Esquizofrenia
Dr. Montezuma Pimenta Ferreira
Psiquiatra do Hospital Sírio-Libanês
Publicado em: 28/04/2008
Última atualização: 29/05/2008

http://www.idmed.com.br/saudeMateria.php?sessao=saude&topico=6&materia=39

O que é a esquizofrenia?

Esquizofrenia é uma doença mental caracterizada pela presença de delírios, alucinações, alterações do pensamento e de outras funções cognitivas, embotamento afetivo, isolamento social e alterações psicomotoras. 

Quais as causas?

A esquizofrenia é uma doença cerebral complexa que resulta da combinação de fatores genéticos e ambientais. A prevalência de esquizofrenia na população geral é de cerca de 1%. Entre os parentes de primeiro grau de um portador de esquizofrenia, este número sobe para 10%. Gêmeos idênticos têm pouco mais de 50% de concordância para o diagnóstico. Estes números são uma evidência clara da influência de fatores genéticos na esquizofrenia. No entanto, não se sabe ainda quais os genes responsáveis. Quanto aos fatores ambientais, eles incluem a exposição a infecções virais durante a gestação, problemas durante o parto e a exposição a determinados tipos de stress ambiental. O cérebro de pessoas com esquizofrenia apresenta anormalidades tanto macro quanto microscópicas. Os neurotransmissores mais claramente relacionados à doença são a dopamina e o glutamato. 

Quais os sintomas?

Um surto de esquizofrenia pode começar abrupta ou insidiosamente. Freqüentemente, há um período prodrômico em que o paciente apresenta uma sensação, um tanto vaga, de que algo estranho está acontecendo ou por acontecer. Pode haver, já nesta etapa, retraimento social ou queda do rendimento na escola ou no trabalho. Quando a doença irrompe por completo há sintomas como:

- delírios: idéias que não correspondem à realidade, mas que, geralmente, são mantidas com forte convicção. Exemplos comuns são os delírios de perseguição. Os delírios podem incluir idéias bastante bizarras, como a de ser comandado por seres de outro planeta ou pelas ondas da televisão;
alucinações: geralmente auditivas ou visuais;
- alterações do pensamento, que pode se tornar pobre, desorganizado, não lógico; o discurso pode apresentar neologismos;
- movimentos anormais, muitas vezes sem sentido aparente;
- dificuldade de expressar sentimentos;
- apatia, dificuldade de iniciar atividades ou de levá-las a cabo. 

Por todos estes sintomas, o comportamento do portador de esquizofrenia pode ser um tanto peculiar. Na fase mais aguda, é muito difícil manter um desempenho normal. Conforme os sintomas mais agudos cedem, a apatia pode predominar.
 
Qual o tratamento? Tem cura?

O tratamento da esquizofrenia baseia-se em medicamentos chamados antipsicóticos ou neurolépticos. Estes medicamentos combatem os sintomas agudos da esquizofrenia, em especial os delírios e as alucinações. Uma vez que a fase aguda tenha sido controlada, procura-se incentivar as atividades psicossociais, tomando o cuidado para que estas não se tornem estressantes.  Para tanto, pode se recorrer a terapia ocupacional para ajudar o paciente a recuperar a capacidade de cuidar de si mesmo, de realizar as atividades da vida diária, e de interagir com outras pessoas.

Normalmente, o paciente e sua família devem ser educados a respeito da doença e, em casos específicos, pode ser útil a psicoterapia. A esquizofrenia não tem cura, mas atualmente muitos pacientes conseguem retomar os estudos ou ao trabalho e levar vidas independentes.
O paciente não deve jamais parar ou reduzir a medicação sem acompanhamento médico. 

A doença acomete que tipo de pessoas?

Ela geralmente incide na adolescência ou começo da idade adulta; tende a começar mais cedo entre homens e um pouco mais tarde entre as mulheres. Também existem formas mais precoces, que tendem a serem mais graves. A esquizofrenia afeta cerca de 1% dos adultos e atinge indistintamente indivíduos de todas as etnias.

Existe algum tipo de prevenção?

Não. Alguns pesquisadores têm tentado desenvolver técnicas que ajudem pessoas possivelmente mais susceptíveis a desenvolver a esquizofrenia (filhos de portadores de esquizofrenia ou portadores de transtorno esquizotípico, por exemplo) a resistir ao stress na esperança de que isto evite o desenvolvimento do transtorno.  No entanto, a eficácia destes métodos não é significativa.
 
Existe um diagnóstico precoce?
 
O diagnóstico da esquizofrenia é clínico. Não é possível prever quem irá desenvolver a doença.