Sob gritos de "autoritário", o presidente do Diretório Municipal do PSDB em São Paulo, José Henrique Reis Lobo, anunciou na noite desta segunda-feira a pré-candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin à Prefeitura de São Paulo. Mesmo com o auditório lotado por militantes Alckmistas, a decisão dividiu definitivamente os tucanos em São Paulo.
"Comunico que a Executiva Municipal do PSDB, no uso das prerrogativas que lhe confere, anuncia que vai levar à convenção municipal o nome de Geraldo Alckmin à candidato", disse Lobo. Após o anúncio, um militante tucano contrário à decisão tomou o microfone das mãos de Lobo: "essa é uma decisão autoritária", disse.
O líder do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo, vereador Gilberto Natalini, também criticou Lobo. Ele disse que esperava uma votação em que seria decidido se o partido anunciaria ou não a candidatura própria. "O presidente tomou uma deliberação pessoal e isso não é condizente com a democracia", afirmou.
Ele disse que a bancada de vereadores do partido não vai apoiar Alckmin até que a decisão seja referendada na convenção municipal, marcada para junho. "Nós vamos nos preparar para a convenção. A posição [do Lobo] é autoritária e muito ruim. É para dividir o PSDB."
Lobo se defendeu afirmando que era "infundada" a acusação de Natalini. "Houve uma votação na Executiva no sentido de que nós deveríamos convocar o Diretório [Municipal] e a Executiva apoiaria a decisão que nós tomássemos."
Ele afirmou que a postura dos vereadores --que não reconhecem sua decisão-- será temporária. "Temos a intenção de atraí-los para manter a unidade do partido. Todo mundo tem o direito de se expressar até o momento em que a convenção resolve, e eu acredito piamente que eles acabarão acatando o que for deliberado por sua instância adequada."
Depois de ter o nome referendado, Alckmin chegou ao Diretório Municipal aclamado pela militância. Em tom de candidato, ele invocou o nome do governador do Estado, José Serra (PSDB) --que apoia nos bastidores a candidatura de Kassab. "Vamos estar juntos por uma grande campanha", disse.
Alckmin também saiu em defesa de Lobo. "A Executiva apresentou a proposta por unanimidade. É preciso respeitar a maioria e ela está clara". Sobre a oposição dos vereadores, Alckmin se esquivou. "Vai estar todo mundo unido."
Perguntado se temia ser abandonado pelo partido como teria acontecido nas eleições presidenciais de 2006, ele preferiu dizer que confia em seu eleitorado. "Eu ganhei a eleição em São Paulo nos dois turnos, e olha que o Lula é um mito. A população é muito fiel em quem ele confia e acha que é honesto."
Alckmin também reafirmou que não vai ser candidato a governador em 2010, proposta defendida pelos tucanos que apóiam o atual prefeito. "Se eu for eleito prefeito de São Paulo eu vou ficar os quatro anos".
Reunião
A reunião --que contou com a presença dos militantes pró-Alckmin-- foi marcada por discursos inflamados por parte dos Alckmistas e por vaias recebidas por quem apoiava a candidatura de Kassab.
"Fora Vendido" foi o grito que os militantes dirigiram ao secretário de Esporte de Kassab, Walter Feldman (PSDB), quando ele tomou a palavra. "Não reconhecemos esta reunião para qualquer deliberação", disse o secretário, sob vaias. "A reunião começa aqui e se desdobra até a convenção do partido."
Antes do encontro, o secretário e os vereadores do PSDB favoráveis à reeleição de Kassab foram vaiados por cerca de 50 militantes que se concentraram em frente ao prédio onde aconteceu a reunião.
Feldman disse que não se sentiu agredido. "Ao contrário, fico muito animado que o meu partido faça uma manifestação desse tipo. Em geral, todas as decisões têm sido tomadas no âmbito do acordo, sem, muitas vezes, o desejo expresso da militância", afirmou.