| Duas Caras | |
|---|---|
| Informação geral | |
| Formato | Telenovela |
| Classificação etária |
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| Duração | 1h10min. (segunda a sexta-feira) 45min. (quartas-feiras) |
| Criador | Aguinaldo Silva |
| País de origem |
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| Idioma original | Português |
| Produção | |
| Diretor(es) | Wolf Maya[6] |
| Produtor(es) | César Lino |
| Elenco original |
Marjorie Estiano Dalton Vigh Renata Sorrah Susana Vieira Antonio Fagundes Alinne Moraes Débora Falabella Lázaro Ramos Betty Faria Flávia Alessandra Stênio Garcia Marília Pêra Ver Mais |
| Tema de abertura | "E Vamos à Luta", Gonzaguinha[7] |
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Emissora(s) de televisão lusófona(s) |
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| Formato de exibição |
1080i (HDTV) 480i (SDTV) |
| Transmissão original | 1 de outubro de 2007[8]- 31 de maio de 2008[9] |
| N.º de episódios | 210 capítulos |
| Portal Televisão · Projeto Televisão | |
Duas Caras foi uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo entre 1 de outubro de 2007 e 31 de maio de 2008,[10] no tradicional horário das 21 horas da emissora, totalizando 210 capítulos e, seu último episódio foi transmitido em um sábado.[9][11][12] Em Portugal foi exibida a 5 de novembro de 2007 pelo canal SIC, juntamente com os últimos 5 episódios da novela Paraíso Tropical.
Escrita por Aguinaldo Silva, com a colaboração de Izabel de Oliveira e Nelson Nadotti, e dirigida por Cláudio Boeckel, Ary Coslov e Gustavo Fernandes, com direção geral e de núcleo de Wolf Maya, a novela apresentou a atriz Marjorie Estiano vivendo sua primeira protagonista numa novela global, com os atores Dalton Vigh, Alinne Moraes, Antônio Fagundes, Susana Vieira, José Wilker e Renata Sorrah nos papéis principais.
A telenovela possuiu duas fases distintas. A primeira introduziu os principais personagens e seus relacionamentos, e era focada majoritariamente nos protagonistas, Maria Paula e Marconi Ferraço. Após apenas nove capítulos, essa fase se encerrou e, em 10 de Outubro de 2007, ocorre uma passagem de tempo de dez anos, avançando a telenovela e apresentando o restante dos personagens.
Juvenaldo, quando criança, mora com o pai, Gilvan, e mais de dez irmãos em uma favela de palafitas em Igarassu, Pernambuco. Sem condições de sustentar a família, o pobre homem vende Juvenaldo a um estelionatário e cafetão chamado Hermógenes Rangel.[8] Rebatizado de Adalberto Rangel, o menino abandona a família e segue estrada afora com seu novo tutor, seguindo seus passos criminosos.
Os anos passam e a história chega no ano de 1997. Adalberto, já adulto, quer ganhar sua própria fortuna sem depender do seu mestre. Decidido a sumir de circulação, aplica um golpe em Hermógenes e foge com todo o dinheiro dele.
Durante a fuga, provoca de forma involuntária um grave acidente. Revistando os pertences das vítimas, o casal Waldemar e Gabriela, Adalberto descobre uma mala com grande quantidade de dólares, apólices e a fotografia de uma jovem. Segue então para Passaredo, uma pequena cidade do interior do Paraná (ambientada em São Bento do Sul, Santa Catarina) ao encontro da órfã, Maria Paula. O golpista mente para ela ao dizer que Gabriela pediu, antes de morrer, que ele cuidasse da moça. Os amigos da herdeira - sua governanta, Jandira, a filha da governanta e melhor amiga de infância, Luciana, e seu advogado e melhor amigo, Dr. Claudius (que é secretamente apaixonado por Maria Paula) - tentam alertá-la, mas o golpista é rápido e, mesmo no dia do velório de seus pais, ela é seduzida pelo vigarista e aceita se casar com ele. Pouco tempo depois, ela descobre que seu marido desapareceu, levando todos os seus bens, sua fortuna e sua mansão, deixando-a grávida e na miséria. Disposta a recomeçar a vida, Maria Paula parte para São Paulo. O golpista, por sua vez, muda o rosto, o nome e o estilo de vida. Faz uma cirurgia plástica, compartilhando esse segredo apenas com Bárbara Carreira - prostituta que trabalhava para Hermógenes, com quem perdeu a virgindade, que se tornaria seu braço direito por toda a vida - e transforma-se no respeitável empresário da construção civil Marconi Ferraço. Agora milionário, ele compra uma construtora quase falida, a GPN.
