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Em Salvador
Armados com fuzis e metralhadoras, oito homens vestidos com fardas do
Exército assaltaram nesta segunda-feira (30) as agências do Banco do Brasil e do
Bradesco na cidade baiana de Cordeiros (674 km de Salvador). De acordo com o
Sindipoc (Sindicato dos Policiais Civis) da Bahia, entre janeiro e o final de
julho deste ano, o índice de assaltos a estabelecimentos bancários no interior
do Estado aumentou quase 60%, em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo testemunhas, os assaltantes se dividiram em dois grupos durante a ação.
Nas duas agências a estratégia adotada pelo grupo foi a mesma: depois de render
os vigilantes e ameaçar alguns clientes, os assaltantes recolheram todo o
dinheiro que estava nos caixas e fizeram três reféns –um vereador, um bancário e
um vigilante. Os reféns foram liberados nas imediações do município de
Presidente Jânio Quadros (BA). Pelo menos 30 policiais cercam as principais
estradas da região para tentar localizar e prender os assaltantes.
A polícia e os dois bancos não divulgaram os valores roubados. “Vi quando os
assaltantes passaram e achei que o Exército estava fazendo algum tipo de ação na
nossa região”, disse o agricultor José Passos de Oliveira, 42. “De uma hora para
outra percebi muita correria pertos dos bancos e, só assim, entendi o que estava
acontecendo.”
O pedreiro Alexandre Ribeiro, 28, disse que os assaltantes chegaram a acenar
para algumas pessoas que estavam nas ruas. “Jamais eu poderia imaginar que
aqueles homens com roupas do Exército fossem criminosos.”
Violência na região
Os assaltos a agências bancárias, casas lotéricas, Correios e prédios públicos
no interior da Bahia e de algumas cidades de outros Estados do Nordeste foi tema
da 35ª Reunião do Colégio de Secretários de Segurança Pública do Nordeste,
realizada no primeiro semestre de 2010.
Na época, os secretários disseram que, por agirem em grupos, os assaltantes
ganharam o apelido de “novos cangaceiros”, em homenagem a Virgulino Ferreira da
Silva (1897-1938), o Lampião. Em cidades com mais de 30 mil habitantes, os
assaltantes também costumam cortar linhas telefônicas, além de bloquear as
saídas e entradas dos municípios para facilitar a fuga do grupo.