Cinema num clique
Alternativa à pirataria , plataformas internacionais de filmes on-line
vão oferecer serviços no Brasil
Divulgação
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Cena de ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’ de Kubrick, um
dos filmes mais baixados no site Mubi
ANA PAULA SOUSA
DE SÃO PAULO
Foi preciso que a internet atingisse a maioridade para que o
Brasil começasse a ser levado a sério. Nesses 18 anos, a indústria
fonográfica perdeu toda uma geração para o download ilegal e a pirataria
espraiou-se. Mas a indústria cinematográfica começa, enfim, a mover-se.
A pergunta que resta é: encontrará um público disposto a pagar para baixar
filmes?
"O Brasil está pronto para pagar pelo serviço de video-on-demand", aposta o
argentino Eduardo Costantini, um dos fundadores do site de filmes Mubi, que
acaba de fechar nova rodada de negócios, no valor de U$S 2,4 milhões (R$ 3,9
milhões).
Parte desses recursos terá o Brasil como destino. O Mubi, que possui 1.500
títulos negociados com produtores e distribuidores, está criando uma nova
plataforma, no Vale do Silício (EUA), e pretende oferecer download de filmes
por, no máximo, R$ 5.
"Dizer que 2011 será o ano da virada é exagero. Mas será o ano da entrada do
Brasil no negócio dos filmes on-line", diz Fábio Lima, criador do site
MovieMobz, que usa a internet para "mobilizar" sessões reais de cinema.
Conforme a Folha adiantou, a americana Netflix também planeja
aterrissar no Brasil com serviços de assinatura para filmes e séries.
Nos EUA, a Netflix é apontada como causa da falência da Blockbuster e é
vista como ameaça à rede HBO.
Questionado pelo "New York Times" se a Netflix atrapalhava os negócios da
Time Warner, Jeff Bewkes, presidente do grupo -ao qual a HBO pertence-,
recorreu à ironia. "Você imagina o exército da Albânia assumindo o controle
do mundo?"
De acordo com a revista especializada "Screen", porém, a empresa de serviços
digitais teve, em 2010, um crescimento maior em Wall Street que a Time
Warner.
Uma pesquisa feita pelo JP Morgan diagnosticou, ainda, que 47% dos usuários
ativos do Netflix consideram a possibilidade de cancelar seu serviço de TV
por assinatura.
Em janeiro, o similar europeu da Netflix, a LoveFilme, foi comprada pela
Amazon.
PRATICIDADE
"Está provado que as pessoas não pagam pelo que baixam na web [www], mas que
podem pagar por serviços e conveniência", diz Lima.
É esse o eixo de um longo artigo escrito por Chris Anderson, editor-chefe da
revista "Wired", que declara a morte da web como negócio.
O futuro, de acordo com ele, está na internet. Traduzindo: perdem força as
páginas www e ganham força as plataformas fechadas e os "dispositivos", como
os iPads. "Por mais que admiremos os serviços abertos, no fim do dia
buscamos é praticidade", analisa Anderson.
Se for preciso pagar pelo conforto de ter um filme à mão com um simples
clique, diante de um cardápio vasto e bem organizado, muitos pagarão,
defende Anderson.
A aposta dos investidores que colocam o Brasil no radar é que, conforme as
conexões em altíssima velocidade, as TVs com internet e os smartphones forem
se espalhando pelo mundo, se espalhem também esse serviços.
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