Entretanto, os vários nordestinos que vieram trabalhar na construtora, e que ficaram desabrigados com sua falência, se negaram a deixar o local e encontraram apoio na figura de Juvenal Antena, chefe da segurança, que se juntou aos operários na luta por seus direitos. E foi num terreno baldio próximo à antiga obra da GPN que ergueu-se a Favela da Portelinha, um local onde Juvenal não deixaria faltar nada para seus moradores. Drogas e violência não são permitidas. Quanto a isso, o carismático líder era irredutível.
Ferraço montou sua equipe de trabalho e associou-se ao engenheiro Gabriel Duarte - marido da perua Maria Eva, fã de Evita Perón - e ao advogado Paulo Barreto, o Barretão, um especialista em encontrar brechas para driblar a lei. Juvenal, por sua vez, ganhava cada vez mais prestígio na Portelinha e sabia que podia contar com sua gente. Admirado, ele vai se transformando aos poucos em um líder acima do bem e do mal.
Dez anos se passam. Ferraço é um respeitável empresário, tendo Bárbara como sua governanta. Decide conquistar Maria Sílvia, moça milionária, elegante, porém insensível, que passou muitos anos estudando na Universidade de Sorbonne, em Paris. Ela se apaixona por ele e aceita se casar meses depois. No dia da festa de noivado dos dois, Maria Paula, coincidentemente, decide se mudar para o Rio de Janeiro, descobre que Ferraço é Adalberto Rangel e o desmascara na frente de todos. O empresário descobre que é pai de Renato, garoto de dez anos, filho de Maria Paula, e decide se aproximar do garoto apenas para evitar que a ex-mulher o ponha atrás das grades. Porém, o empresário desenvolve um afeto verdadeiro pelo filho, fazendo com que Sílvia passe a odiar a criança, devido a seu ciúme doentio. Tudo se complica quando Sílvia se mostra uma perigosa psicopata à beira da loucura. Na festa de aniversário de Renato, organizada por Maria Paula na mansão de Ferraço, os dois começam a perceber que ainda sentem alguma coisa um pelo outro. O pior momento surge quando Sílvia se atira da escada da casa para estragar a festa. Entre outros atos criminosos, a noiva de Ferraço tenta matar Renato afogado - levando uma surra de Maria Paula por isso - , entrega ao menino um dossiê com a prova de que o golpista roubou todos os bens de Maria Paula e até mesmo atira na rival, mas a bala atinge o vilão.
O pai de Sílvia, João Pedro, possuía um romance extraconjugal há mais de 20 anos com Célia Mara, casada com o mecânico Antônio e mãe de Clarissa. Tantos anos se passaram que Célia acabou se transformando em uma "segunda esposa". Ele a conheceu antes de se casar com a poderosa Branca, mãe de Sílvia. Mulher de requinte, moradora de um luxuoso condomínio da Barra da Tijuca, forte e determinada, Branca descobre, no dia seguinte ao da morte do marido, que ele tinha uma amante, e por isso trata de se desvencilhar do título de viúva. Assume a presidência do conselho da Universidade Pessoa de Moraes, da qual é proprietária, e a transforma em uma instituição de absoluta excelência na educação superior do Brasil. Em determinado momento, incomoda-se com a aproximação entre o professor Francisco Macieira - um antigo amigo que ela convida para ser reitor e torna-se seu namorado - e Célia Mara, a qual passa a estudar na sua universidade. Porém, um fato inesperado vai fazer essas duas inimigas conviverem no mesmo espaço e se confrontarem ainda mais. Por uma ironia do destino, Célia Mara administra 50% da universidade, já que Clarissa, sua filha, também é filha de João Pedro, e Sílvia entrega suas ações para Célia, com o objetivo de se vingar de Branca, que não permite que a filha fique com Ferraço. A Universidade vira um campo de guerra, devido à disputa de poderes. A situação piora, pois Célia Mara descobre que Branca usa o cartão corporativo da Universidade para gastos supérfluos. Ela aproveita-se do fato para afastar a rival da presidência do conselho e assume a presidência. O fato causa o caos na UPM, com a suspensão das doações por parte dos beneméritos. Porém, há uma reviravolta, graças a uma atitude de Branca, fazendo com que ela vire o jogo; e atitudes impensadas de Célia Mara, como acusar o reitor Macieira de assédio sexual, voltam todos contra a amante de João Pedro, até mesmo Clarissa, que sofre de dislexia.
