CASAMENTO DO FILHO DO PRÍNCIPE CHARLES

Anne Applebaum
Há um mês, eu disse a uma amiga britânica que poderia visitar Londres em 29 de
abril. “Você não pode vir aqui no dia 29”, ela me disse. “É o dia do casamento.”
Eu lhe disse que não fui convidada para um casamento.
Então eu me lembrei. Ah, sim, aquele casamento.
Não que minha amiga estivesse interessada no casamento de Catherine Middleton e
do príncipe William de Gales, é claro: ela estava apenas preocupada com o
trânsito. Mas começamos a falar sobre o casamento assim mesmo –e, como se
revelou, nós duas tínhamos opiniões. Nós concordamos que Kate sempre consegue
parecer feliz na televisão, o que não é fácil. Nós também concordamos que ele
tem um cabelo excelente. Nós sentíamos que o príncipe William parece um jovem
sério e que era uma pena que teria que esperar tanto para ter um emprego de
verdade. Nós imaginamos que o vestido da noiva seria modesto, ao menos em
comparação ao modelo escolhido há tanto tempo pela mulher que teria sido sua
sogra. Minha amiga não acompanha a realeza e nem é leitora de tabloides. Nem eu.
Todavia, sem nem mesmo tentar, nós duas tínhamos absorvido um bocado de
informação sobre essas duas pessoas, sem nunca ter encontrado nenhuma das duas.
Nós estávamos familiarizadas com a irmã de Kate, Pippa. Nós vimos fotos do
vestido transparente que Kate usou certa vez em um desfile de moda estudantil.
Nós sabíamos que William tem um diploma de geografia.
Mas também estávamos falando sobre eles em um tom diferente daquele que
usaríamos se estivéssemos falando sobre, digamos, Madonna ou Tony Blair. Nem
Kate e nem William concorreram a algum cargo público e nem irão. Eles nunca
prometeram nada a ninguém –nem reduzir impostos, nem melhorar o atendimento de
saúde– de modo que não há motivo para considerá-los decepcionantes. Eles nunca
compuseram uma canção pop e nem apareceram em um filme, de modo que não há
sentido em reclamar que são superestimados, estão em decadência ou desafinados.
Os únicos tipos de celebridades que poderiam lembrar são os astros de reality
shows. Como as garotas que vão se sentar em ilhas desertas, Kate optou
conscientemente em participar de uma novela há muito em exibição e bastante
pública.
Mas a semelhança é superficial. Os participantes de “No Limite” ou “Big Brother”
podem acabar caindo na obscuridade se quiserem, mas Kate se comprometeu a esta
narrativa televisiva particular pelo restante de sua vida.
Na verdade, não foi talento, ambição, inteligência ou mesmo riqueza que tornaram
William famoso, mas sim o destino –um acidente de nascimento. Kate agora
compartilhará esse destino, e isso, eu reconheço, é exatamente o que torna o
casamento dela tão interessante de se ler a respeito, de se escrever a respeito
e discutir. Diferente da sorte, que vem e vai, o destino é permanente. Diferente
da fortuna, que pode ser boa ou ruim, o destino não é nenhum dos dois: ele
apenas é. Você pode lamentar pelo príncipe William, por ter que viver sua vida
em público. Ou pode invejá-lo, porque será o rei da Inglaterra. Faça sua escolha
–mas seja qual for, os detalhes são atraentes.
O destino também é arcaico. Nós lemos a respeito dele na mitologia grega, ou em
Shakespeare. No mundo moderno, meritocrático, nós estamos acostumados às pessoas
conquistarem seu poder ou sua celebridade, de um jeito ou de outro. Mas o
príncipe William é uma daquelas poucas pessoas na Terra que nasceram com
verdadeira autoridade política. Mesmo que nunca faça nada a respeito, ele algum
dia se tornará o chefe de um Estado relativamente importante. E mesmo que queira
viver uma vida completamente diferente, ele não poderá. Caso abdicasse, como fez
seu tio-bisavô, esse fato o definiria e o assombraria pelo restante de sua vida.
Neste sentido, ele realmente é diferente da maioria de nós. Nenhum de nós sabe
exatamente que rumo nossa vida tomará, mas William tem uma melhor ideia do que a
maioria –e agora Kate também.
De fato, uma das coisas que ambos sabem com certeza é que milhões de pessoas que
nunca viram agora estão falando sobre o cardápio do jantar de casamento deles,
sobre a lista de convidados de sua cerimônia, e sobre o hotel no qual passarão
sua lua-de-mel. E aqui está o que gosto a respeito deles: parece que eles
decidiram curtir juntos assim mesmo. Por esse motivo apenas, eu ergo uma taça
para brindar a felicidade do casal.
(Anne Applebaum é colunista do “Washington Post” e da revista “Slate”. Seu
mais recente livro é “Gulag”.)

A rainha Elizabeth II, avó do príncipe William, aprovou a cerimônia de casamento do neto com Kate Middleton, que ocorreu em Londres nesta sexta-feira. "Foi incrível, elogiou a rainha da Inglaterra. Foi ela quem concedeu ao casal o título de duques de Cambridge.
Após a cerimônia, a família se reuniu no palácio de Buckinham para uma recepção oficial para a qual estavam convidadas 650 pessoas. Com o fim do compromisso, Elizabeth II e seu marido, o duque de Edimburgo, viajaram. Eles vão passar o fim de semana fora da cidade.

Fonte:http://oglobo.globo.com/fotos/2011/04/30/30_MHG_casalreal01.jpg
Um dia depois do casamento mais esperado do ano, o príncipe William e sua esposa Kate, a duquesa de Cambridge, resolveram adiar a lua de mel. De acordo com informações oficiais do palácio, o príncipe deve voltar ao trabalho como piloto de helicóptero na próxima semana. Mais cedo, o casal deixou o Palácio de Buckingham, em Londres, num helicóptero, e a informação era que eles estariam indo para a lua de mel.
- O duque e a duquesa de Cambridge decidiram não partir imediatamente para a lua de mel -, informou um comunicado oficial.
Ainda de acordo com o comunicado, o casal permanecerá no Reino Unido para um final de semana privado. A localização, no entando, não foi divulgada:
- A local onde eles passarão um fim de semana privado antes de o Duque retornar ao trabalho e a localização da lua de mel, que será no exterior, não será divulgada antecipadamente - diz ainda o comunicado.
Após a festa de gala realizada no Palácio de Buckingham como celebração do casamento, um porta-voz pediu que a imprensa respeite a privacidade do casal durante a viagem de lua de mel ao exterior, que deve durar duas semanas. Assim como outros detalhes do casamento, o destino da lua de mel do casal real permanece um mistério. Entre as apostas estão Seicheles, em Madagascar; Quênia; uma ilha na Austrália; ilha Grega de Corfu; e Ilhas Sorlingas, localizadas a sudoeste da península da Cornualha, na Inglaterra.



William e Kate são, oficialmente,
marido e mulher. Numa cerimónia que decorreu na Abadia de Westminster, em
Londres, sob os olhares curiosos de centenas de milhões de pessoas.
Os noivos receberam os títulos de Duque e Duquesa de Cambridge.
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