| Carga tributária é a maior da história
Tributos pagos no país somaram R$ 258,90 bilhões entre janeiro e
março, ou 38,90% do PIB, aponta estudo
Carga subiu 1,87 ponto percentual em relação a 2007; em valores, receita
aumentou R$ 37,15 bi em apenas três meses do ano
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
Mesmo com o fim da CPMF (o tributo do cheque), a carga tributária continua
avançando no país, mostra estudo divulgado ontem pelo IBPT (Instituto
Brasileiro de Planejamento Tributário).
Segundo o estudo, a carga fiscal no primeiro trimestre deste ano foi de
38,90% do PIB (Produto Interno Bruto), com um aumento de 1,87 ponto
percentual em relação aos 37,03% do mesmo período do ano passado. Trata-se
de um novo recorde para os primeiros trimestres de cada ano.
A carga tributária (ou fiscal) é a soma de todos os tributos (impostos,
taxas e contribuições), pagos pela sociedade aos três níveis de governo, em
relação ao PIB. Assim, de cada R$ 100 que o país produziu no primeiro
trimestre, R$ 38,90 viraram tributos que foram para os cofres dos governos
federal, estaduais e municipais.
Para um PIB de R$ 665,53 bilhões, divulgado na semana passada pelo IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os contribuintes pagaram
R$ 258,90 bilhões em tributos, segundo o IBPT.
A previsão é que em 22 de dezembro a carga fiscal de 2008 alcance R$ 1
trilhão.
Tradicionalmente, no primeiro trimestre a carga tributária é sempre maior do
que nos outros três. Motivos: entre janeiro e março a atividade econômica é
baixa e nesse período há maior concentração de tributos a pagar, como IR das
empresas, ICMS, PIS e Cofins referentes a dezembro (período de forte
demanda, pelas vendas de Natal). Para as pessoas físicas, vencem o IPVA
(tributo estadual sobre veículos) e IPTU (municipal sobre imóveis).
Avanço superior ao PIB
O presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, lamenta o crescimento da
carga tributária. "Infelizmente, a carga tributária brasileira continua em
ritmo acelerado de crescimento." Para Amaral, a carga fiscal cresce mais do
que o PIB por causa da forma de tributação adotada no país, denominada
"cálculo por dentro", em que o tributo incide sobre ele mesmo. Exemplo: uma
alíquota de 25% do ICMS vira 33,33% devido a essa forma de cálculo.
Nos primeiros três meses deste ano, a arrecadação nos três níveis de governo
subiu 16,75% em termos nominais, segundo o IBPT -quase três vezes o
crescimento de 5,8% do PIB no mesmo período.
Esses 16,75% de aumento representaram R$ 37,15 bilhões adicionais em relação
a janeiro a março de 2007. Desse total, a União levou R$ 27,39 bilhões (ou
73,73%), seguida pelos Estados, com R$ 8,71 bilhões (23,45%), e os
municípios, com R$ 1,04 bilhão (2,80%).
Os R$ 27,39 bilhões a mais obtidos pela União em apenas três meses
representam mais de 68% de toda a receita que era prevista (R$ 40 bilhões)
pelo governo caso a cobrança da CPMF tivesse sido prorrogada pelo Senado ao
final de 2007.
Quem contribuiu
Percentualmente, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) foi o tributo
que mais cresceu neste ano. Devido ao aumento das alíquotas em janeiro, a
arrecadação do IOF avançou 153,11% no trimestre.
Em valores, o IOF arrecadou R$ 4,48 bilhões neste ano, contra R$ 1,77 bilhão
de janeiro a março de 2007. A previsão do governo é obter R$ 16 bilhões com
o imposto neste ano. Pelos números até agora obtidos, é quase certo que
serão mais de R$ 18 bilhões.
O IR foi o tributo federal que mais cresceu em valores, com R$ 11,78
bilhões, seguido da contribuição ao INSS, com R$ 6,53 bilhões. Esses números
são resultado da maior geração de empregos formais (com registro em
carteira) no país.
Com sua extinção, a receita da CPMF caiu R$ 7,48 bilhões neste ano, somando
apenas R$ 930 milhões -R$ 8,41 bilhões no primeiro trimestre de 2007.
Texto Anterior:
Mercado
Aberto
Próximo Texto:
Receita
não calcula dado por trimestre
Índice
|