da Folha Online
Uma granada foi atirada contra o setor de atendimento do posto do Poupatempo da
Luz (centro de São Paulo), no começo da manhã desta segunda-feira. Sua explosão
integraria a nova série de ataques atribuída ao PCC (Primeiro Comando da
Capital), que atingiu prédios públicos, agências bancárias, postos de gasolina,
supermercados e ônibus em diversos pontos do Estado, principalmente no começo
desta manhã.
De acordo com a assessoria de imprensa do Poupatempo, a granada foi encontrada
por um segurança do posto, às 8h30. O local foi isolado. Os policiais do Gate
(Grupo de Ações Táticas Especiais) foram acionados e detonaram o artefato.
Ninguém ficou ferido e o prédio não foi danificado. O posto retomou seu
funcionamento às 12h.
O posto do Poupatempo fica nas proximidades de outros dois prédios públicos que
foram atacados por bombas, quase simultaneamente.
O primeiro e mais grave foi contra a sede do Ministério Público Estadual, na rua
Riachuelo, no centro de São Paulo. Uma bomba de fabricação caseira foi atirada
contra a entrada do prédio. O impacto da explosão destruiu a fachada e
estilhaçou, inclusive, janelas dos prédios vizinhos.
Outra bomba atingiu o prédio da Secretaria de Estado da Fazenda, que fica na
avenida Rangel Pestana, ao lado do Poupatempo Sé.
Outro prédio público, o da Subprefeitura de Pirituba-Jaraguá (zona norte),
também foi alvo da violência. Pouco antes das 6h, uma bomba caseira foi jogada
dentro da praça de atendimento. O artefato foi montado dentro da carcaça de um
extintor de incêndio e não explodiu.
Balanço
No final da manhã desta segunda, a Secretaria de Estado da Segurança Pública
confirmou a realização de 27 ataques, em todo o Estado. Pelo menos cinco cidades
do
interior foram atingidas pela onda de violência. Dois suspeitos foram mortos
e outros dois, presos. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas.
Por medo dos ataques, as cooperativas de microônibus e vans que operam na zona
leste e em parte da zona norte de São Paulo
recolheram as frotas. Houve ao menos dois na capital e mais de dez na Grande
São Paulo.
Os dois suspeitos presos foram flagrados com uma garrafa de gasolina e um pedaço
de pano --que seriam usados na fabricação de um coquetel molotov-- nas
proximidades de uma agência do Itaú, na zona norte de São Paulo. Os dois tinham
antecedentes criminais.
O governo não divulgou as circunstâncias em que dois suspeitos foram mortos.
De acordo com informações preliminares da PM, outros dois homens foram presos na
avenida Mateo Bei, em São Mateus (zona leste de São Paulo), depois de atearem
fogo a um ônibus. Com eles teriam sido apreendidas uma metralhadora e uma
espingarda calibre 12.
| Rosa Bastos/Folha Imagem |
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| Incêndio provocado por ataque criminoso atinge banco na zona norte de São Paulo |
Houve ao menos um confronto entre suspeitos de envolvimento nos novos ataques
e a PM (Polícia Militar), às 5h, também na zona norte. Os disparos chegaram a
atingir um vagão do Metrô que estava estacionado próximo à estação Tucuruvi.
Ninguém ficou ferido.
Pelo menos um homem de 29 anos e uma mulher de 43 ficaram feridos. Eles foram
atingidos por estilhaços após a explosão de um coquetel molotov, no hipermercado
Extra, na avenida Sargento Geraldo Santana, em Interlagos (zona sul de São
Paulo). Eles foram levados ao pronto-socorro Santa Marina e passam bem.
Outro supermercado atacado pelo crime organizado foi um Compre Bem localizado no
Carrão (zona leste de São Paulo).
Capital
Outro ataque ocorrido na cidade de São Paulo atingiu o Deic (Departamento de
Investigação sobre o Crime Organizado), em Santana (zona norte). Dois carros que
estavam estacionados foram incendiados. Devido à ação, a avenida Zaki Narchi foi
interditada e o policiamento, reforçado.
Bases da GCM (Guarda Civil Metropolitana) de São Paulo foram alvo de ao menos
quatro ações em aproximadamente uma hora --das 4h30 às 5h30.
O primeiro atentado contra a GCM ocorreu às 4h30. Homens a bordo de um Gol
branco atiraram contra a fachada da base que fica na rua Manoel José Pereira, no
Campo Limpo (zona sul).
Cerca de meia hora depois, dois homens em uma moto atiraram contra a base
comunitária da GCM que fica na praça Eulália de Carvalho (zona leste). Um guarda
foi atingido no peito, mas não ficou ferido graças ao colete à prova de balas.
Minutos mais tarde, quatro homens desceram de um Gol vermelho e atiraram contra
um grupo de guardas civis que estava na Inspetoria Regional da Vila Prudente
(zona leste). Um tiro atingiu um carro que estava estacionado em frente à
unidade. Os guardas revidaram, mas os atiradores fugiram.
De acordo com a GCM, ainda no começo da manhã, a guarita localizada no CEU
Butantã foi atingida por cerca de sete disparos.
Postos e bancos
Pelo menos três postos de gasolina instalados em regiões nobres da capital
paulista foram atacados. Um deles fica na rua Cerro Corá, na Lapa; e outros dois
ficam nas ruas Alagoas e Conselheiro Brotero, em Higienópolis --todos na zona
oeste da cidade.
Diversas agências bancárias foram atacadas quase simultaneamente. Na zona sul,
foram atacadas uma agência na rua São João da Boa Vista, em Americanópolis; um
Bradesco na avenida do Cursino, na Vila Clementino; um Itaú na avenida
Jabaquara, no Jabaquara; e uma agência do Bradesco na avenida Comendador
Santana, no Capão Redondo.
Na zona norte, uma agência na rua Conselheiro Moreira de Barros e outra, na Casa
Verde, foram atacadas. Na zona leste, os ocupantes de um EcoSport invadiram uma
agência do Unibanco e a incendiaram, na Vila Prudente. Uma agência do Banco do
Brasil foi atacada na rua Maciel Monteiro, na Vila Santa Teresa.
No centro, uma agência do Unibanco que fica na rua Gabriel dos Santos, em Santa
Cecília, também foi atingida.
Violência
Esta é a terceira série de ataques contra forças de segurança e alvos civis
--como agências bancárias, postos de gasolina e ônibus-- promovida pelo PCC,
desde o começo do ano.
Os primeiros atentados ocorreram entre os dias 12 e 19 de maio. Foram 299 ações,
incluindo incêndios a ônibus. Simultaneamente, uma onda de motins atingiu 82
unidades do sistema penitenciário paulista. Na ocasião, a onda de violência foi
interpretada como uma resposta à decisão do governo estadual de isolar líderes
da facção criminosa.
Nos dois meses seguintes, criminosos mataram 16 agentes penitenciários, de
acordo com o sindicato que representa a categoria.
Uma segunda série de ataques ocorreu entre os últimos dias 11 e 14 de julho.
Desta vez, os principais alvos foram os ônibus. Quase cem foram incendiados ou
atacados a tiros, em todo o Estado. Durante os ataques, prédios públicos e
particulares, agências bancárias, lojas e agentes de segurança também foram
atacados. Oito morreram.
Colaboraram GABRIELA MANZINI, da Folha Online,
e RACHEL AÑÓN, da Agência Folha