Para analistas do mercado, dados melhores do IBGE levarão Copom a reduzir a Selic em 0,75 ponto nesta quarta
Agência Estado
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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), O PIB caiu 0,8% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o último trimestre de 2008. A expectativa era de uma queda entre 3% e 0,9%. Ainda assim, o resultado confirma uma recessão técnica no País, determinada pela queda do PIB em dois trimestres consecutivos.
"O número é muito melhor do que o esperado. Esse dado eliminará a aposta de redução de 1pp da Selic na reunião do Copom amanhã, mas deve consolidar a previsão de 0,75pp", disse o economista para Brasil do banco de investimentos do Barclays Capital, Paulo Mateus. "O dado mostrou que a queda foi bastante concentrada no quarto trimestre. A economia está em um ritmo muito melhor de crescimento. Já mostra uma recuperação", afirmou.
O ex-diretor do BC e sócio fundador do fundo hedge Tandem Global Partners, Paulo Vieira da Cunha, também espera um corte de 0,75 ponto porcentual na taxa, e argumenta que os cortes não se encerram aí. "Ainda há espaço para cortes da taxa de juro, pois as expectativas de inflação continuam se ajustando para baixo e não há foco de alerta no quadro inflacionário", afirma.
A equipe do Goldman Sachs coordenada pelo diretor de pesquisa para mercados emergentes, Paulo Leme, avalia o número para o PIB como "melhor do que o esperado". O analista também destaca a resiliência do consumo, sustentado pela renda real e IPI menor para automóveis, por exemplo. "Um início de ano muito melhor para o PIB deverá deixar o Copom mais confortável para reduzir o ritmo de cortes para 0,75 pp amanhã", afirma.
A expectativa é compartilhada pela economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thaís Zara. "Esse corte já sinaliza um passo mais lento. Além disso, o BC pode deixar no comunicado ou na ata, a sinalização de fim dos cortes", disse.
"O BC deve adotar uma postura mais cautelosa para cortar os juros amanhã, quando deve diminuir a Selic em 0,75 ponto porcentual. Em julho, a taxa deve diminuir mais 0,25 ponto porcentual e as reduções devem parar nesse ponto, em 9,25%", completou o economista-chefe da LCA Consultores, Braulio Borges.
0,50 ponto
Para alguns economistas, porém, a redução no ritmo de corte pelo BC será ainda maior, para o patamar de 0,50 ponto porcentual. "Não diria que o BC finalizaria o corte neste momento, mas vai caminhar em passos menores", disse o economista global do Wachovia Group, Jay Bryson.
O analista pondera que o Comitê do BC continua tendo razões para cortar o juro, como "inflação indo para baixo e fortalecimento do real. Se isto continuar irá reduzir as pressões de inflação ao longo do tempo", prevê.
"Embora o PIB seja um dado velho, ele é importante para reduzir a pressão sobre o BC e reforça nossa aposta de corte de 0,50 ponto porcentual da Selic", afirmou o estrategista do BNP Paribas Alexandre Lintz. Ele acredita que após a redução deste mês, o Copom optará por fazer uma pausa, voltando a cortar o juro no 4º trimestre, reduzindo a taxa para 9,25%.