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Kelvesson Randy, 26, diz que cansou de chegar atrasado ao trabalho. Depois de enfrentar o caos da linha 3-Vermelha nesta terça-feira (21) e de ficar parado dentro do trem duas vezes na última semana, decidiu abandonar o metrô e abraçar o trânsito de São Paulo. Sairá de carro, da sua casa na zona leste, para ir trabalhar na zona norte.
"De metrô você sai de casa sem um horário definido pra chegar. Todos os dias tem algum tipo de problema", afirma.
Ontem, a linha 3-Vermelha ficou paralisada por mais de duas horas depois de um problema entre as estações Pedro 2º e Sé, que provocou a interrupção da energia de toda a linha. Usuários abriram portas e quebraram janelas para sair caminhando pelos trilhos em direção às estações mais próximas.
"Esse tipo de problema é comum, quando o trem para as pessoas quebram tudo mesmo", disse uma passageira que não quis se identificar.
Assim como Randy, vários usuários reclamavam de problemas frequentes nos trens. Desde o começo de agosto, foram ao menos sete, noticiados pela Folha.com, que provocaram atrasos, paralisações e superlotação das estações.
As causas variam: queda de energia, falha elétrica, trem raspando na plataforma, problema de tração e até um raio que atingiu os trilhos.
"Lentidão pequena é todo dia. Problemas grandes como esse acontecem pelo menos três vezes por mês", afirmou o jornalista Arthur Felipe, que ontem desistiu de esperar o metrô na estação Sé e foi embora de ônibus.
Edileuza Barbosa dos Santos, operadora de telemarketing, só começou a pegar metrô diariamente em agosto. E reclama: "Já deu pra sentir que é ruim, falha demais. Sempre tem algum problema".
Em entrevista ontem à Folha, Wagner Fajardo, secretário geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo e presidente da Fenametro (Federação Nacional dos Metroviários), afirmou que o metrô está superlotado e que é preciso construir vias alternativas com capacidade maior de usuários.
PARALISAÇÃO
Na manhã desta terça-feira, uma blusa presa na porta de um trem paralisou toda a linha 3-Vermelha do metrô. Com a interrupção da energia, os passageiros chegaram a andar pelos trilhos. A circulação de trens só foi restabelecida após mais de duas horas, cerca de 150 mil pessoas foram afetadas.
Por meio de nota, a direção da empresa informou que a paralisação não foi causada por falha técnica. O problema na linha 3-Vermelha (Palmeiras-Barra Funda/Corinthians-Itaquera) começou por volta das 7h50, entre as estações Pedro 2º e Sé, quando uma blusa impossibilitou o fechamento de uma porta.
Com a paralisação do trem --que ficou sem ventilação e sem iluminação--, usuários acionaram o botão de emergência, abrindo todas as portas da composição. O mesmo aconteceu com o trem que vinha atrás da primeira composição e em diversos outros que circulavam na via. Pessoas desceram na via, obrigando o Metrô a interromper o fornecimento de energia no trecho e causando restrição na circulação de toda a via; 17 trens foram danificados.
Leitores relataram à Folha, que pessoas passaram mal e foi necessário quebrar vidros das composições para sair delas. Durante a paralisação na linha 3, pontos de ônibus ficaram lotados, e o trânsito ficou complicado em vias da zona leste --como a Radial Leste. O problema começou a ser normalizado às 10h14, com o restabelecimento da energia.
INVESTIGAÇÃO
A Secretaria da Segurança Pública informou que a Delegacia do Metropolitano instaurou hoje um inquérito policial para apurar as causas da paralisação da linha 3-Vermelha.
A polícia vai investigar se o problema de hoje tem alguma relação com a depredação parcial da estação Guaianazes da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), no dia 15 de setembro, também investigada pela delegacia.
O tumulto ocorreu após a quebra de um trem, que obrigou o fechamento da estação por cerca de meia hora. A CPTM informou que, revoltados, passageiros quebraram vidros e atiraram rojões para dentro da estação. Dois homens que participaram da depredação foram identificados e indiciados por dano ao patrimônio público.