Branca é irmã de Barretão, considerado uma fera no Direito, porém muito preconceituoso. Ele é casado com a elegante Gioconda, considerada a última grande dama da sociedade carioca, que peca pelo vício em calmantes para tentar resolver os problemas, como se vivesse em uma redoma de vidro. Gioconda é amiga íntima de Lenir, que vive em sua casa se intrometendo nos seus probelmas com Barreto. Os dois são pais de Júlia, uma moça inteligente e ativa, que se apaixona por Evilásio Caó, enfrentando o preconceito da família por se envolver com um homem de uma classe social mais baixa e, ainda por cima, negro.
Evilásio é morador da favela da Portelinha, que a partir da determinação de Juvenal Antena, seu padrinho, cresceu e se tornou uma espécie de "favela-modelo". Líder nato, simpático, homem esperto e hábil nas palavras, Juvenal mantém firme seu compromisso de não deixar drogas e violência entrarem no local e de não faltar nada a seu povo.
Do sonho para a realidade foi um pulo. Juvenal se reuniu com seus amigos, outras figuras respeitadas pelo grupo: o pastor evangélico Inácio Lisboa, o carpinteiro Misael Caó, pai de Evilásio, a mãe-de-santo Setembrina, que mostrou na novela a prática da umbanda feita para o bem das pessoas, e o dono de vans Geraldo Peixeiro. Com a ajuda ainda do secretário de Estado de Serviço Social Narciso Tellerman, hoje deputado federal, Juvenal organizou uma invasão ao terreno da GPN e firmou sua comunidade no local. Toda a população respeita seu líder, que não aceita nunca ser contestado - o que ocasionará divergências com seu braço-direito, Evilásio - mas que sempre age pelo povo. Estas divergêncas têm início quando a Portelinha é invadida e Juvenal fica hospitalizado, deixando Evilásio tomando conta de tudo, e têm seu auge quando ambos se candidatam a vereador.
A Portelinha agita a trama. É lá que se encontra, por exemplo, a família de Bernardinho, um jovem homossexual explorado pelo pai, Bernardo, pela madrasta, a dissimulada Amara, e pelos irmãos João Batista (futuramente conhecido como J.B.) e Benoliel. Mas o rapaz acabará se apaixonando por Dália, sua melhor amiga, que ele ajudou a salvar das drogas. É ainda na Portelinha que vive Alzira, prima de Célia Mara e mãe de dois filhos, Dorginho e Manuela. Uma mulher de bom coração, mas que engana o marido, o imprestável Dorgival, ao dizer que trabalha como enfermeira, - já que ela sustenta a casa há quinze anos - quando na verdade faz strip-tease na Uísqueria Cincinatti, dirigida por Jojô, seu melhor amigo. A certa altura da história, Alzira acaba conquistando o coração de Juvenal. No decorrer da trama, a Uisqueria deixa de existir e começa a surgir a figura do Sufocador de Piranhas, uma pessoa misteriosa que ataca não só as ex-dançarinas da boate, mas também as várias mulheres da Portelinha.
Porém, Marconi Ferraço comprou também o terreno da GPN e entrará numa batalha judicial e moral contra Juvenal Antena.
Célia Mara e Branca fazem as pazes após se estapearem na universidade. Já Alzira se muda para a Espanha, com os filhos. Juvenal, por sua vez, torna-se avô, quando sua filha Solange tem um bebê com Cláudius. A identidade do misterioso Sufocador de Piranhas foi revelada na pessoa de Geraldo Peixeiro.
