Aquecimento afeta saúde também, diz cientista
 
Por Chris Bukley

PEQUIM (Reuters) - Ondas de calor, furacões e a difusão da malária são as consequências mais óbvias do aquecimento global para a saúde humana, segundo um cientista que estuda o impacto das alterações climáticas sobre a vida das pessoas.

"O que mais excita nossos governos e o público é a perspectiva de que as mudanças climáticas provoquem danos ao sistema econômico", disse Tony McMichael, professor da Universidade Nacional da Austrália, na sexta-feira em Pequim.

"Mas o pior, é claro, em termos de real sustentabilidade é o dano ao sistema de apoio à vida", acrescentou.

Na semana passada, o governo britânico divulgou um relatório alertando que o efeito estufa, provocado pela emissão de poluentes, pode mergulhar o mundo numa recessão equivalente à Grande Depressão da década de 1930.

Agora os cientistas tentam entender os efeitos mais sutis do aquecimento sobre a saúde humana, segundo McMichael.

"A maioria das respostas não é simples, não se reduzem a simples diagramas causais", explicou.

McMichael foi a Pequim lançar um novo esforço internacional para estudar as correlações entre aquecimento global e saúde. Um relatório preparado para esse fim mostra algumas pistas sobre a dimensão do problema.

O texto diz que 3 bilhões de pessoas ficarão ameaçadas pela dengue devido às alterações climáticas e à urbanização, que 40 por cento da população mundial será suscetível à malária, e que a desnutrição provocada pelo aquecimento e a perda de terras e água pode colocar 840 milhões em risco.

"As mudanças no clima global terão impactos diversos e crescentes sobre a saúde humana", disse o relatório.

Mesmo que os países aceitassem reduzir imediatamente as emissões de gases do efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono, as mudanças climáticas e as doenças seriam inevitáveis devido aos atuais níveis de poluentes, segundo o estudo preliminar.

McMichael colabora no próximo relatório do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática, da ONU, a ser publicado no começo de 2007.

Mas o novo esforço científico anunciado em Pequim irá além do aquecimento global para examinar como outros problemas ambientais ameaçam a saúde humana.

A perda de florestas e de diversidade, a urbanização e a difusão de espécies de climas quentes para climas frios podem ter consequências adversas para a saúde das pessoas, segundo cientistas presentes no lançamento da iniciativa.

De acordo com McMichael, as conexões entre esses fatores são complexas demais para serem tratadas isoladamente.

 
 
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