Brasil pagará três vezes mais ao Paraguai por energia consumida
ASSUNÇÃO, Paraguai, 25 Jul 2009 (AFP) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
e seu colega paraguaio, Fernando Lugo, anunciaram neste sábado em Assunção um
acordo que chamaram de "histórico" sobre a exploração da hidrelétrica Itaipu,
em virtude do qual o Brasil pagará ao Paraguai uma compensação anual de 360
milhões de dólares pela energia consumida.
"Demos um passo muito importante. Trata-se de um acordo histórico", afirmou
Lula ao fazer o anúncio na Casa de Governo, em Assunção.
Com isto, o Brasil praticamente triplicou a quantia que paga ao vizinho pela
energia elétrica com a qual o Paraguai abastece a região sudeste brasileira. O
acordo permite também que o Paraguai venda energia ao mercado brasileiro sem a
mediação da estatal Eletrobrás.
"Não interessa ao Brasil ter um vizinho que não tenha o mesmo ritmo de
crescimento do que ele", afirmou o presidente Lula.
Os dois presidentes assinaram declaração conjunta para oficializar o acordo e
o texto foi lido à imprensa pelo ministro paraguaio das Relações Exteriores,
Hector Lacognata.
Segundo o acordo, o Brasil pagará ao Paraguai uma compensação de 360 milhões
de dólares por ano pela cessão de parte da energia. O acordo também dará ao
Paraguai um acesso privilegiado ao mercado brasileiro.
Lula também assumiu o compromisso de financiar vários projetos de
infraestrutura no Paraguai.
O acordo ainda tem que ser aprovado pelos Congressos dos dois países e abre a
possibilidade de que ambas as nações possam comercializar a energia de Itaipu
em outros mercados a partir de 2023.
Os dois países são sócios da hidrelétrica, umas das mais potentes do mundo,
mas o Paraguai utiliza apenas 5% da energia produzida e vende o excedente ao
Brasil.
O governo paraguaio queria mudanças no acordo sobre a usina, que pertence aos
dois países, reivindicando que o Brasil pagasse mais pela energia que compra
do país vizinho.
Criada em 1973, a usina é considerada a maior do mundo em termos de energia
gerada e abastece 20% do território brasileiro. No Paraguai, Itaipu gera 90%
do que é consumido.
Localizada no Rio Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai, a hidrelétrica
de Itaipu foi criada em 1973, mas apenas em 1984 começou efetivamente a gerar
energia. É considerada a maior hidrelétrica do mundo, em termos de energia
gerada.
Os governos do Paraguai e do Brasil são os dois sócios da empresa, com
participações iguais. Quando o tratado foi assinado, ficou acertado que cada
país ficaria responsável por 50% do capital inicial (50 milhões de dólares
para cada).
Como o Paraguai não tinha recursos financeiros para isso, a solução foi pegar
um empréstimo com o Brasil, não só para o capital inicial, mas também para
outros investimentos. O resultado é uma dívida de US$ 18 bilhões, a ser paga
até 2023.
No entanto, como o Brasil foi o país que efetivamente pagou pelo projeto, os
dois governos concordaram, na época, que o Brasil teria certas preferências.
Uma delas diz respeito à energia excedente. O Paraguai tem direito a 50% da
energia gerada, mas como não precisa de todo esse montante, acaba usando
apenas 5%. O tratado diz que o restante (no caso, 45%) deve ser vendido
obrigatoriamente à Eletrobrás, a preço de custo.
O Brasil paga ao Paraguai US$ 45,31 por megawatt-hora (MWh). No entanto, desse
valor, o Paraguai recebe efetivamente US$ 2,81. A diferença (de US$ 42,5) é
retida pelo governo brasileiro, como abatimento da dívida.