Sílvia sequestra Renato, após fugir de um manicômio. A polícia localiza a vilã, que na fuga, é atropelada por um milionário e vai para a França com ele, acompanhada por J.B. como motorista e amante. Ferraço se casa com Maria Paula, que convence o marido a confessar seus crimes para a polícia. O vigarista fica dois anos preso, e ao ser libertado, descobre que a amada e o filho foram para o Caribe, e que a moça vendeu todos os seus bens antes de partir. Por telefone, Maria Paula revela que comprou para ele uma passagem para o Caribe. Ele viaja ao encontro dela e os dois terminam a novela juntos.
Durante certo tempo, houve uma disputa entre o autor e Benedito Ruy Barbosa (este responsável por outra telenovela em pré-produção na época, Amor Pantaneiro, que acabou nem sendo produzida) para decidir quem escreveria a substituta de Paraíso Tropical, no final de 2007 como novela da 21h. Embora inicialmente a disputa pendesse para o lado de Benedito, ao fim das discussões ficou decidido que É a Educação, Estúpido! entraria no ar no lugar da trama de Gilberto Braga, com Amor Pantaneiro sendo exibida apenas a partir de meados de 2008.[13]
Ao ser questionado pela coluna "Controle Remoto" do jornal O Globo, em 5 de outubro de 2006, sobre quais seriam os temas abordados na telenovela, o autor teria respondido: {{quote1|Não tenho ainda a trama central, o 'escândalo' que faz uma novela, mas já criei personagens especialmente para Suzana Vieira, Marília Gabriela e Bárbara Borges.[14]
A partir daí, diversas mudanças em relação ao enredo da telenovela começaram a surgir. Em 21 de outubro de 2006, em entrevista ao site Terra, o autor concedeu diversos detalhes sobre a trama, contando sobre como abordaria a "importância da educação e da cultura",[15] inclusive declarando que o núcleo principal da trama se situaria numa universidade. Até este ponto, Suzana Vieira seria a protagonista, Leonor Villela, e Marília Gabriela, a vilã da trama. Além da educação, outro tema que seria abordado pela telenovela seria o da favelização, principal motivo pelo qual o Rio de Janeiro havia sido escolhido como cenário, com Aguinaldo inclusive declarando que ambientaria a trama nos bairros de Rio Comprido e Catumbi.[15]
Entretanto, poucos meses depois, durante uma entrevista à Folha de S.Paulo, o autor declarava um enredo principal bastante diferente. A trama não mais seria protagonizada por Suzana Vieira, mas sim por Eduardo Moscovis. Tal personagem seria baseado em um censor dos tempos da ditadura militar. O personagem foi inspirado em "um sujeito chamado Romero Lago, que, na década de 1970, chegou a ser chefe da Censura Federal, até que descobriram que ele não era Romero nem Lago, mas outra pessoa, condenada por um crime gravíssimo". Ele "(…) dá um grande golpe numa mulher (Carolina Dieckmann) por quem fingiu se apaixonar. Ele foge, faz uma série de plásticas e se torna uma pessoa respeitável. Até que, dez anos depois, o seu verdadeiro passado volta, na figura da mulher que ele traiu", conta Silva à Folha de São Paulo, do dia 10 de dezembro de 2006. A história do personagem foi parcialmente baseada, também, na figura do ex-deputado José Dirceu, que ao fugir da ditadura militar para Cuba, passou por cirurgias plásticas para mudar suas feições para que pudesse retornar ao Brasil sob uma outra identidade.[16]
Durante sua pré-produção, a telenovela enfrentou alguns problemas para a escalação do elenco, principalmente com os protagonistas. Inicialmente, quem estava escalada para interpretar a protagonista - chamada Maria Clara, porém que depois mudou para Maria Paula - era Carolina Dieckmann, que declinou o convite ao ficar grávida.[17] Para substituí-la, Mariana Ximenes também chegou a ser convidada, mas preferiu tirar férias após ter emendando diversos trabalhos em telenovelas.[17][18] O outro protagonista seria Eduardo Moscovis, convidado para ser Marconi Ferraço. No entanto, o ator acabou recusando o papel,[19] que ficou para Dalton Vigh.
