.
Os medicamentos usados na esquizofrenia podem viciar?
Não. Antipsicóticos não causam dependência.
Os sintomas da esquizofrenia se manifestam da mesma forma em todos os
pacientes?
Não. As manifestações podem ser completamente diferentes de um paciente para
outro.
Esquizofrenia é o mesmo que "dupla personalidade"?
Não. "Dupla personalidade" é um distúrbio muito raro, que não tem nada a ver
com esquizofrenia.
A agressividade é uma característica da esquizofrenia?
Geralmente não. O seguimento correto do tratamento minimiza os riscos de
agressividade.
Os antipsicóticos são uma "camisa-de-força" química?
Não. Esses medicamentos aliviam ou controlam os sintomas da doença e ajudam a
evitar novos surtos da doença.
Fonte: "Convivendo com a Esquizofrenia", do psiquiatra Mario Louzã (Ed.
Ediouro, 2007)
| Pesquisa avalia relação entre depressão e esquizofrenia | ||||||
| Mais de 50% dos pacientes esquizofrênicos têm sintomas depressivos, revela estudo da UFMG | ||||||
(Agência Notisa) − É muito comum que pacientes com esquizofrenia
desenvolvam sintomas depressivos, o que tem impactos diretos na sua
qualidade de vida. Pacientes deprimidos apresentam-se menos satisfeitos com
suas atividades diárias e com a sua saúde física e mental. Para se ter uma
idéia, em estudos internacionais, a prevalência de depressão na
esquizofrenia varia de 7% a 70%, com média de 25%. Já no Brasil foram
encontradas taxas em torno de 27% e 29,8%. A psicóloga e pesquisadora da
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Clareci Cardoso, doutora em
saúde pública e epidemiologia, estabeleceu a prevalência da depressão na
esquizofrenia, investigando os fatores associados e sua relação com a
qualidade de vida. |
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Biomarcadores para a esquizofrenia
Cientistas brasileiros identificam compostos que, no futuro,
podem ajudar a diagnosticar essa doença
O primeiro passo na direção da descoberta de uma proteína que sirva para
diagnosticar a esquizofrenia foi dado por pesquisadores brasileiros. Eles acabam
de identificar pelo menos sete compostos claramente associados à doença. Para
chegar a esse seleto grupo, milhares de proteínas precisaram ser analisadas. Os
cientistas afirmam que agora é necessário um minucioso trabalho de validação dos
resultados.
A esquizofrenia é conhecida há mais de um século, mas, apesar disso, até hoje
seu diagnóstico é feito apenas com base em observaçãos de sintomas pelos
médicos. “Há muito tempo que se busca um componente químico que possa evidenciar
a existência da esquizofrenia”, diz o bioquímico Daniel Martins-de-Souza,
atualmente pesquisador do Instituto Max Planck, na Alemanha.
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Martins-de-Souza investigou duas regiões cerebrais – o córtex pré-frontal e a
área de Wernicke – de 10 esquizofrênicos e comparou o que viu com observações do
cérebro de 10 pessoas sem nenhuma complicação mental ou neurológica.
Também foi avaliado o lobo temporal de cinco pacientes esquizofrênicos e cinco
pessoas do chamado grupo controle (pessoas sem a doença). “O número de amostras
parece pequeno, mas se deve considerar a dificuldade de se conseguir tecido
cerebral dos pacientes e controles”, pondera o pesquisador.
Os resultados permitiram identificar 130 proteínas potencialmente ligadas à
manifestação da esquizofrenia. “Algumas das novas proteínas reveladas foram a
PEBP1, a cristalina, que é uma proteína associada ao ácido hialurônico, e um
transportador de cálcio de membrana”, conta o bioquímico. Ele explica que essas
proteínas estavam presentes em quantidades diferentes no cérebro dos
esquizofrênicos analisados.
Validação dos resultados
A pesquisa foi conduzida durante o doutorado de Martins-de-Souza, no Instituto
de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), sob
orientação do bioquímico Emmanuel Dias-Neto e do psiquiatra Wagner Gattaz, e no
Departamento de Bioquímica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob
orientação do biólogo José C. Novello.
Agora, os pesquisadores buscam mais material de estudo para poderem afirmar que
existem marcadores biológicos da esquizofrenia. “Nosso grupo e outros grupos
mundo afora têm buscado a validação desses resultados”, conta Martins-de-Souza.
Mariana Ferraz
Ciência Hoje/RJ