"O fato de Dilma depender tanto do apadrinhamento de Lula é lamentável,
pois o Brasil precisa de um líder forte e independente", diz a principal
revista de economia e política da Grã-Bretanha.
Segundo a Economist, caso seja eleita, Rousseff precisará sair da sombra do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva "para conseguir a autoridade necessária"
ao cargo.
A revista diz ainda que Lula "precisa deixá-la se afastar", uma atitude que
seria "seu último presente a país".
Intitulado "A Passagem", o texto afirma que Lula deu ao Brasil continuidade e
estabilidade e que agora ele precisa "dar independência" a sua sucessora.
Três graves problemas
Se eleita, Dilma terá de lidar com ao menos três graves problemas, segundo
a Economist, e a corrupção seria o primeiro. A revista afirma que o PT tem uma
"tendência de inchar os órgãos federais com indicados políticos".
A segunda preocupação seria com o papel do Estado na economia -- que cresceu
no segundo mandato de Lula. O terceiro "teste" é a política externa, por causa
da aproximação do presidente com "autocratas" como os presidente da Venezuela,
Hugo Chávez, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
Para a revista, ainda não está claro se Dilma tem "a força e vontade para
lidar com esses problemas".
Em outra matéria, a Economist detalha o legado do governo Lula e explica como
Dilma se beneficiou dele, apesar de especialistas acreditarem, há um ano, que
era impossível transferir sua popularidade.
No entanto, a matéria afirma que a presidenciável não tem o "magnetismo" de
Lula nem sua "habilidade de negociar". Por fim, ela especula sobre como seria
o novo governo, apostando em nomes como Antonio Palocci e José Dirceu para
integrar seu gabinete.