José Mayer foi inicialmente cotado para interpretar Juvenal Antena,[15] papel que acabou ficando com Antônio Fagundes.[20]
O nome do jovem ator Mussunzinho apareceu na abertura durante toda a apresentação da novela, mas ele não chegou a aparecer na trama.[21]
Um dos pontos de maior destaque da produção é o fato de abordar a favelização brasileira. Um dos cenários da telenovela é a fictícia favela da Portelinha, liderada pelo personagem Juvenal Antena (Antônio Fagundes). A Portelinha destaca-se por não apresentar infiltração de traficantes, sendo constituída meramente por trabalhadores. Inicialmente, ela se chamaria Mangueirinha, e seria situada em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio.[15][20]
A cidade cenográfica montada para a telenovela foi inspirada na favela de Rio das Pedras. Para a sua construção, a equipe da Rede Globo realizou dezenas de visitas à comunidade, reconstituindo diversos trechos da comunidade de forma fiel,[22] mas com alterações que possibilitassem à equipe de filmagem realizar as cenas, além da inclusão de novos lugares, como a escola de samba e o terreiro da personagem Setembrina.[22] Quando um plano geral da Portelinha era exibido, entretanto, o que estava sendo exibido verdadeiramente era a favela de Rio das Pedras, alterada digitalmente para que fosse inserida, num espaço de sete quarteirões, a cidade cenográfica.[22] A cidade cenográfica ocupava uma área de 6000 metros quadrados e possuía oito ruas, nas quais foram construídas 120 casas, uma igreja, a escola de samba da comunidade e 30 lojas,[23] que serviam de cenário para a gravação da maior parte das cenas da produção. O ator Lázaro Ramos definiu a fictícia Portelinha como a visão do autor, Aguinaldo Silva, da favelização brasileira,[24] pois "trata-se de uma junção de várias favelas e apresenta diversos personagens típicos desse ambiente".[24]
A escolha do nome, uma homenagem à escola de samba Portela,[25] rendeu posteriomente ao diretor, Wolf Maya, e ao elenco um "troféu Águia de Ouro", criado especialmente pelo carnavalesco Cahê Rodrigues para "retribuir" a homenagem.[25]
Além da Portelinha, a novela tem como base a cidade do Rio de Janeiro. Na primeira fase, foram gravadas cenas em São Bento do Sul, Santa Catarina (onde foi ambientada a fictícia cidade de Passaredo); e Canela, no Rio Grande do Sul. No início da segunda fase, várias cenas foram gravadas em Paris, na França, e na cidade de São Paulo. Em alguns dos últimos capítulos, foram gravadas cenas em Igarassu, no litoral de Pernambuco.
No dia 23 de novembro, a Globo informou, por meio de nota oficial, que o autor Aguinaldo Silva se manteria afastado dos roteiros da trama, para "resolver problemas pessoais"[26] - o que posteriormente atribuiu-se à hipertensão.[27] Sua saída gerou controvérsia entre os atores e a imprensa especializada, incitando rumores de que ele havia sido demitido.[28] Contudo, na mesma semana o autor retornou à produção, pois havia sido impedido de viajar a Portugal, por não ter renovado o passaporte.[29]
Duas Caras não teve seu último capítulo re-apresentado. Alegando que ficaria grande demais, o autor Aguinaldo Silva e o núcleo de novelas da Globo decidiram não reapresentar o último capítulo, que foi exibido no dia 31 de maio de 2008, um sábado. Isso aconteceu pela primeira vez em muitos anos, pois novelas como Renascer e Fera Ferida tiveram problemas parecidos, mas não deixaram de ter seus últimos capítulos re-apresentados. O fato fez com que a novela tivesse a menor audiência de um último capítulo de uma novela das 20h da Globo (47 pontos). No sábado, a audiência sofre uma grande queda em relação aos outros dias da semana.
