Pintado em todas as cores como 'azarão' da final da Copa América, em
condição praticamente desconhecida em sua história de conquistas, o Brasil
fez desabar o decantado favoritismo da então invicta Argentina na decisão
no estádio Pachencho Romero, em Maracaibo. Com a vitória por 3 a 0,
construída com a melhor atuação no torneio e gols de Júlio Baptista, Ayala
(contra) e Daniel Alves, a seleção de Dunga conquista o bicampeonato
continental, mais uma vez em cima do maior rival.
| IMAGENS DA VITÓRIA BRASILEIRA |
Júlio Baptista chuta colocado no ângulo...
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... e sai para comemorar o primeiro gol
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Zagueiro Ayala marca contra para o Brasil...
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... e Vágner Love e Robinho comemoram
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Daniel Alves marca o terceiro gol do Brasil
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Robinho festeja, enquanto Tevez lamenta
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Dunga exibe medalha e camisa com a campanha por Copa no Brasil
em 2014
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No pódio, brasileiros levantam o troféu
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A vitória na Venezuela consolida a supremacia brasileira recente sobre
a Argentina, espécie de 'freguesa' da seleção em finais. Nos últimos
quatro anos, são três triunfos em decisões sobre as arqui-rivais: Copa
América (2004 e 2007) e Copa das Confederações (2005).
"Sempre disseram que aqui tinha uma seleção praticamente medíocre.
Provamos que as pessoas têm que respeitar mais a seleção porque aqui todos
somos campeão", desabafou o autor do primeiro gol brasileiro em entrevista
à Rede Globo.
A conquista de Robinho, Júlio Baptista e companhia é a oitava do Brasil na
Copa América. Argentinos e uruguaios, com 14, seguem como os grandes
vencedores na quase centenária história da competição.
Mesmo ainda bem atrás dos rivais, o Brasil se firma como a grande potência
da competição continental na última década, pelo fato de ter vencido
quatro das últimas cinco edições da Copa América (1997, 1999, 2004 e
2007).
De quebra, o Brasil ainda contribui para manter o jejum de títulos da
Argentina, que não vence uma competição oficial desde a Copa América de
1993. De lá para cá, fortes gerações do país passaram sem nenhuma taça
sequer. Nesta oportunidade, apesar da grande campanha até a final, com
cinco vitórias em cinco jogos, a equipe de Riquelme, Tevez e Messi teve
que amargar de novo a frustração de um vice-campeonato.
Severamente criticado ao longo da competição, em razão da trajetória
irregular da equipe e de algumas de suas opções táticas, como a
implementação do meio-campo de três volantes, Dunga se torna o primeiro
brasileiro a vencer a Copa América pela seleção como jogador e técnico. A
conquista ainda confere crédito ao trabalho do novato treinador, que em
outubro inicia a campanha nas eliminatórias para o Mundial de 2010.
"Simplicidade, humildade e futebol de muito objetividade [foram o segredo
dessa seleção]. Não demos tanto espetáculo, a gente sabe disse, mas mesmo
sem espetáculo conseguimos ser campeões", comemorou o artilheiro do
torneio, Robinho, em entrevista à Rede Globo.
O favoritismo argentino começou a ruir em Maracaibo logo aos 4min de jogo,
quando Vágner Love roubou a bola no campo de defesa e iniciou jogada de
contra-ataque. Em seguida, Elano fez grande lançamento para Júlio
Baptista, que, como autêntico centroavante, dominou na área, cortou Ayala
e bateu colocado, sobre Abbondanzieri.
A Argentina não sofria um gol na Copa América desde sua segunda partida na
competição, na vitória sobre a Colômbia (4 a 2). A meta de Abbondanzieri
havia passado ilesa contra paraguaios, peruanos e mexicanos, na seqüência.
Três minutos depois, a Argentina respondeu em bela jogada coletiva. Messi
alçou na área para Verón, que ajeitou de cabeça para Riquelme. O camisa 1º
argentino bateu forte e acertou a trave direita de Doni.
Mesmo com a vantagem argentina na posse de bola e a pressão territorial
imposta pelo adversário, o Brasil conseguiu aumentar a vantagem no placar
ainda no primeiro tempo. Aos 40min, Daniel Alves, que acabara de entrar na
vaga do lesionado Elano, arrancou pela direita e cruzou na área. Em
seguida, o zagueiro Ayala tentou interceptar e acabou marcando contra.
No segundo tempo, o Brasil concentrou suas forças em anular a criação
ofensiva do adversário, mas conseguiu definir a vitória por 3 a 0 em uma
jogada de contra-ataque. Aos 23min, Vágner Love arrancou, se desviou da
marcação e serviu Daniel Alves, que bateu cruzado na saída do goleiro.
BRASIL 3 x 0 ARGENTINA
Brasil
Doni; Maicon, Alex, Juan, Gilberto; Mineiro, Josué, Elano (Daniel Alves),
Júlio Baptista; Robinho (Diego) e Vágner Love (Fernando)
Técnico: Dunga
Argentina
Abbondanzieri; Zanetti, Ayala, Gabriel Milito e Heinze; Mascherano,
Cambiasso (Aimar), Verón (Lucho González) e Riquelme; Messi e Tevez
Técnico: Alfio Basile
Data: 15/07/2007 (domingo)
Local: estádio José Encarnación Pachencho Romero, em Maracaibo (VEN)
Árbitro: Carlos Amarilla (PAR)
Auxiliares: Walter Rial (URU) e Luis Sánchez (VEN)
Cartões amarelos: Alex, Doni, Gilberto, Júlio Baptista (BRA);
Mascherano, Tevez (ARG)
Gols: Júlio Baptista, aos 4min; Ayala (contra), aos 40min do
primeiro tempo; Daniel Alves, aos 23min do segundo tempo