Propaganda boca-a-boca
divulga capital argentina

HELOISA LUPINACCI
Enviada especial a Buenos Aires
Se recentes pesquisas apontam que a propaganda boca-a-boca é uma das
formas mais eficazes de divulgar um produto, a cidade de Buenos Aires
pode logo virar um "case" a ser estudado em salas de aula de cursos de
marketing.
A cidade viu seu número de turistas crescer 78% de 2002 a 2003. Segundo
estudo realizado pela Secretaria de Turismo de Buenos Aires, grande
parte da divulgação foi feita na base do boca-a-boca.
| Gustavo Chacra/Folha Imagem |

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Grelha com miúdos e embutidos na
capital da Argentina
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O Brasil, segundo emissor de turistas à capital argentina, responsável
por 12% dos visitantes no ano passado, atrás apenas do Uruguai,
responsável por 17% dos turistas, é um desses focos de divulgação entre
amigos.
Quem foi a Buenos Aires costuma recomendá-la. Os motivos são vários: os
preços razoáveis dos pacotes, a estabilidade cambial, que mantém já há
quase dois anos uma paridade entre o peso e o real --hoje R$ 1 compra
1,04 peso argentino-- e a diversidade de passeios.
Há o turístico Caminito, no bairro da Boca do Riachuelo, cheio de casas
coloridas. Há o estádio do Boca Juniors, para fãs de futebol. Há o Malba
e o Museu de Belas Artes, para quem busca tours culturais. Há a plaza de
Mayo e toda a história que ainda se faz presente, como as mães que
procuram seus filhos desaparecidos na ditadura. Há feiras de antigüidade,
de moda, de artesanato, para quem gosta de garimpar. E um vasto turismo
de compras, cujas estrelas são o couro, os sapatos e a malharia. Tudo
isso enumerado em guias.
E há programas que servem como descanso a todos esses. A ida a um café
revela que a tradição do expresso é grande. Esses cafés insinuam hábitos
portenhos. Alguns mais turísticos --como o Tortoni-- borbulham de
estrangeiros, enquanto os menos famosos são inundados pelo aroma dos
grãos tão familiares aos brasileiros.
E familiaridade também é a tônica de outro programa indispensável na
cidade: a parrillada.
Escolados em grelhas e carnes, brasileiros podem explorar as diferenças
do assado nacional para o argentino em um dos restaurantes
especializados no assunto que há por lá.
Convite
Saindo um pouco do circuito turístico padrão, uma feira distante incita
no visitante a vontade de conhecer outras paragens do país vizinho. A
feira de Mataderos reúne todas as regiões da Argentina, misturando
comidas artesanais a danças regionais.
O convite para ir mais longe deve ser levado a sério. Enquanto Buenos
Aires é responsável por 21% do turismo à Argentina, os 79% restantes são
de viajantes que rumam a outras Províncias, como Santa Fé (10%), Córdoba
(9%), Mendoza (5%) e Río Negro (5%).
Pós-crise
Os 21% do turismo argentino que cabem a Buenos Aires corresponderam, em
2003, a 5,25 milhões de visitantes. Nas férias de julho deste ano, o
número de turistas vindos de outros países aumentou 14%. Foram 542.310
visitantes.
O turismo aumenta desde que a Argentina encontrou certa estabilidade,
após a crise de 2001. Corrido o tempo, sobrou uma cidade com câmbio
atraente e estável.
Segundo estudo realizado pela Secretaria de Turismo de Buenos Aires,
essa estabilidade cambial somada à constância dos preços serviu de
disparador para o crescimento do turismo.
O aumento do turismo trouxe o incremento dos pesos deixados pelos
turistas estrangeiros. No ano passado, o gasto médio desse público em
Buenos Aires foi de 224 pesos por dia, 21% mais do que a média de 2002.
O que diminuiu foi o número de dias que esses turistas ficaram na
cidade. Em 2003, eles passaram em média 7,3 dias em Buenos Aires, uma
queda de 2,2% em relação a 2002.
Em julho deste ano, as médias foram de sete dias na cidade e de 146
pesos por dia.
O turismo foi responsável por um ingresso de 6,135 bilhões de pesos
argentinos no comércio de Buenos Aires em 2003. Aumento de 127% em
relação a 2002.
Durante as férias de julho deste ano, os visitantes foram responsáveis
por um ingresso de 861 milhões de pesos, aumento de 14% em relação ao
mesmo mês de 2003. No país, o turismo gerou, no ano passado, US$ 2,1
bilhões, o equivalente a 7,7% do PIB local.
Heloisa Lupinacci viajou a convite da Associação
Brasileira de Agências de Viagem (Abav), da companhia aérea Aerolineas
Argentinas e da rede Sheraton.
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