Quando da estreia, a trama foi classificada pelo Ministério da Justiça como imprópria para menores de 12 anos, classificação que se prolongou durante os primeiros dois meses e meio. Porém, devido às cenas excessivamente sensuais protagonizadas pela atriz Flávia Alessandra - intérprete de Alzira, pretensa enfermeira que trabalhava como "dançarina" num prostíbulo, a Uisqueria Cincinnati - e ao uso excessivo de palavrões, o órgão abriu um processo para reclassificá-la como imprópria para menores de 14 anos e inadequada para antes das 21 horas,[30] e de fato, a partir do dia 24/12/2007, a trama foi reclassificada como tal. Como forma de evitar a reclassificação, o autor Aguinaldo Silva chegou a insinuar que a explosão da boate estaria ligada a essa suposta "censura".[31] Ainda que a Rede Globo tenha recorrido do caso, alegando que a telenovela havia sofrido mudanças que a tornariam adequada para menores de 12 anos,[31] a mesma acabou por permanecer nesta classificação.[1][31] Assim, a emissora teve que mudar o horário da novela das 20h55 para as 21h, inclusive nas quartas-feiras, quando geralmente a novela começava mais cedo por causa do futebol. Os capítulos de quarta, foram então encurtados.
Fazendo uso de papel reciclado, latas de refrigerante, retalhos e pedaços de fios, o artista plástico Sérgio Cezar desenvolveu, a pedido de Hans Donner, cerca de 1.500 maquetes que chegaram a ocupar aproximadamente 64m² do estúdio no qual foi gravada a abertura da novela. Intercalada com imagens em preto-e-branco da própria fabricação da mini-favela, a abertura dura cerca de 70 segundos, e mostra o crescimento da comunidade ao redor de dois luxuosos edifícios criados através de computação gráfica.[23]
Os créditos, por sua vez, aparecem desordenadamente. Marjorie Estiano, que vive a protagonista Maria Paula - e que, portanto, deveria ser creditada em primeiro lugar - aparece após muitos veteranos, como Antônio Fagundes, o co-protagonista Juvenal Antena, Dalton Vigh, o antagonista principal, Marconi Ferraço, e as também co-protagonistas Renata Sorrah, a batalhadora Célia Mara, e Susana Vieira, sua rival na trama, Branca. Já a antagonista, Sílvia, interpretada por Alinne Moraes, é creditada no meio da abertura, sendo que seu papel faz parte do núcleo central da novela, e sua personagem é importantíssima para o desenrolar da história da mesma.
Duas Caras obteve o menor índice de audiência de uma novela das 20h em seu capítulo de estreia, até então: média de 40 pontos, com picos de 51.[32][33] Ficou abaixo da antecessora, Paraíso Tropical, que em sua estreia marcou 41 pontos. Essa marca seria mais tarde superada pela novela A Favorita. Os dois capítulos seguintes alcançaram números ainda menores (média de 35,5 no segundo,[34] e 33,7 no terceiro.[34][35]
Seu último capítulo, por ser exibido num sábado, dia em que a audiência caiu muito, Duas Caras marcou a pior média de último capítulo das telenovelas das 21h até então, com 47 pontos, sendo superada dois anos depois por Viver a Vida, em 2010.[36]
Na quinta-feira, 29 de maio de 2008, Duas Caras bateu o seu recorde de audiência. De acordo com a assessoria de imprensa da Globo, a média consolidada do Ibope, foi de 52 pontos de média e 70% de share.[37][38]
A novela teve média geral de 41,1 pontos.[39]
A trama de Aguinaldo Silva foi indicada a receber vários prêmios. Dentre eles, ela ganhou:
Prêmio Contigo! (2007):[40]
2º Prêmio Tudo de Bom - jornal O DIA (2008):[41][42][43]
Troféu Super Cap de Ouro (2008):[44]
Meus Prêmios Nick (2008):[45]
Prêmio Jovem Brasileiro (2008):[46]
Prêmio Arte Qualidade Brasil (2008):[47][48][49]
Prêmio Extra de TV (2008):[2][50]
Prêmio Festnatal - Os Favoritos do Público (2008):
| Ator |
Personagem |
|---|---|
| Antônio Fagundes | Juvenal Antena (Juvenal Ferreira dos Santos) |
| Dalton Vigh | Dr. Marconi Ferraço (Adalberto Rangel / Juvenaldo Ferreira) |
| Renata Sorrah | Célia Mara de Andrade Couto Melgaço |
| Susana Vieira | Branca Maria Barreto Pessoa de Moraes |
| Marjorie Estiano | Maria Paula Fonseca do Nascimento |
| Débora Falabella | Júlia de Queiroz Barreto Caó dos Santos |
| Letícia Spiller | Maria Eva Monteiro Duarte |
| Lázaro Ramos | Evilásio Caó dos Santos |
| Betty Faria | Bárbara Carreira |
| Stênio Garcia | Barretão (Dr. Paulo de Queiroz Barreto) |
| Vanessa Giácomo | Luciana Alves Negroponte |
| Caco Ciocler | Cláudius Maciel |
| Alinne Moraes | Sílvia (Maria Sílvia Barreto Pessoa de Moraes) |
| Marília Gabriela | Guigui (Margarida McKenzie Salles Prado) |
| Flávia Alessandra | Alzira de Andrade Correia |
| Oscar Magrini | Gabriel Duarte |
| Marcos Winter | Deputado Narciso Tellerman |
| Paulo Goulart | Heriberto Gonçalves |
| Eriberto Leão | Ítalo Negroponte |
| Eri Johnson | Zé da Feira (José Carlos Caó dos Santos) |
| Juliana Knust | Débora Vieira Melgaço |
| Bárbara Borges | Clarissa de Andrade Couto Melgaço |
| Thiago Mendonça | Bernardinho (Bernardo da Conceição Júnior) |
| Totia Meirelles | Jandira Alves |
| Leona Cavalli | Dália Mendes |
| Otávio Augusto | Antônio José Melgaço |
| Wolf Maya | Geraldo Peixeiro |
| Ivan de Almeida | Misael Carpinteiro (Misael Caó dos Santos) |
| Rodrigo Hilbert | Ronildo (Guilherme McKenzie Salles Prado) |
| Ângelo Antônio | Dorgival Correia |
| Ricardo Blat | Pastor Inácio Lisboa |
| Dudu Azevedo | Barretinho (Paulo de Queiroz Barreto Filho) |
| Mara Manzan | Amara |
| Chica Xavier | Mãe Bina (Setembrina Caó dos Santos) |
| Nuno Leal Maia | Bernardo da Conceição |
| Alexandre Slavieiro | Heraldo Carreira |
| Flávio Bauraqui | Ezequiel Caó dos Santos |
| Sheron Menezes | Solange Couto Ferreira dos Santos Maciel |
| Juliana Alves | Gislaine Caó dos Santos |
| Armando Babaioff | Benoliel da Conceição |
| Cris Vianna | Sabrina Soares da Costa de Queiroz Barreto |
| Júlia Almeida | Fernanda Carreira da Conceição |
| Jackson Costa | Waterloo de Sousa |
| Marcela Barrozo | Ramona Monteiro Duarte |
| Guida Viana | Lenir (Elenir) |
| Cristina Galvão | Lucimar |
| Júlio Rocha | JB (João Batista da Conceição) |
| Viviane Victorette | Nadir |
| Josie Antello | Amélia Caó dos Santos |
| Teca Pereira | Nanã |
| Wilson dos Santos | Jojô (Josélio) |
| Roberto Lopes | Gilmar |
| Sérgio Vieira | Petrus Monteiro Duarte |
| Adriana Alves | Condessa de Finzi-Contini (Morena) |
| Diogo Almeida | Rudolf Stenzel |
| Débora Olivieri | Adelaide |
| Adriano Garib | Silvano |
| Susana Ribeiro | Edivânia |
| Lugui Palhares | Carlão |
| Alexandre Liuzzi | Dagmar |
| Paulo Serra | Ignácio Guevara |
| Dani Ornellas | Joseane |
| Prazeres Barbosa | Shirley |
| Adriano Dória | Marcha Lenta |
| Marilice Consenza | Socorro |
| Antônio Firmino | Apolo |
| Guilherme Duarte | Zidane |
| Luciana Pacheco | Denise |
| Eduardo Lara | Frango Veloz |
| Laura Proença | Vesga (Salete Costa) |
| Leandro Ribeiro | Osvaldo |
| Raquel Fuina | Victória (Dóris) |
| Gilberto Miranda | Divaldo |
| Isabela Lobato | Heloísa |
| Bia Mussi | Janete |
| Tathiane Manzan | Ruth |
| Edmo Luis | Gavião Sereno |
| Zé Luiz Perez | Zé da Preguiça |
| Raphael Martinez | Elvis |
| Gottsha | Eunice/Diva |
| Sylvia Massari | Graça Lagoa |
| Ator |
Personagem |
|---|---|
| Tarcísio Meira | Hermógenes Rangel |
| Bia Seidl | Gabriela Fonseca do Nascimento |
| Carlos Vereza | Helmut Erdann |
| Selma Egrei | Beth Gomes |
| Herson Capri | João Pedro Pessoa de Moraes (Joca) |
| Fulvio Stefanini | Waldemar do Nascimento |
| Sérgio Viotti | Manuel de Andrade Couto |
| Javier Gomez | Dr. Hidalgo |
| Fafy Siqueira | Madame Amora |
| Thaís de Campos | Claudine Bel-Lac |
| Atriz |
Personagem |
|---|---|
| Marília Pêra | Gioconda de Queiroz Barreto |
| Ator |
Personagem |
|---|---|
| José Wilker | Francisco Macieira |
| Ator |
Personagem |
|---|---|
| Guilherme Gorski | Duda (Eduardo Monteiro) |
| Paola Crosara | Rebeca Lisboa |
| Débora Nascimento | Andréia Bijou |
| Carolina Holanda | Bárbara (jovem) |
| Natasha Stransky | Bijouzinha[51] |
| Ator |
Personagem |
|---|---|
| Gabriel Sequeira | Renato Fonseca do Nascimento Ferreira de Souza |
| Lucas Barros | Dorginho (Dorgival Correia Júnior) |
| Ana Karolina Lannes | Sofia Alves Negroponte |
| Bernardo Mesquita | Adalberto (jovem) |
| Rafaela Victor | Míriam Lisboa |
| Raphael Rodrigues | Brucely |
| Matheus Costa | Leone Alves Negroponte |
| Luana Dandara | Manu (Manuela de Andrade Correia) |
| André Luiz Frambach | Juvenaldo Ferreira |
| Nascidos da Portelinha | |
|---|---|
| Escola-madrinha | Portela |
| Cores | Azul, rosa e branco |
| Bairro | favela da Portelinha |
| Presidente | Juvenal Antena (Antônio Fagundes) |
| Carnavalesco | Dália Mendes (Leona Cavalli) |
| Diretor de bateria | Mestre Nilo (mestre de bateria da Portela) |
O Grêmio Recreativo e Escola de Samba Nascidos da Portelinha é a escola de samba que faz parte da trama da novela. Imagens do desfile da Portela foram usadas para as filmagens do desfile da escola fictícia, quando o ator Antônio Fagundes desfilou na escola de Madureira, enquanto interpretava o personagem, que na trama desfilava pela Nascidos da Portelinha.[52][53]
Dentre as peculiaridades da trilha sonora da telenovela, encontra-se Recomeçar, canção gospel interpretada pela cantora Aline Barros, a convite do próprio autor da telenovela.[54] Aline foi a primeira cantora gospel a ter uma canção na trilha de uma novela da Rede Globo.[55]
Contrariando a trilha sonora nacional, a trilha internacional chegou a ocupar a primeira posição dos CDs mais vendidos do país, puxada pelo sucesso da canção Same Mistake, do cantor inglês James Blunt.[56]
Duas Caras foi a terceira novela a divulgar em CD sua trilha sonora em formato instrumental, fato que só havia acontecido anteriormente em Belíssima, de Sílvio de Abreu, e em Esperança, de Benedito Ruy Barbosa.
A produção musical da trama ficou a cargo de Victor Pozas, ex-produtor musical do seriado Malhação, que também trabalhou com a carreira musical da protagonista Marjorie Estiano.
A canção "No One", da cantora Alicia Keys, apesar de fazer parte da trilha internacional, abrindo o disco, não foi executada na novela.
Capa: Lázaro Ramos
Capa: Flávia Alessandra
Capa: logotipo da novela